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Logística pesada: 44 contêineres devem destravar a Ponte Salvador–Itaparica

​Navio com 800 toneladas de equipamentos atracará em Salvador para dar início à construção de plataforma marítima e fundação da megaobra
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Ponte Salvador–Itaparica
Segundo o Governo da Bahia, as atividades em campo em Vera Cruz devem ser iniciadas já no mês de junho, aproveitando o suporte tecnológico desse novo lote de materiais. Foto: Governo da Bahia

​O projeto da Ponte Salvador–Itaparica, considerado um dos maiores marcos de infraestrutura da história da Bahia, ganha um novo fôlego logístico na segunda quinzena de maio. Está prevista a chegada de um navio carregando mais de 800 toneladas de maquinário pesado e insumos tecnológicos, distribuídos em 44 contêineres. O material é o ponto de partida para a fase de construção sobre o espelho d’água, marcando a transição dos estudos de sondagem para a montagem das estruturas físicas no mar.

​Os equipamentos que desembarcam na capital baiana serão utilizados, prioritariamente, para erguer uma plataforma provisória. Essa estrutura funcionará como um canteiro de obras flutuante, eliminando a dependência excessiva de barcos de apoio e permitindo que as equipes trabalhem com maior estabilidade no local onde será erguido o vão central.

Segundo o Governo da Bahia, as atividades em campo em Vera Cruz devem ser iniciadas já no mês de junho, aproveitando o suporte tecnológico desse novo lote de materiais.

​O grande desafio da engenharia começa na fixação da base. Com 12,4 quilômetros de extensão marítima, a ponte exige uma fundação extremamente robusta para suportar as correntes e o peso da estrutura. A Concessionária Ponte Salvador-Itaparica (CPSI), responsável pela obra, explica que o processo é minucioso.

“Para a construção da ponte sobre o mar, primeiramente, tubos metálicos serão cravados nos locais especificados pelo projeto. Eles servirão de forma para as estacas de fundação”, explicou em vídeo divulgação.

A engenharia por trás das estacas marítimas

Após a cravação desses tubos, entra em cena a tecnologia das perfuratrizes hidráulicas. Esses equipamentos, que fazem parte da carga pesada que chega ao estado, têm a missão de escavar o interior dos tubos metálicos até atingir a profundidade necessária no solo marinho.

Trata-se de uma operação de precisão, onde cada estaca funciona como uma âncora vital para o equilíbrio do maior eixo contínuo sobre o mar da América Latina.

​Com a perfuração concluída, o processo segue para a montagem estrutural interna. A concessionária detalha que “após perfuradas, gaiolas de aço pré-armadas são inseridas onde o solo já foi escavado”. Esse esqueleto de metal é o que dará a resistência necessária ao concreto para suportar as décadas de tráfego que ligarão a capital à Ilha de Itaparica.

​O estágio final das estacas é a concretagem, realizada de forma submersa. A técnica é complexa: o concreto é injetado através de um tubo que alcança o fundo da perfuração, preenchendo o espaço de baixo para cima.

Segundo a CPSI, “a construção das estacas é uma etapa fundamental para garantir uma base sólida para a ponte”, assegurando que a estrutura não sofra abalos pela pressão hídrica ou geológica.

Integração econômica e intercâmbio com a China

A chegada desses contêineres também simboliza a transferência de conhecimento técnico entre Brasil e Ásia. Para a concessionária, o projeto representa “o intercâmbio tecnológico com a China, contribuindo para o desenvolvimento do nosso estado”.

A expertise estrangeira em megaobras marítimas é uma das apostas para que o cronograma seja cumprido com eficiência, trazendo métodos construtivos que já foram testados em grandes travessias globais.

​Além da engenharia, o foco do Governo da Bahia está na segurança jurídica e no planejamento. Mateus Dias, à frente da Secretaria Extraordinária do Sistema Viário Oeste (SVPonte), afirma que “o Governo do Estado acompanha de forma contínua a execução do projeto, atuando para garantir o cumprimento do cronograma com base em planejamento técnico, segurança jurídica e transparência”. A expectativa é que a ponte redistribua atividades econômicas atualmente concentradas em Salvador.

Impacto logístico e redução de distâncias

A conexão entre a BR-101 e a BA-001 por meio da ponte deve encurtar significativamente o tempo de viagem para quem vem do Sul, Baixo Sul e do Oeste baiano. A concessionária destaca que o equipamento será parte de um corredor fundamental para aumentar a competitividade logística. “Com ele, a produção de diversos setores no Oeste se aproximará do Porto de Salvador.”

​O impacto socioeconômico é estimado em dez milhões de pessoas espalhadas por mais de 250 municípios. O secretário da Casa Civil, Carlos Mello, reforça que a obra é um desejo antigo que agora toma forma prática.

“O avanço dessa etapa demonstra que estamos tirando do papel um projeto aguardado há décadas pelos baianos. A Ponte Salvador–Itaparica é uma obra estruturante, que vai integrar regiões, fortalecer a economia e melhorar a vida das pessoas”, destaca Mello. Além disso, o governo estima a geração de sete mil postos de trabalho e a redução de emissão de carbono ao otimizar as rotas de transporte.

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