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Drone usado como “helicóptero” é denunciado por sindicato da aviação agrícola

Sindag aciona Anac após vídeo mostrar operador usando drone agrícola como transporte no Pará
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Drone usado como "helicóptero" é denunciado por sindicato da aviação agrícola
O voo de drone ocorreu no município de Tucumã, no sul do Pará, e foi inicialmente divulgado pelo próprio operador nas suas redes sociais. Foto: Instagram/Reprodução

O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) acionou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) após a divulgação de um vídeo em que um operador aparece utilizando um drone agrícola como meio de transporte dentro de uma lavoura em Tucumã, no sul do Pará. As imagens — divulgadas pelo próprio operador em redes sociais, chamado Hudson Vinicius — repercutiram nacionalmente e motivaram pedido formal de fiscalização pela entidade. A postagem no perfil do piloto no Instagram já contava, até a manhã desta terça-feira (3), com 345 mil curtidas e mais de dez mil comentários.

Segundo o diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle, o vídeo contraria normas essenciais da aviação agrícola, tanto para aeronaves tripuladas quanto para sistemas remotamente pilotados. “A aviação agrícola brasileira tem milhares de profissionais altamente qualificados, que realizam diariamente um trabalho sério em todo o país. Não temos espaço para amadores ou irresponsáveis”, afirmou.

O vídeo mostra Hudson Vinicius utilizando um drone agrícola de grande porte, equipado com oito hélices distribuídas em quatro braços em configuração coaxial — padrão comum em modelos projetados para pulverização de lavouras. Aeronaves desse tipo podem superar os 40 quilos de peso total e são dimensionadas para transportar tanques que variam entre 20 e 40 litros de calda, dependendo do fabricante.

A estrutura robusta do drone, pensada para operações de carga em baixas altitudes, torna ainda mais grave o uso para transporte humano, uma vez que o equipamento não é certificado para voo tripulado e o comportamento aerodinâmico não oferece garantias mínimas de segurança ao operador.

Pedido de investigação e apontamento de riscos em voo de drone

No ofício encaminhado à Anac, o Sindag apresenta elementos técnicos que indicam possíveis infrações e riscos operacionais. O drone mostrado no vídeo — equipamento de pulverização projetado exclusivamente para aplicação agrícola — foi utilizado como plataforma de transporte pessoal, operação proibida pela regulamentação vigente.

O drone agrícola utilizado no vídeo — modelo DJI AGRAS T100 — possui peso operacional de 75 kg e peso máximo de decolagem de 177 kg, quando equipado com tanque de pulverização de 100 litros. A estrutura, dimensionada para transportar cargas operacionais de até 100 kg de insumos em baixas altitudes, não foi certificada para transporte humano. O equipamento é operado remotamente por piloto em solo, nunca como plataforma de deslocamento de pessoas.

A entidade solicitou que o caso seja apurado e que, se confirmadas irregularidades, sejam aplicadas as penalidades previstas na legislação aeronáutica.

O Sindag repudiou “de maneira veemente” a conduta registrada, afirmando que ela coloca pessoas e o meio ambiente em risco, além de confrontar diretamente os princípios de responsabilidade e segurança que orientam o setor.

A entidade destacou ainda que a atitude ofende o trabalho de milhares de técnicos, agrônomos, gestores, auxiliares e pilotos de aeronaves e drones que atuam com rigor técnico e respeito às normas, consolidando a aviação agrícola brasileira como uma das mais qualificadas e reguladas do mundo.

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