
O governo dos Estados Unidos anunciou uma pausa estratégica de dez dias nos ataques direcionados às usinas de energia do Irã. A decisão, divulgada pelo presidente Donald Trump, atende a um pedido de Teerã e estabelece um prazo até o dia 6 de abril para que as negociações avancem. O movimento ocorre em um momento crítico, com o mercado global pressionado pela alta de quase 40% no preço do petróleo e um salto de 50% nos custos de fertilizantes.
Embora Trump tenha classificado o andamento das conversas como positivo em suas redes sociais, o tom diplomático ainda é de extrema tensão. Horas antes do anúncio da pausa, o presidente americano utilizou o Truth Social para alertar que o Irã deve levar o acordo a sério antes que seja tarde demais.
Ele reforçou que, caso as exigências não sejam cumpridas, os EUA podem assumir o controle do petróleo iraniano e intensificar a destruição das capacidades militares do país.
Bloqueio no Estreito de Ormuz eleva o preço do barril
A guerra, que se aproxima da quarta semana, gerou impactos severos no transporte marítimo internacional. O bloqueio parcial do Estreito de Ormuz pelo Irã fez o barril de petróleo saltar para US$ 108 em Nova York, prejudicando setores que vão da tecnologia ao turismo.
Como um sinal de possível flexibilização, Trump mencionou que o Irã permitiu a passagem de dez navios petroleiros pelo canal, incluindo embarcações com bandeiras do Paquistão, Tailândia e Malásia.
Apesar desse gesto, o cenário em solo permanece violento. Novas ondas de mísseis iranianos atingiram áreas de Israel na última quinta-feira (25), enquanto bombardeios em cidades como Shiraz e Bandar Abbas deixaram vítimas civis.
No campo militar, Israel confirmou a morte do comandante naval da Guarda Revolucionária, embora tenha retirado autoridades do alto escalão diplomático iraniano de sua lista de alvos a pedido do Paquistão, visando manter abertos os canais de diálogo.
As barreiras para o fim definitivo dos ataques
O caminho para um cessar-fogo esbarra em exigências consideradas maximalistas por ambos os lados. Uma proposta de 15 pontos enviada pelos EUA exige que o Irã desmantele seu programa nuclear, contenha o lançamento de mísseis e entregue o controle do Estreito de Ormuz. O enviado especial americano, Steve Witkoff, confirmou que esse documento serve como base para as tratativas mediadas pelo Paquistão, Turquia e Egito.
Por outro lado, a diplomacia iraniana, representada pelo ministro Abbas Araghchi, demonstrou ceticismo e afirmou que o país não pretende negociar sob os termos atuais, classificando as mensagens trocadas como apenas declarações de posições e não um diálogo real.
Teerã exige compensações por perdas, garantias contra futuras ações militares e a inclusão do Líbano em qualquer termo de paz. Com milhares de soldados americanos já enviados à região, o mundo aguarda o desfecho do prazo de 10 dias para evitar uma invasão terrestre em larga escala.
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