
O Tribunal de Contas da União (TCU) deve julgar, na próxima quarta-feira (15) o processo que pediu a suspensão da liberação de recursos federais para as obras do trecho Salgueiro-Suape da Ferrovia Transnordestina. A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) apresentaram nesta terça-feira (7) um estudo estimando que a conclusão deste trecho pode gerar um ganho social de R$ 4,76 bilhões, que é o Valor Social Presente Líquido (VPSL). O levantamento também aponta que o empreendimento pode ter uma taxa de retorno econômico de 15,53%. Os dados foram divulgados à sociedade civil organizada na sede da Fiepe na presença de empresários e políticos.
Segundo o Superintende da Sudene, Francisco Alexandre, o estudo mostra a viabilidade econômica deste trecho da ferrovia e a expectativa é de que as informações complementem e atualizem o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômico e Ambiental (EVTEA) já existente no Tribunal. O primeiro EVTEA foi realizado, há muitos anos, pela consultoria McKinsey, e apontou a falta de viabilidade econômica para o trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina.
O posicionamento do TCU foi dado com base no estudo da McKinsey e pedia que fosse concluído um Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) do empreendimento antes da União voltar a liberar recursos para este trecho da ferrovia.
O estudo da Fiepe/Sudene foi elaborado para responder cada uma das questões realizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no Acórdão nº 1.217/2026, como a atualização da demanda da carga que pode ser movimentada no trecho Salgueiro-Suape, o VSPL do empreendimento e a governança. O atual levantamento também usou informações de um estudo feito pelo Senai que apontava a viabilidade econômica do trecho pernambucano da ferrovia
A decisão do TCU impediu a contratação da empresa que ganhou a licitação para retomar as obras do trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina numa licitação realizada pela Infra S.A., que foi homologada em maio último, e previa a implantação da infraestrutura em 73 km entre Custódia e Arcoverde. Dias depois, o TCU fez a recomendação e o governo federal preferiu não confrontar a decisão do tribunal e, por isso, não foi assinado o contrato para a retomada das obras que será feita com recursos federais.

Mais detalhes do estudo sobre a Transnordestina em Pernambuco
O levantamento da Fiepe/Sudene levou em consideração as cargas intrarregionais e a de exportação que podem ser movimentadas pelo trecho Salgueiro-Suape, apontando um potencial de transportar entre 18 milhões e 24 milhões de toneladas de cargas por ano. Além das exportações de minério e grãos, a análise passou a considerar o mercado consumidor do Nordeste, incluindo cargas como gesso, combustíveis e contêineres.
Na área de empregos, os estudos utilizados pela Sudene estimam a criação de cerca de 13 mil postos de trabalho diretos durante a implantação da ferrovia. Na fase de operação, a estimativa é de aproximadamente 9,6 mil empregos permanentes na operação ferroviária, nos terminais de carga e nas atividades econômicas induzidas pelo empreendimento. O levantamento também projeta uma injeção anual de R$ 416 milhões na massa salarial em Pernambuco em razão da expansão da atividade econômica e da geração de empregos.
Os estudos indicam ainda que os municípios da área de influência dos terminais de Salgueiro e Suape respondem por mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) e do Valor Adicionado Bruto (VAB) do Nordeste, contando inclusive raio de 300 km a partir da cidade de Ipojuca. Na fase de operação, o incremento anual esperado é de cerca de R$ 910 milhões por causa do empreendimento.
O trecho Salgueiro-Suape é fundamental para o desenvolvimento de uma logística eficiente em Pernambuco e estados vizinhos, trazendo impacto econômico para várias cadeias produtivas, como o gesso, a avicultura do Agreste pernambucano, o polo de confecções, entre outros.
Ainda no lançamento do estudo, a Sudene se colocou a disposição para coordenar as ações no âmbito de vários órgãos federais que serão envolvidos na retomada das obras do trecho Salgueiro-Suape, como Ibama, Infra S.A., entre outros. E uma das fragilidades do trecho Salgueiro-Suape apontada pelo TCU foi a fragmentação da governança, dividida entre vários entes isolados.
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