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Indústria do Nordeste tem R$ 113 bilhões em 189 propostas aprovadas

Maior chamada pública para indústria do Nordeste aprova 189 propostas com R$ 113 bilhões em investimentos. Iniciativa integra Nova Indústria Brasil e cobre os 9 estados. 74% são MPMEs e 77% envolvem cooperação com universidades
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Chamada Nordeste BNDES Consórcio Nordeste propostas aprovadas
Chamada da Indústria Nordeste foi organizada por uma coalizão inédita entre bancos federais e Finep, com apoio técnico da Sudene e coordenação política do Consórcio Nordeste. Foto: Gabriel Paulino/Consórcio Nordeste

A maior chamada pública já realizada para a indústria nordestina resultou na aprovação de 189 propostas empresariais, que somam R$ 113 bilhões em investimentos estimados. A iniciativa integra a política federal Nova Indústria Brasil (NIB) e foi anunciada nesta segunda-feira (1º), durante a Assembleia Geral dos Governadores do Nordeste, realizada em Teresina (PI), com a presença de representantes do Consórcio Nordeste, da Sudene e das instituições financeiras federais envolvidas.

Com demanda inicialmente prevista em R$ 10 bilhões, a chamada recebeu 245 propostas, que totalizaram R$ 127 bilhões. Os projetos aprovados envolvem os nove estados da região e estão distribuídos entre cinco áreas estratégicas: transição energética com foco em armazenamento (59 projetos), bioeconomia com foco em fármacos (39), hidrogênio verde (44), data centers verdes (40) e setor automotivo e máquinas agrícolas (37).

Do total aprovado, 74% das propostas são de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). Além disso, 32% foram apresentadas em consórcios empresariais e 77% envolvem cooperação com universidades e instituições de ciência e tecnologia. A diversidade dos projetos e a forte adesão empresarial evidenciam a capacidade técnica do setor produtivo nordestino para responder às novas diretrizes da política industrial nacional.

Chamada Indústria Nordeste Rafael Fonteles, governador do Piauí e presidente do Consórcio Nordeste
Chamada Indústria Nordeste: Rafael Fonteles, governador do Piauí e presidente do Consórcio Nordeste, destacou volume de investimentos aprovados. Foto: Jonathan Dourado/BNDES

Articulação inédita reúne bancos públicos, Consórcio Nordeste e Sudene

A chamada foi organizada por uma coalizão inédita entre o BNDES, Banco do Brasil, Banco do Nordeste (BNB), Caixa Econômica Federal e Finep, com apoio técnico da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e coordenação política do Consórcio Nordeste. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a resposta à chamada comprova o “potencial de inovação e de geração de emprego e renda da região”.

Para o presidente do Consórcio Nordeste e governador do Piauí, Rafael Fonteles, o volume de investimentos aprovado demonstra que, diante de acesso adequado ao crédito, “as empresas nordestinas sabem aproveitar com competência as oportunidades”. Ele ressaltou que o objetivo central é corrigir a discrepância histórica entre a participação do Nordeste no PIB nacional e o volume de crédito direcionado à região. Seu mandato à frente da instituição encerrou com o evento desta segunda e quem assume a liderança do grupo a partir de 2026 é o governador de Alagoas, Paulo Dantas.

A diretora de Crédito Digital para MPMEs do BNDES, Maria Fernanda Coelho, destacou o ciclo virtuoso vivido pelo Nordeste. “A Chamada Nordeste, com essa mobilização, com as federações das indústrias, com o setor da agricultura empresarial e da agricultura familiar, fez que tivéssemos uma alavancagem expressa, já este ano de 2025, nos recursos aprovados para a região: tivemos até hoje, 1º de dezembro, 34,1% do volume de aprovações em relação a 2024 – e ainda nem começamos a contratar os projetos no âmbito da Nova Indústria Brasil”, observou.

Maria Fernanda Coelho, diretora de Crédito Digital para MPMEs e Gestão do Fundo Rio Doce do BNDES
Maria Fernanda Coelho, diretora de Crédito Digital para MPMEs e Gestão do Fundo Rio Doce do BNDES, ressaltou a alavancagem expressiva dos projetos no Nordeste. Foto: Jonathan Dourado/BNDES

Governadores celebram números

A Bahia apresentou 61 propostas, o maior volume entre os estados, e ficou com R$ 35 bilhões da linha de crédito federal, reforçando seu peso econômico e sua capacidade de articulação para atrair investimentos estruturantes. Segundo o governador Jerônimo Rodrigues, “o número de propostas é proporcional ao tamanho que nós temos. A Bahia é a primeira economia do Nordeste”. O governador acrescentou que o desafio agora é executar os projetos com eficácia, garantindo geração de emprego, dinamização da economia e fortalecimento regional.

