
Representantes da Prefeitura do Recife, do Consulado-Geral da República Popular da China, de instituições de ensino e pesquisa e de diversos setores econômicos estiveram reunidos para dar início às atividades do Grupo de Trabalho Recife-China. O encontro aconteceu na sede do executivo municipal, na última segunda-feira (13), com o intuito de busca organizar e direcionar uma rede de conexões de cooperação institucional, intercâmbio acadêmico, articulações culturais e interesses comerciais crescentes entre a capital pernambucana e o país asiático.
A proposta, segundo o secretário executivo de Relações Internacionais, Marcos Toscano, é transformar relações que hoje acontecem de forma pulverizada em uma estratégia coordenada de desenvolvimento. Participaram do encontro a Cônsul-geral da China no Recife, Lan Heping, representantes da gestão municipal e vários especialistas sino-brasileiros como o professor Evandro Carvalho, Francisco Santos, Giovani Oliveira, Liu Liguang, do Instituto Confúcio e Gildo Neves, do Grupo Teleport.
Entre os setores considerados prioritários para essa aproximação estão tecnologia, saúde e construção civil, áreas em que a cidade já apresenta dinamismo e potencial de expansão. A expectativa é que, com uma atuação mais coordenada, seja possível atrair novos projetos, parcerias e investimentos estruturantes.
“O Recife já tem uma série de conexões com a China. A própria prefeitura mantém contato frequente com cidades irmãs como Chengdu e Guangzhou, e há diversos atores locais com parcerias ativas com universidades, empresas e associações chinesas. A ideia é criar um centro de articulação para potencializar esses vínculos”, afirmou.
Economia, inovação e o interesse da China no Recife
No campo econômico, o Recife vem tentando se posicionar como um hub regional capaz de atrair investimentos chineses, especialmente em setores onde já possui vantagens competitivas, como a tecnologia, através do Porto Digital. Segundo Toscano, a intenção é alinhar os esforços já existentes e ampliar a participação do setor produtivo local nesse processo.
“A gente quer organizar esse apoio a missões e discutir com a comunidade empresarial Recife-China para potencializar esses vínculos. Já existem agentes fazendo isso individualmente, mas a ideia é integrar essas iniciativas e dar mais escala”, explicou.
A estratégia também envolve um esforço de reposicionamento da cidade no radar internacional. “Um dos nossos objetivos centrais é colocar o Recife no mapa do investidor chinês. Muitas vezes, quando o investidor olha para o Brasil, ele vê Rio e São Paulo. A gente quer mostrar que o Recife também é um ambiente de oportunidades”, destacou o secretário.
Universidades e cultura como elo estratégico
Outro eixo central da relação entre Recife e China é a cooperação acadêmica e científica. Instituições como UPE, UFRPE, UFPE, Unicap e o Instituto Confúcio já mantêm iniciativas de intercâmbio. A primeira agenda temática do GT deve ser dedicada justamente à apresentação do portfólio dessas instituições, com o objetivo de identificar oportunidades concretas de cooperação e fomentar novos projetos. Os encontros serão bimestrais e a ideia é que cada reunião tenha um foco específico.
A dimensão cultural também aparece como um elemento-chave na relação entre Recife e China, especialmente em 2026, declarado como Ano Cultural Brasil-China. A proposta é intensificar a troca de experiências, com envio e recepção de artistas, realização de eventos e promoção da cultura recifense no exterior.
“A gente quer potencializar essas trocas culturais, enviar artistas, receber artistas e ampliar esse intercâmbio humano, que é fundamental na relação entre os países”, afirmou Toscano.
Histórico de relações institucionais
As relações institucionais com cidades chinesas são um dos pilares dessa estratégia. A parceria com Guangzhou, firmada em 2007 por meio de acordo de cidades-irmãs, é considerada a mais madura. Ao longo dos anos, ela se desdobrou em intercâmbios institucionais, cooperação educacional, agendas culturais e aproximações no campo da inovação, com destaque para o interesse chinês no ecossistema tecnológico recifense.
Além disso, essa relação ganhou relevância em momentos críticos, como durante a pandemia, quando houve cooperação e troca de insumos, evidenciando o grau de confiança e proximidade entre os dois territórios. Trata-se de uma parceria contínua, que evoluiu de agendas protocolares para iniciativas com impacto concreto.
Já a cooperação com Chengdu, formalizada em 2016, ainda está em fase de consolidação, mas vem ganhando densidade, especialmente nas áreas cultural e acadêmica. A cidade chinesa tem sido palco de intercâmbios que envolvem desde apresentações culturais até iniciativas de colaboração universitária e científica. Nesse contexto, Chengdu desponta como uma porta de entrada estratégica para ampliar conexões em inovação, educação e economia criativa.
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