
Os postos estão se preparando para agregar mais um serviço: carregar as baterias dos carros elétricos. Já há pelo menos quatro postos oferecendo o serviço no Recife, em bairros como Afogados, Boa Viagem e Casa Amarela. “A tendência é uma parte dos postos oferecerem este serviço. É uma forma de valorizar o metro quadrado do posto que vai ter um ganho de rentabilidade”, resume o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), Alfredo Pinheiro Ramos.
Segundo Alfredo, o serviço em si não vai ser muito rentável, porque a energia é cara, mas vai fazer com que o consumidor passe mais tempo no posto e acabe consumindo mais, como por exemplo, numa loja de conveniência, enquanto espera o veículo carregar a bateria. “Tem gente procurando posto pra carregar o veículo. Se todos os postos colocarem, vai ser ruim pra todos. Mas quem sair na frente, vai se destacar neste momento”, comenta Alfredo.
Segundo ele, o lucro para prestar o serviço vai ser pequeno, mas é um “serviço que precisa ter, porque agrega serviço, assim como um calibrador, um banco 24 horas”. Pelas contas de Alfredo, o quilowatt-hora da energia será comercializado em torno de R$ 2,50.
“O carregamento das baterias vai ser mais caro, dependendo da hora que o serviço for prestado”, explica Alfredo. Alguns consumidores que estão no mercado livre, como os postos, ja pagam mais caro pela energia no final da tarde e começo da noite. E isso será repassado ao consumidor final.

Postos vão fazer investimento para oferecer a recarga da bateria
O investimento para colocar o carregador e a infraestrutura necessária fica em torno de R$ 100 mil por posto, segundo uma estimativa feita por Alfredo. Somente o carregador custa aproximadamente R$ 45 mil. E não é o carregador de carga rápida, que é mais caro.
O posto que vai fazer o carregamento da bateria do veículo elétrico, fica mais competitivo se comprar energia no mercado livre. “É 35% mais barato”, comenta Alfredo. Ele diz também que o mercado de venda da recarga é livre, mas o sindicato pretende trabalhar para que haja uma regulamentação nos postos que vão prestar o serviço.
Alfredo explica que os donos dos carros elétricos tem aplicativos que indicam onde tem um ponto de recarga mais próximo. Os postos vão trabalhar diretamente com estes aplicativos e o pagamento será feito no próprio aplicativo.
“O Brasil desliga eólica e solar e os consumidores estão pagando bandeira vermelha pela energia”, conta Alfredo, se referindo aos cortes de geração que ocorrem principalmente pela manha, quando o Operador Nacional do Sistema (ONS) manda as usinas de energia renovável produzirem menos. Quando mais pessoas tiverem carregando seus veículos pela manhã, podem estar ajudando a aumentar o consumo de energia num horário em que, geralmente, ela está sobrando e deixa até de ser produzida.
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