
A sessão da Câmara do Recife que arquivou o pedido de impeachment do prefeito João Campos (PSB), nesta terça-feira (3), foi marcada por torcidas acaloradas, palavras de ordem contra integrantes da bancada de oposição, militantes oposicionistas sem acesso às galerias e, até, um vereador “temporário” chamando os manifestantes das galerias de “mundiça”.
Uma hora antes do início da sessão, as galerias já estavam tomadas por críticos ao processo de impeachment. Com cartazes que nada tinham a ver com o momento, como o que questionava o aumento das passagens dos transportes públicos – o mesmo utilizado, inclusive, para criticar a governadora Raquel Lyra na reabertura dos trabalhos de 2026 da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) – e bandeiras de João Campos. Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra os vereadores de oposição.
Um dos primeiros a chegar ao plenário, o vereador Thiago Medina (PL) foi alvo de várias críticas, chegando a ser chamado de “Chupetinha cover”, numa referência ao apelido jocoso dado pelos adversários ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
A cada integrante da oposição que entrava, uma nova manifestação contrária. “Pede a Sanfona do teu pai”, dispararam os manifestantes sobre o vereador Gilson Filho (PL), numa referência ao ex-ministro do Turismo do Governo Bolsonaro Gilson Machado, famoso por participar das lives do ex-presidente tocando uma sanfona. “Judas, traidor”, gritaram, quando o vereador Agora é Rubem (PSB), ingressou no plenário. Ele saiu da base de João Campos e decidiu apoiar a governadora Raquel Lyra nas eleições de outubro.
No entanto, os maiores xingamentos foram direcionados ao autor do pedido de impeachment, o vereador Eduardo Moura (Novo). Recebido aos gritos de fascista, sempre que pedia a palavra as vaias encobriam a sua fala. Prova disso foi no seu discurso, em que defendia o processo. Previsto para durar 10 minutos, foi até 17, por causa das interrupções.
“Mundiça”
Já na reta final da sessão, o momento de maior confusão. O líder do Governo na Casa, Samuel Salazar (MDB), subiu à tribuna para defender que a proposta fosse arquivada. Ao finalizar o seu discurso, ele colocou o áudio em que o vereador “temporário” George Bastos (Novo), chamou os populares das galerias de “mundiça”. Ele substituiu temporariamente Eduardo Moura, que, como autor da proposta, não poderia votar. A gravação provocou revolta, entre os presentes, que o chamaram de “cara de macaíba”, pelo tamanho das bochechas.
Quando os ânimos pareciam serenados, George Bastos pediu a palavra, sob a alegação de que havia sido citado. Ao invés de contemporizar, ele reafirmou o ataque. “Esse pessoal da galeria ao invés de estar trabalhando está aqui. É mundiça mesmo”, disparou. Novo tumulto, desta vez com os vereadores exigindo a retratação, que não veio, e que fosse retirar das notas taquigráficas.
Pedido de impeachment derrubado
Ao final da sessão, com 25 votos a favor do arquivamento, contra nove pelo impeachment e a abstenção de Jô Cavalcanti (PSOL), os governistas celebraram a vitória, os vereadores de oposição criticaram a decisão, e George Bastos, aproveitando ao máximo o efêmero mandato de menos de três horas, fez questão de ler o seu voto.
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