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Montadora de motos investe R$ 8,3 milhões em PE e desafia hegemonia de Manaus

Ao fixar raízes em Pernambuco, a ​Avelloz gera empregos locais e, sobretudo, corta etapas críticas do processo logístico que encarecem o produto final
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  1. Avelloz investe R$ 8,3 milhões em pós-venda em Pernambuco para fortalecer sua operação competitiva.
  2. Nordeste se consolida como maior mercado de motos, superando presença de automóveis na região.
  3. Empresa implementa área própria de pintura de peças para reduzir tempo de reposição.
  4. Centro de Distribuição em Paulista agiliza entregas para rede de mais de 450 lojas.
  5. Avelloz monta quatro mil motocicletas mensais, desafiando hegemonia produtiva de Manaus no setor.
Avelloz montadora pernambucana de motos
Enquanto outras montadoras enfrentam os desafios logísticos de escoar a produção a partir da Amazônia, a empresa utiliza seu Centro de Distribuição em Paulista para agilizar as entregas. Foto: Carlos Henrique Gonçalves/Avelloz

O mercado de motocicletas no Brasil vive um momento de reconfiguração geográfica e estratégica. Enquanto o Nordeste se consolida como a região onde as motos já são mais presentes nos lares do que os carros (34,5% contra 30%, segundo o IBGE), a produção nacional ainda se concentra massivamente na Zona Franca de Manaus devido aos fortes incentivos fiscais. Rompendo essa barreira logística, a pernambucana Avelloz consolida sua base em Paulista, no Grande Recife, provando que a proximidade com o segundo maior mercado consumidor do país é um trunfo competitivo.

​Para sustentar esse posicionamento e garantir o avanço nacional, a marca anunciou um investimento de R$ 8,3 milhões em sua operação de pós-venda para 2026. O aporte é um salto significativo em relação aos R$ 2,7 milhões movimentados em 2025 e foca na solução de um dos maiores gargalos do setor: a reposição de peças.

Com um estoque que já soma quase meio milhão de itens, a empresa busca oferecer a previsibilidade que o consumidor exige ao escolher uma marca fora do eixo tradicional de produção.

Verticalização e autonomia tecnológica

O diferencial estratégico da Avelloz em Pernambuco ganhou força com a implementação de uma área própria de pintura de peças no final do ano passado. O movimento visa reduzir o “lead time” (tempo de espera) e aumentar a autonomia operacional, diminuindo a dependência de fornecedores na China, de onde as peças levam de dois a três meses para chegar.

A estrutura permite a pintura sob demanda de carenagens, atendendo exclusivamente reposição e recuperação. ​De acordo com Guilherme Limeira, diretor de engenharia da Avelloz, a iniciativa representa um avanço importante na eficiência da operação.

“A criação da área de pintura nos dá mais controle sobre o processo e reduz significativamente o tempo de reposição de peças. Com isso, conseguimos responder mais rápido às demandas da rede, garantindo qualidade e maior disponibilidade para o cliente final”, explica o diretor.

Logística ágil fora da Amazônia

Enquanto outras montadoras enfrentam os desafios logísticos de escoar a produção a partir da Amazônia, a Avelloz utiliza seu Centro de Distribuição em Paulista para agilizar as entregas via modais terrestre, aéreo e fluvial.

A estrutura conta com 11 ruas logísticas e cerca de 1.500 posições de armazenagem, suportando uma rede de mais de 450 lojas que já disponibilizam peças a pronta entrega para unidades com oficina.

Avelloz montadora pernambucana de motos
Atualmente, a marca monta cerca de 4.000 motocicletas por mês no Brasil, divididas entre modelos populares como a AZ125 ALFA (125cc) e a mais robusta AZ160 Xtreme (160cc). Foto: Carlos Henrique Gonçalves/Avelloz

​O diretor de operações da marca, Caio Siqueira, ressalta que a escala da operação é fundamental para dar segurança ao comprador. “Estamos estruturando uma operação de peças com escala, previsibilidade e eficiência. O aumento do estoque e a evolução dos nossos indicadores mostram que estamos construindo uma base sólida para sustentar o crescimento da Avelloz no Brasil, com mais disponibilidade e melhor nível de serviço para toda a rede”, afirma.

O desafio da competitividade tributária

A marca acredita que ter uma montadora em Pernambuco é um movimento de resistência econômica. O Nordeste registrou 33,1% do total de emplacamentos de motos no Brasil em 2025, mas a região ainda vê muitos projetos industriais patinarem diante da concorrência tributária esmagadora de Manaus.

Ao fixar raízes no litoral pernambucano, a empresa não apenas gera empregos locais, mas corta etapas críticas do processo logístico que encarecem o produto final para o consumidor regional.

​Atualmente, a marca monta cerca de 4.000 motocicletas por mês no Brasil, divididas entre modelos populares. Entre os destaques da linha de produção estão a AZ125 ALFA (125cc), que apresenta um peso seco de 109 kg, e a mais robusta AZ160 Xtreme (160cc), com peso seco de 136 kg, ambas demandando precisão no transporte e no armazenamento das caixas para garantir a integridade dos componentes até a montagem final.

A logística de importação da montadora exige um planejamento rigoroso, uma vez que as peças levam de dois a três meses para percorrer o trajeto da China até o Brasil. Esse intervalo de tempo é crucial para a gestão do estoque, que precisa suportar a montagem de modelos com diferentes especificações técnicas e pesos.

Essa capacidade produtiva é suportada por uma infraestrutura que busca eliminar a necessidade de importação de peças já pintadas, o que reduz prazos e custos.

Expansão para o Sul e Sudeste

Com a base consolidada no Nordeste, onde possui 190 concessionários e filiais, a Avelloz agora acelera o passo em direção ao Sul e Sudeste. Somente no mês de maio de 2026, duas novas unidades foram inauguradas no estado de São Paulo.

A estratégia é usar a eficiência do pós-venda montado em Pernambuco como cartão de visitas para os mercados mais exigentes do país, onde a disponibilidade de peças é o fator decisivo para a fidelização.

​Fundada em 2008, a empresa já ocupa a 5ª posição entre as marcas de motos mais emplacadas do Brasil, segundo o ranking da Fenabrave. Com mais de 150 mil unidades comercializadas ao longo de sua história, o investimento milionário em pós-venda em 2026 sinaliza que a montadora pernambucana não quer ser apenas uma opção regional, mas uma protagonista nacional que utiliza a inteligência logística do Nordeste.

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