
O Palácio Rio Branco, na Praça Tomé de Sousa, no Centro Histórico de Salvador, entrou na fase de obras nesta segunda-feira (1º). A assinatura da ordem de serviço marcou o início oficial da transformação do edifício histórico no Hotel Allard, projetado como o primeiro hotel seis estrelas do Nordeste em centro histórico urbano, com investimento estimado em R$ 250 milhões e prazo de conclusão de 36 meses, segundo a Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA).
O empreendimento é uma concessão de 35 anos à empresa francesa BM Varejo Empreendimentos, do empresário Alex Allard, idealizador da Cidade Matarazzo, em São Paulo. A execução das obras ficará a cargo da construtora baiana André Guimarães. O projeto prevê 90 quartos, três restaurantes, spa internacional e infraestrutura voltada ao segmento de alto luxo, com projeção de 2.500 empregos diretos e indiretos.
“Na licitação pública, o empresário Alex Allard, da BM Varejo, apresentou a proposta mais vantajosa para a exploração deste prédio histórico de Salvador. Hoje assinamos a ordem de serviço que marca o início das obras de requalificação do Palácio Rio Branco”, destacou o secretário Maurício Bacelar.
O edital de licitação para a concessão foi publicado em dezembro de 2021. O contrato exige a manutenção das características arquitetônicas originais do prédio e a preservação do Memorial dos Governadores. Daniel Sande, CEO do grupo André Guimarães, afirmou que a preservação histórica é o objetivo central do projeto.
“O diferencial vai ser o modelo, esses pré-requisitos do hotel seis estrelas aliado com a história, com a preservação”, disse. Allard foi além: “Em São Paulo, fizemos o melhor hotel da América Latina. Em Salvador, nossa ambição é fazer um dos dez melhores hotéis do mundo.”
O Nordeste tem dois outros empreendimentos que também se apresentam como hotéis seis estrelas, ambos em área de praia: o Vogal Luxury Beach Hotel & Spa, inaugurado em 2019 na Praia de Ponta Negra, em Natal (RN), e o Anantara Preá Ceará Resort, na Praia do Preá, no município de Cruz (CE), com obras previstas para começar em junho de 2026 e abertura estimada para 2028.
Palácio com cinco séculos de história no coração de Salvador
A construção foi iniciada no século XVI por Tomé de Sousa, primeiro governador-geral do Brasil, para ser o centro da administração portuguesa na colônia. Erguido originalmente em taipa de pilão, recebeu ampliações ao longo dos séculos e acumulou funções diversas — quartel e prisão — antes de se consolidar como sede do governo baiano. Dom Pedro II se hospedou no local em 1859, durante visita à Bahia.
No fim do século XIX, ainda ostentava a fachada colonial portuguesa. A grande reforma que lhe deu a feição atual foi concluída em 1900, na gestão do governador Luís Viana, quando passou a exibir estilo neoclássico. Em 10 de janeiro de 1912, o edifício foi atingido pelo bombardeio ordenado pelo presidente Hermes da Fonseca, ficando praticamente em ruínas. Reconstruído, foi reinaugurado em 15 de novembro de 1919 pelo governador Antônio Muniz Sodré de Aragão. Trinta anos depois, recebeu ampliação em função do crescimento da máquina administrativa.
O centro de decisões do Estado da Bahia permaneceu no palácio até 1979, quando foi transferido para o recém-construído Centro Administrativo da Bahia. Nos quatro anos seguintes, o imóvel abrigou a Prefeitura de Salvador. Em 1986, após grande restauração, recebeu a Fundação Pedro Calmon — Centro de Memória da Bahia, que em 2003 passou a ser denominada Fundação Pedro Calmon — Centro de Memória e Arquivo Público da Bahia. Fechado para visitação desde 2021, o imóvel foi concedido à iniciativa privada para a implantação do empreendimento hoteleiro.
Leia mais: Lei formaliza doação do Colégio Pio XII para hotel do Vila Galé em João Pessoa










