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Estocagem subterrânea de gás: Origem avança em projeto inédito em Alagoas

Origem Energia obtém sinalização inédita da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para projeto de estocagem subterrânea de gás e confirma R$ 100 milhões de investimento
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Com o Polo Alagoas e o projeto de estocagem subterrânea de gás natural, o Grupo Origem pretende transformar o estado no principal hub energético do Nordeste. Foto: Origem Energoa/Divulgação
Com o Polo Alagoas e o projeto de estocagem subterrânea de gás natural, o Grupo Origem pretende transformar o estado no principal hub energético do Nordeste. Foto: Origem Energoa/Divulgação

A Origem Energia S.A. comunicou na segunda-feira (22) ao mercado a aprovação, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), da minuta de autorização para o projeto de Estocagem Subterrânea de Gás Natural (ESGN) no campo de Pilar, em Alagoas. Trata-se do primeiro projeto desse tipo no Brasil, com capacidade inicial estimada em 50,6 milhões de metros cúbicos e investimento de cerca de R$ 100 milhões.

Segundo o fato relevante, a estrutura será implantada em reservatórios geológicos já existentes, que anteriormente foram utilizados para produção de gás. A iniciativa integra a estratégia da empresa de verticalizar a cadeia de suprimento, integrando produção, transporte, armazenamento e comercialização de gás natural.

O campo de Pilar, localizado na região metropolitana de Maceió, abrange os municípios de Pilar, Marechal Deodoro, Satuba e Rio Largo, e compõe o portfólio de ativos adquiridos pela Origem da Petrobras no Polo Alagoas, em 2021.

ANP aprova minuta, mas operação depende de nova autorização

A decisão da ANP foi tomada na semana passada, durante reunião da diretoria colegiada, e consistiu na aprovação da minuta da resolução autorizativa que permitirá à Origem implantar a primeira fase da estocagem subterrânea. Essa minuta define as condições e requisitos técnicos para o avanço do projeto, mas ainda será publicada no Diário Oficial da União, e a operação comercial dependerá de uma autorização posterior da agência.

Apesar de o Brasil ainda não possuir regulamentação específica sobre estocagem subterrânea de gás, a ANP considerou viável autorizar o projeto com base em normas técnicas já existentes para transporte, distribuição, segurança operacional e integridade geológica.

De acordo com o voto do diretor relator Fernando Moura, o projeto poderá “representar uma contribuição significativa para a infraestrutura do mercado de gás natural, aumentando a flexibilidade operacional, promovendo estabilidade no fornecimento e estimulando a concorrência”.

A Origem já obteve licença ambiental prévia do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) e informou que a previsão é iniciar as operações comerciais em 2026, após o cumprimento de todas as exigências técnicas e regulatórias estabelecidas pela ANP. Segundo a empresa, esse cronograma depende da publicação oficial da autorização no Diário Oficial da União, da conclusão do licenciamento ambiental completo e da implantação da infraestrutura de estocagem, incluindo os sistemas de compressão, monitoramento e injeção.

Potencial estratégico e impacto para o mercado de gás natural

A estocagem subterrânea é amplamente utilizada em mercados desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa, e cumpre função estratégica ao permitir armazenamento em larga escala de gás natural, garantindo segurança de suprimento, estabilidade de preços e resposta a picos de demanda.

O modelo brasileiro atual depende da importação de gás natural liquefeito (GNL), o que gera volatilidade de preços e limita a competitividade. Com a ESGN, a Origem pretende reduzir essa dependência e posicionar Alagoas como um hub logístico energético, aproveitando a infraestrutura de escoamento já existente e a localização próxima à Bacia de Sergipe-Alagoas.

O projeto é desenvolvido em parceria com a Transportadora Associada de Gás (TAG) e integra um plano mais amplo de investimentos da Origem no estado, que inclui a construção de novas térmicas e ampliação da unidade de processamento de gás natural (UPGN) de Maceió.

Alagoas no contexto da produção de gás natural

Segundo dados da ANP referentes a novembro de 2023, Alagoas registrou uma produção média de 683 mil metros cúbicos de gás natural por dia, o que representa 1,3% da produção nacional. No contexto nordestino, a Bahia lidera com 1,8 milhão de m³/dia, seguida por Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas.

A expectativa é que a implantação da estocagem subterrânea contribua para ampliar a relevância econômica e logística do estado, além de estimular investimentos e gerar empregos na cadeia de infraestrutura energética.

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