Pernambuco aprovou 34 propostas, que somam R$ 7,3 bilhões em investimentos, na Chamada Nordeste, ação da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial do Governo Federal voltada à seleção de projetos estratégicos para impulsionar o desenvolvimento econômico e industrial da região. O estado foi o terceiro com mais projetos contemplados entre os nove estados nordestinos.

“A história de que no Nordeste não tem projetos bons e estruturadores caiu por terra. E o que a gente está aqui na expectativa é que, de fato, esses R$ 10 bilhões não tenham sido teto, e que a gente possa chegar o mais perto possível dos valores aprovados. Isso significa desenvolvimento, isso significa economia moderna, economia verde do tempo atual e a superação das desigualdades, que é o maior de todos os desafios dos governadores nordestinos”, comentou a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause.

Presença confirmada nos nove estados da região

A lista de projetos aprovados inclui empresas com sede comprovada nos nove estados do Nordeste, com forte diversidade setorial. A lista das propostas selecionadas está disponível no site do BNDES.

Na Bahia, foram contempladas a Acelen Energia Renovável, a Positivo Tecnologia, com operação em Ilhéus, e unidades da ArcelorMittal, com foco em transição energética e inovação fabril. No Ceará, constam empresas como Aeris Indústria e Comércio, ArcelorMittal Pecém, a distribuidora Cegás, além da Fênix Aquiraz Data Center e do data center Praia do Futuro, atuantes na digitalização e infraestrutura.

No Rio Grande do Norte, foram aprovadas propostas da Brisanet, originária de Pau dos Ferros, da Nossa Fruta Brasil, sediada em Mossoró, e da COODERG/RN, cooperativa de desenvolvimento de Guamaré. No Maranhão, há destaque para a Empresa Maranhense de Administração Portuária e para a Green Energy Park Maranhão, voltadas à logística e energias renováveis.

Em Alagoas, constam a agroindustrial Cooperativa Pindorama, de Coruripe, e a Grune Energie de Alagoas S/A, do setor energético. Sergipe participa com projetos da GEP Sergipe Ltda e da Vitalbio Alimentos Naturais, com atuação em sustentabilidade e produção de alimentos funcionais.

Na Paraíba, foram aprovadas empresas como a Zenith Premoldados e a Zenith Solar, com foco em construção civil e geração de energia limpa. No Piauí, estado anfitrião do anúncio, destaca-se a Solatio Hidrogênio Piauí, que integra a estratégia nacional de consolidação do hidrogênio verde.

Em Pernambuco, constam empresas como a Compesa, a Neoenergia PE, a Acumuladores Moura, a Usina Petribu, a Emprel, a Datamétrica, a Moura Energia, a Conepar, a Daten Tecnologia, além do Instituto de Desenvolvimento Farmacêutico e do Instituto de Nanotecnologia, ambos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Os projetos aprovados vinculam-se às metas de reindustrialização verde, digitalização e fortalecimento de cadeias produtivas regionais.

Próximos passos: estruturação e contratação dos investimentos

A próxima etapa será a elaboração dos Planos de Suporte Conjunto (PSC), que funcionarão como guias para direcionar as empresas às melhores linhas de crédito, subvenções econômicas ou instrumentos de apoio disponíveis. Esses planos deverão ser concluídos ainda em dezembro e enviados aos proponentes selecionados.

Após a emissão dos PSCs, os projetos seguirão o trâmite regular nas instituições financeiras, incluindo análises técnica, financeira e jurídica. A execução dos investimentos será acompanhada por critérios de desempenho e impacto, com expectativa de ampliação da produtividade industrial, geração de empregos qualificados e inserção do Nordeste em cadeias tecnológicas de maior valor agregado.

Política industrial regional ganha tração com apoio federal

De acordo com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a chamada simboliza uma inflexão nas prioridades de desenvolvimento regional do governo federal. “O Nordeste voltou a ser prioridade. Esta é uma entrega conjunta das instituições financeiras e da articulação regional, com aumento real nos recursos e foco em inovação com justiça social”, afirmou.

Para o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, a ação demonstra o efeito de alinhar instituições financeiras, ciência e setor produtivo: “Estamos diante de uma política que promove inovação, competitividade regional e redução de desigualdades. De forma inédita, haverá recursos de subvenção econômica exclusivamente voltados ao Nordeste, com risco compartilhado entre Estado e setor privado”, disse.

A chamada foi aberta a empresas e cooperativas, com foco em projetos de infraestrutura produtiva, aquisição de máquinas e equipamentos, implantação de plantas-piloto, contratação de pessoal qualificado, parcerias com universidades e capital de giro. A articulação envolveu também o fortalecimento do Comitê Regional das Instituições Financeiras Federais (Coriff), reativado sob coordenação da Sudene.

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