
O governo federal cancelou a reunião do Conselho de Política Energética (CNPE), prevista para ocorrer nesta quarta-feira (08). A sessão iria deliberar sobre o aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32% é era aguardada pelo setor sucroenergético e considerada estratégica. Sem nova data anunciada, usinas e fornecedores de cana avaliam que a medida seria uma oportunidade para ampliar a demanda pelo biocombustível em um momento de maior oferta nacional de etanol.
Essa é a terceira vez que o debate sobre o aumento da mistura de etanol na gasolina é cancelada. O Ministério de Minas e Energia tem tentado conter os preços dos combustíveis, impactados pela elevação do petróleo no mercado internacional. O ministro Alexandre Silveira chegou a afirmar que a medida representa segurança energética, modicidade no preço do combustível, descarbonização e mais plantio para o setor sucroalcooleiro.
Em junho do ano passado, o governo também propôs e o CNPE aprovou o aumento de 27% para 30% o percentual de etanol na gasolina, como forma de combater a alta de preços. Na época, também foi autorizado o aumento de 14% para 15% o biocombustível no diesel comum.
O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Etanol de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, disse ao Movimento Econômico durante a abertura do 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-Açúcar de Alagoas, em Maceió, que a decisão era aguardada com expectativa pelo setor, pois ajudaria a reduzir parte do descompasso entre oferta e demanda de etanol durante a última safra, embora não seja suficiente para resolver integralmente o problema.
“Precisamos deste aumento. Ele vai proporcionar um acréscimo de mercado de um quarto do nosso descompasso. A expectativa é positiva pela aprovação porque ela é fundamental para diminuir o tamanho do problema, mas não resolve”, afirmou.
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O diretor da Bio Agência, Tarcílio Ricardo Rodrigues, disse durante o evento que o aumento da mistura obrigatória pode ajudar a absorver parte da produção adicional de etanol, especialmente em um ano no qual o setor precisará calibrar o mix entre açúcar e biocombustível. Segundo Rodrigues, há capacidade para o mercado absorver a maior oferta, mas isso dependerá de preço competitivo, maior participação do hidratado no consumo e retorno do consumidor ao etanol.
“Tem como dar conta dessa oferta, mas custa caro. Para ganhar participação, o etanol precisa reduzir a paridade e trazer o consumidor de volta”, disse.
Próxima safra trará desafios para etanol e açúcar
Durante o 41º Simpósio da Agroindústria, Rodrigues também afirmou também que a safra 2026/2027 será uma das mais desafiadoras para o setor, em razão da combinação entre custos elevados, menor renovação dos canaviais, recuperação ainda parcial do açúcar e avanço do etanol de milho.
A projeção apresentada pela Bio Agência indica produção nacional de 11,2 bilhões de litros de etanol de milho na safra 2026/2027, volume equivalente a cerca de 29% da oferta nacional. Para Rodrigues, o milho deixou de ser uma variável pontual e passou a fazer parte da estrutura permanente do mercado de biocombustíveis.
“O milho veio para ficar e numa velocidade muito grande. Quando a cana precisa migrar para o etanol, essa tarefa fica mais difícil porque a oferta de milho cresce ao mesmo tempo”, afirmou.
No Nordeste, a safra 2026/2027 de cana-de-açúcar está prevista para começar em setembro. Pedro Robério afirmou que o clima, neste momento, é favorável, mas disse que uma avaliação mais precisa só poderá ser feita no início efetivo do ciclo.
“Estamos a três meses de iniciar a safra. O período está bom neste momento, o clima está bom, mas vamos deixar para avaliar melhor em setembro”, disse.
Além da decisão sobre o novo percentual de etanol na gasolina, o setor sucroenergético também acompanha os possíveis reflexos do tarifaço norte-americano. Segundo o presidente do Sindaçúcar-AL, ainda não há definição sobre como os Estados Unidos deverão agir, mas o tema permanece como ponto de atenção para a agroindústria.
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