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Polícia Federal mira Jaques Wagner na 9ª fase da Operação Compliance Zero

Senador nega envolvimento e aponta falhas do Banco Central em esquema bilionário de corrupção e lavagem de dinheiro que motivou buscas
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  1. Polícia Federal deflagra 9ª fase da Operação Compliance Zero com 18 mandados em três estados brasileiros.
  2. Jaques Wagner, líder do governo no Senado, alvo de investigação sobre irregularidades no sistema financeiro nacional.
  3. Empresa da nora de Wagner recebeu R$ 11 milhões do Banco Master, conforme investigações policiais.
  4. Senador nega participação em esquema de corrupção e afirma estar alheio à confusão financeira.
  5. Operação investiga suposto esquema envolvendo Banco Master, Daniel Vorcaro e possível lavagem de dinheiro.
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Jacques Wagner, líder do governo no senado/Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, para apurar a eventual participação de agente público em esquema de irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional. Policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados da Bahia, de São Paulo e no Distrito Federal. Um dos mandados foi cumprido em endereço ligado ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

A investigação policial apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e irregularidades financeiras. O caso envolve o Banco Master e pessoas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro.

​O nome do senador Jaques Wagner passou a constar no contexto das investigações da Operação Compliance Zero após a revelação de transações financeiras suspeitas. Foi descoberto que a empresa BK Financeira, de propriedade da nora do parlamentar, recebeu ao menos R$ 11 milhões provenientes do Banco Master.

O petista declarou que jamais realizou qualquer tipo de participação, negociação ou intermediação financeira em favor da empresa de sua familiar.

​Antes de virar alvo da operação policial nesta quinta-feira, o senador baiano havia confirmado que esteve com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em duas ocasiões distintas. Os encontros ocorreram nas cidades de Salvador e São Paulo.

Na mesma oportunidade, o parlamentar afirmou que considerava ótimo se o banqueiro fizesse um acordo de delação premiada, mas a tentativa de colaboração acabou sendo rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.

​Classificação do escândalo financeiro e delação premiada

Jaques Wagner vinha classificando publicamente o escândalo do Banco Master como uma trambicagem bilionária e uma falcatrua, estimada entre R$ 50 bilhões e R$ 70 bilhões, envolvendo também o BRB.

Em entrevistas de rádio anteriores à operação, ele afirmou estar tranquilo e calmo diante de uma eventual delação de Daniel Vorcaro. Ele declarou que havia muita gente escondida no caso, mas assegurou que estava fora dessa confusão.

​O parlamentar também buscou afastar qualquer tipo de suspeita sobre a gestão estadual da Bahia. Ele ressaltou que o governo baiano não possui recursos públicos aplicados no Banco Master, diferentemente dos governos do Rio de Janeiro, do Amapá e de Brasília, que possuem ativos na instituição financeira. Wagner garantiu que a administração de seu estado não colocou nenhuma quantia de dinheiro no banco.

Relações empresariais e sugestão para conselho

​Apesar de negar negócios, o líder do governo reconheceu manter uma relação próxima com o empresário Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, ex-sócio de Vorcaro e também alvo da operação da Polícia Federal.

Wagner explicou que essa proximidade surgiu durante negociações políticas passadas para os programas estaduais Cesta do Povo e Cartão Cesta, na Bahia, mas reiterou que nunca realizou transações comerciais com ele.

​O senador do PT confirmou ainda ter sugerido o nome do ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para o conselho de administração do Banco Master. Ele detalhou que foi consultado por representantes da instituição por estar inserido no mundo político e apontou Lewandowski como um bom nome entre outros disponíveis, mas ressaltou que o ato não se tratou de uma indicação formal ou política para o cargo.

Defesa no plenário e críticas à fiscalização

Em discursos no plenário do Senado, Jaques Wagner rejeitou qualquer ligação entre o PT baiano e as irregularidades investigadas no sistema financeiro nacional. Ao responder a críticas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o petista afirmou que nenhum golpe nasceu na Bahia e jogou a responsabilidade para a falta de fiscalização do Banco Central, que permitiu um rombo de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões contra o Fundo Garante de Créditos (FGC).

​O senador buscou afastar as suspeitas sobre seu grupo político ao ressaltar que ele, o ex-governador Rui Costa e o atual governador Jerônimo Rodrigues não possuem empresas ou participações privadas, possuindo apenas CPF e nenhum registro de CNPJ.

Wagner também prestou solidariedade ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que foi citado em reportagens, e desafiou seus críticos a mostrarem qualquer investigação federal que encontrasse irregularidades em seu comportamento.

​Em seus pronunciamentos finais antes da ação da Polícia Federal, o líder governista anunciou que processaria a revista Veja por reportagens que associavam o PT da Bahia ao caso.

Jaques Wagner criticou duramente o vazamento ilegal de informações atribuídas à suposta delação de Vorcaro, classificando o episódio atual como uma guerra de narrativas e comparando os métodos adotados aos que foram utilizados durante a Operação Lava Jato.

Leia também: Por unanimidade, STF condena Eduardo Bolsonaro no caso do tarifaço

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