
O Nordeste vai entrar 2026 com apenas 24,1% das rodovias em bom ou ótimo estado, segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, percentual que evidencia desigualdades estruturais na qualidade da malha viária entre os estados da região e mantém o Nordeste abaixo do padrão nacional no indicador de qualidade positiva da infraestrutura rodoviária.
A avaliação considera 30.294 quilômetros de rodovias pavimentadas no Nordeste e integra o principal levantamento técnico sobre infraestrutura viária do país, realizado desde 1995 pela Confederação Nacional do Transporte.
No recorte nacional, a Pesquisa CNT de Rodovias 2025 aponta avanço no estado geral da malha brasileira. 37,9% das rodovias do país, o equivalente a 43.301 quilômetros, estão classificadas como boas ou ótimas, em relação a 33,0% em 2024 (36.814 quilômetros), o que representa um aumento de quase cinco pontos percentuais (p.p.). No mesmo período, houve redução da participação de trechos classificados como ruins ou péssimos.
Apesar dessa melhora, o Nordeste permanece cerca de 14 pontos percentuais abaixo da média nacional, diferença que reforça o impacto direto da infraestrutura rodoviária sobre custos logísticos, eficiência do transporte e competitividade econômica, em uma região fortemente dependente do modal rodoviário para o escoamento da produção, o abastecimento dos centros urbanos e o deslocamento de passageiros.
Na comparação com outras regiões, o desempenho nordestino também fica atrás do Sudeste e do Sul, que concentram maior proporção de rodovias em bom ou ótimo estado, e se aproxima do observado no Norte, evidenciando um padrão regional associado à menor capacidade histórica de investimento e manutenção da malha.

Estados do Nordeste exibem desempenhos muito distintos
Quando o recorte se volta aos estados nordestinos, as diferenças ficam evidentes. Alagoas e Piauí concentram os maiores percentuais de rodovias em bom ou ótimo estado, com 47,2% e 49,8%, respectivamente, embora com malhas de tamanhos distintos — 841 quilômetros avaliados em Alagoas e 4.147 quilômetros no Piauí.
O Ceará, com 37,4% das rodovias bem avaliadas em uma malha de 3.773 quilômetros, se destaca por combinar qualidade relativa elevada com extensão significativa, desempenho superior ao da média regional e mais próximo do padrão nacional, o que amplia seu peso logístico dentro do Nordeste.
A Bahia, que concentra a maior malha rodoviária da região, com 9.302 quilômetros avaliados, aparece em posição intermediária, com 30,4% das rodovias classificadas como boas ou ótimas. O resultado reflete a coexistência de corredores estruturados com grande volume de trechos avaliados como regulares, o que reduz o percentual de qualidade positiva.
Na parte inferior do ranking regional estão Pernambuco, com 29,9% das rodovias em bom estado em 3.189 quilômetros avaliados, Sergipe, com 27,7% em uma malha de 653 quilômetros, Rio Grande do Norte, com 20,1% em 1.883 quilômetros, e Paraíba, com 18,5% em 1.782 quilômetros. O pior desempenho no critério positivo é do Maranhão, onde apenas 10,5% da malha — 4.724 quilômetros avaliados — está classificada como boa ou ótima.
Concessões explicam parte da diferença regional
Segundo a CNT, um fator relevante para explicar as disparidades regionais é a presença desigual de rodovias concedidas à iniciativa privada. Em todo o país, trechos concedidos apresentam, em média, índices significativamente superiores de qualidade, resultado de contratos que exigem manutenção contínua e padrões mínimos de desempenho.
No Nordeste, no entanto, a participação de rodovias concedidas é menor do que no Sudeste e no Sul, o que faz com que a maior parte da malha permaneça sob gestão pública direta, especialmente estadual. Esse perfil contribui para a concentração de trechos classificados como regulares, ruins ou péssimos, pressionando o resultado regional no levantamento.
Impacto econômico e setorial
A qualidade da malha rodoviária tem efeitos diretos sobre cadeias produtivas estratégicas do Nordeste, como a agroindústria, a indústria de transformação e o turismo, setores fortemente dependentes do transporte rodoviário. Rodovias em condições regulares ou ruins elevam o custo do frete, aumentam o desgaste de veículos, ampliam o tempo de viagem e reduzem a previsibilidade logística, fatores que se refletem no preço final dos produtos e serviços.
Além do impacto econômico, a CNT associa a pior qualidade das rodovias a maiores riscos de acidentes, especialmente em trechos com pavimento deteriorado, sinalização deficiente e geometria inadequada, o que amplia os custos sociais e pressiona sistemas de saúde e segurança pública.
Evolução recente ainda é desigual
Embora o cenário nacional indique melhora gradual, a evolução no Nordeste ocorre de forma lenta e desigual. Alguns estados registraram avanços pontuais, enquanto outros permanecem praticamente estagnados, o que impede uma convergência mais rápida com a média brasileira e mantém a região em posição desfavorável no ranking nacional.
Para 2026, a redução das desigualdades na qualidade da malha rodoviária nordestina dependerá da continuidade dos investimentos em manutenção, restauração e ampliação da capacidade viária, sobretudo nas rodovias sob gestão pública estadual e federal. A CNT aponta que a melhora observada no cenário nacional está associada ao aumento de aportes e à expansão das concessões, dinâmica que ainda tem alcance limitado na região.
Sem avanço consistente nesse ritmo, o Nordeste tende a manter participação reduzida de rodovias em bom ou ótimo estado, com efeitos diretos sobre logística, competitividade econômica e segurança viária.
Como a Pesquisa CNT de Rodovias é realizada
A Pesquisa CNT de Rodovias avalia trechos pavimentados de rodovias federais e estaduais a partir de três critérios técnicos — pavimento, sinalização e geometria da via. Os resultados são consolidados no indicador Estado Geral, que classifica cada trecho como Ótimo, Bom, Regular, Ruim ou Péssimo. No Nordeste, as rodovias federais, especialmente os trechos concedidos, tendem a apresentar melhor desempenho, enquanto as estaduais concentram maior incidência de trechos degradados, influenciando o resultado regional.
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