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Artemis II: astronautas fazem história em sobrevoo lunar nesta segunda (6)

​Missão da NASA atinge ponto crucial em 6 de abril de 2026; tripulação da Artemis II deve quebrar recorde de distância da Terra estabelecido pela Apollo 13
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Artemis II
Imagem mostra a espaçonave Orion com a Lua ao fundo, capturada por uma câmera na ponta de uma de suas asas do painel solar durante o segundo dia de voo da missão. Foto: NASA

A exploração espacial humana vive um momento emblemático neste início de semana. A espaçonave Orion, que transporta a tripulação da missão Artemis II, realiza nesta segunda-feira (6) o aguardado sobrevoo lunar. O evento marca o retorno de nossa espécie às proximidades do satélite natural após mais de meio século, consolidando os testes para o futuro pouso tripulado.

​A bordo da nave estão os astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, acompanhados pelo canadense Jeremy Hansen, da CSA. O quarteto iniciou o dia monitorando os sistemas de navegação e preparando a cabine para a entrada na esfera de influência gravitacional da Lua, fenômeno previsto para ocorrer nas primeiras horas desta segunda.

Recorde histórico de distância da Terra

Um dos momentos mais aguardados da jornada deve ocorrer às 13h56 (horário de Brasília). Neste instante, a Artemis II superará o recorde histórico da Apollo 13, de 1970, tornando-se a missão com humanos a atingir a maior distância já percorrida em relação ao planeta Terra. O auge do afastamento chegará a 406.700 quilômetros.

​Antes do sobrevoo, os astronautas realizaram testes rigorosos nos trajes do Sistema de Sobrevivência da Tripulação. Segundo a agência, “o traje protege os astronautas durante as fases dinâmicas do voo e fornece suporte de vida em caso de despressurização da cabine”. Além da segurança, a mobilidade e a capacidade de alimentação sob pressão foram avaliadas.

Ajustes de precisão e ciência na superfície

Para garantir que o sobrevoo ocorra na altitude planejada, a equipe executou uma manobra de correção de trajetória (OTC). Os astronautas Koch e Hansen revisaram os procedimentos técnicos, enquanto Hansen monitorou os dados de navegação em tempo real para refinar o caminho da Orion em direção ao alvo lunar.

​A ciência é o pilar central desta etapa. O centro de controle da missão enviou à tripulação uma lista detalhada com 30 alvos geológicos para observação e fotografia. Entre os destaques está a Bacia Orientale, uma cratera de impacto com quase 965 quilômetros de diâmetro que preserva marcas de colisões ocorridas há 3,8 bilhões de anos.

Artemis II
O quarteto iniciou o dia monitorando os sistemas de navegação e preparando a cabine para a entrada na esfera de influência gravitacional da Lua. Foto: NASA

Observação das crateras

Outro ponto de interesse é a bacia de Hertzsprung, localizada no lado oculto da Lua. Por ser uma formação mais antiga e desgastada, ela servirá de contraste para os estudos geológicos. A tripulação analisará como as características da superfície lunar evoluem ao longo de escalas de tempo geológicas extremas.

​O cronograma do dia prevê um período de silêncio absoluto. Por volta das 18h44, a Orion passará por trás da Lua, o que bloqueará os sinais de rádio com a Terra por cerca de 40 minutos. “A superfície lunar bloqueará os sinais de rádio necessários para a Rede de Espaço Profundo se conectar com a espaçonave”, explicou a equipe técnica da missão.

O fenômeno do “por do sol” terrestre

Durante este “apagão” de comunicação, os astronautas testemunharão o fenômeno do “Pôr do Sol” da perspectiva da nave, quando a Terra desaparece atrás do disco lunar. O ponto de maior aproximação da superfície da Lua deve ocorrer às 19h02, a uma distância de apenas 6.550 quilômetros do solo lunar.

​Pouco depois, às 19h25, o contato será restabelecido com o “Nascer da Terra”. Este é o momento em que o planeta azul ressurge no horizonte lunar, permitindo que a NASA recupere o sinal de telemetria e comunicação de voz com os quatro exploradores espaciais.

Eclipse solar e o encerramento da jornada

A missão também reserva um espetáculo visual raro para quem está a bordo: um eclipse solar visto do espaço. Entre 20h35 e 21h32, o Sol passará atrás da Lua sob a perspectiva da Orion, criando um alinhamento único antes que a tripulação encerre as observações científicas planejadas para o dia.

​O sobrevoo desta segunda-feira é o teste final de resistência e precisão antes que a NASA autorize a missão Artemis III, que efetivamente levará humanos de volta à superfície lunar. Jeremy Hansen, Christina Koch, Victor Glover e Reid Wiseman seguem operando sistemas complexos em um ambiente de confinamento extremo, mas com uma visão privilegiada da história.

​A cobertura da passagem lunar está sendo transmitida ao vivo por diversas plataformas de streaming e pelo canal oficial da NASA no YouTube. O público pode acompanhar em tempo real os dados de telemetria que mostram a Orion deixando a esfera de influência lunar na terça-feira (7), iniciando sua jornada de retorno ao lar.

Com informações da NASA.

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