
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de sete aliados pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes, gerou repercussão na imprensa internacional e no cenário político dos Estados Unidos. O julgamento, concluído nesta quinta-feira (11), terminou com placar de 4 votos a 1.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou estar “surpreso e muito insatisfeito” com o veredito e comparou o caso brasileiro ao seu próprio histórico judicial: “Fizeram com Bolsonaro o que queriam fazer comigo.” Ele voltou a classificar o processo como uma “caça às bruxas”, mas não informou se pretende adotar novas sanções contra o Brasil.
A manifestação mais incisiva partiu do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que afirmou que o país responderá à altura à ‘caça às bruxas’ contra Bolsonaro, em declaração feita na rede X.
Imprensa internacional destaca julgamento como histórico
O jornal The Guardian destacou que Bolsonaro foi considerado culpado por conspirar contra a democracia e tentar invalidar o resultado das eleições de 2022. Segundo o diário britânico, o ex-presidente pode enfrentar décadas de prisão. O New York Times enfatizou que esta é a primeira vez em que um ex-presidente brasileiro é condenado por tentativa de golpe de Estado.
Já o francês Le Monde e o espanhol El País classificaram o episódio como um divisor de águas institucional no Brasil, enquanto veículos como Página 12 e Al Jazeera ressaltaram a firmeza do STF frente a pressões políticas.
Efeitos diplomáticos com reação de Trump
A manifestação de Trump e a promessa de resposta por parte do Congresso norte-americano reforçam o risco de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. No entanto, até o momento não há confirmação oficial de novas sanções econômicas ou comerciais.
Caso medidas restritivas sejam adotadas, setores exportadores brasileiros — sobretudo do agronegócio — podem ser impactados. Em 2024, os Estados Unidos foram o segundo principal destino das exportações brasileiras de soja e carnes, com destaque para estados do Centro-Oeste e do Nordeste.
Na região Nordeste, a Bahia lidera os embarques de algodão e soja, com US$ 510 milhões exportados para os EUA em 2024, segundo a Secex. A elevação de tarifas ou barreiras comerciais poderia gerar prejuízos para produtores locais, especialmente aqueles com menor capacidade de escoamento e dependentes do modal rodoviário.
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