
O governo dos Estados Unidos concluiu os trabalhos técnicos para designar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida, que aguarda apenas uma chancela política iminente, altera radicalmente o cenário de segurança na América Latina, pois permite que o governo norte-americano adote sanções e transforme as bases e operações desses grupos em alvos legítimos de ataques militares, mesmo que estejam localizadas em território estrangeiro.
Segundo fontes diplomáticas, a decisão é vista como de difícil reversão e coloca o Brasil sob o risco direto de intervenção militar estrangeira no combate ao crime organizado. A informação foi revelada pelo site UOL.
O movimento é impulsionado por uma nova estratégia do governo Trump, que pretende tratar o narcotráfico com o mesmo rigor dispensado ao Estado Islâmico, prevendo inclusive o uso de bombardeios e mísseis de precisão em solo internacional.
Segundo a reportagem, politicamente, a classificação atende a uma demanda de setores bolsonaristas, que em 2025 já haviam sugerido a necessidade de ação americana no Brasil e enviado dossiês à Casa Branca.
Por outro lado, a cúpula da Polícia Federal, o Ministério da Justiça e o Itamaraty manifestaram-se contrários à medida, defendendo que o Brasil não deve seguir essa linha de classificação terrorista para grupos criminosos domésticos.
O governo Trump vem se baseando na Doutrina Monroe para decisões dessa nutureza. Em dezembro de 2025, o governo Trump reviveu a Doutrina Monroe em sua Estratégia de Segurança Nacional, adaptando-a como “Corolário Trump” para justificar intervenções na América Latina contra ameaças como cartéis de drogas, migração e influência chinesa.
Essa doutrina foi estabelecida em 1823 pelo presidente americano James Monroe sob o lema “América para os americanos“. Originalmente, seu objetivo era impedir a intervenção de potências europeias nos assuntos internos dos países recém-independentes da América Latina. Com o tempo, essa política evoluiu para justificar o direito de intervenção dos Estados Unidos na região para garantir a estabilidade e proteger seus interesses econômicos e de segurança.
Aplicações Recentes
- Intervenções diretas: Captura de Maduro na Venezuela (janeiro de 2026), bloqueio a Cuba e aumento de presença militar na região.
- Impacto no Brasil: Pressão para classificar PCC/CV como terroristas, com risco de ações unilaterais se recusado; foco em controle migratório e narcotráfico.
Ao incluir o PCC e o CV nesta categoria, o governo americano aproxima o cenário brasileiro daquele enfrentado por esses outros adversários geopolíticos, utilizando o combate ao crime como uma ferramenta para expandir o controle militar e a influência política na região.
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