
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou da situação na Venezuela e de pautas bilaterais em conversas telefônicas registradas no dia 8 de janeiro com os governos do Canadá, México e Colômbia, com posições oficiais sobre o uso da força no país vizinho e confirmação da visita do primeiro-ministro Mark Carney ao Brasil em abril.
Em ligações feitas para Lula, os líderes dos três governos acionaram comunicações após a operação militar norte-americana na Venezuela do último sábado (3), registrada em meio ao histórico de tensões diplomáticas mantidas por Canadá, México e Colômbia com Donald Trump em períodos anteriores, condicionando a ativação imediata de cada país diante do episódio da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e do redesenho do cenário regional.
Canadá
A conversa entre Lula e Carney registrou posição comum de que ambos “condenam o uso da força sem respaldo da Carta das Nações Unidas”, fixando o fundamento jurídico do diálogo bilateral diante da intervenção norte-americana e reorganizando o fluxo de consultas entre os dois governos.
O contato tratou de comércio, cadeias produtivas, atuação em organismos multilaterais e temas ambientais previstos na agenda bilateral, com Carney afirmando estar “ansioso para aprofundar a cooperação bilateral durante a visita de abril”.
O movimento deslocou o Canadá para o centro da pauta externa brasileira e ativou frentes administrativas entre ministérios econômicos, órgãos reguladores e áreas técnicas do meio ambiente que já operam na preparação do encontro.
A visita prevista para abril deverá tratar de mecanismos de comércio, inovação, integração produtiva, coordenação regulatória e pautas ambientais que compõem a agenda Brasil–Canadá, com mobilização de equipes especializadas dos dois países e articulação institucional entre estruturas diplomáticas e econômicas responsáveis pelo desenho dos instrumentos de cooperação.
México
Na conversa com a presidente mexicana Claudia Sheinbaum, Lula reafirmou a posição conjunta de que “o mundo não pode ser organizado em zonas de influência”, vinculando o tratamento da crise venezuelana ao princípio do multilateralismo acionado pelo México após a operação norte-americana.
A comunicação integrou cooperação em políticas de enfrentamento à violência contra a mulher e tratou da preparação da visita oficial de Sheinbaum ao Brasil, em definição de data, com previsão de agendas administrativas e projetos técnicos.
A conversa distribuiu temas bilaterais relacionados a políticas sociais, inovação e instrumentos de coordenação internacional, compondo bloco paralelo ao eixo econômico estruturado com o Canadá e à resposta imediata acionada pelo México após a captura de Maduro.
Colômbia
Na conversa com o presidente colombiano Gustavo Petro, Lula tratou dos efeitos regionais da operação militar dos Estados Unidos e registrou que ambos “compartilham preocupação com o uso da força no país”. Lula informou o envio de 40 toneladas de insumos e medicamentos, parcela inicial do conjunto de 300 toneladas arrecadadas, destinadas ao reabastecimento de produtos de diálise mantidos em centro de abastecimento atingido pelos bombardeios.
A comunicação integrou a dimensão territorial da crise, considerando que Brasil e Colômbia compartilham mais de 2 mil quilômetros de fronteira terrestre com a Venezuela, condição que orienta vigilância administrativa, fluxos humanitários e ações de acompanhamento regional conduzidas pelos dois governos em meio ao desdobramento da captura de Maduro e à reorganização dos movimentos de fronteira.
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