
A agenda entre a União Europeia e o Mercosul avançou para a etapa decisiva com a previsão de que o acordo comercial seja avaliado nesta sexta-feira (9) em Bruxelas, durante reunião dos representantes dos 27 Estados-membros no Conselho da União Europeia. O movimento elevou a expectativa de finalização do texto após mais de duas décadas de negociação. Há expectativa de que a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, viaje ao Paraguai – presidente do Mercosul – na próxima semana para firmar o acordo.
A Comissão Europeia afirmou que o documento “pode ser apoiado com confiança” após revisões técnicas realizadas nos últimos meses, ampliando o ambiente favorável à aprovação. A eventual assinatura criará área econômica superior a 700 milhões de pessoas, com projeções de impacto anual de 0,46% no PIB brasileiro, 0,2% nos demais membros do Mercosul e 0,06% na União Europeia.
A formalização do acordo depende da posição dos estados-membros na reunião de Bruxelas, que avaliará cláusulas ambientais, compromissos agrícolas e instrumentos de monitoramento de sustentabilidade. O presidente francês Emmanuel Macron declarou que pretende rejeitar o texto, afirmando que considera insuficientes as garantias ambientais, o que acionou consultas extraordinárias no Conselho.
A declaração reorganizou as articulações, levando governos favoráveis a reforçar alinhamentos. A Itália manifestou apoio explícito ao acordo e afirmou estar pronta para votar a favor caso salvaguardas ambientais e agrícolas sejam mantidas, integrando o bloco de países que pressionam pela conclusão imediata do pacto.
Mercosul acompanha movimentação europeia
No Mercosul, os governos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que somam população superior a 270 milhões de pessoas, acompanham as movimentações europeias com estruturas administrativas mobilizadas para a assinatura prevista para sexta-feira.
Equipes técnicas realizam conferência de anexos e instrumentos que integram o pacote comercial, incluindo regras de origem, barreiras não tarifárias, compras governamentais, serviços e propriedade intelectual, em paralelo à avaliação do impacto da posição francesa sobre a margem de aprovação no conjunto dos 27 membros da UE.
As comunicações recentes entre negociadores indicam circulação do texto consolidado com ajustes finais e confirmação de que a decisão dependerá da deliberação europeia em Bruxelas, que opera como instância imediata para viabilização da assinatura. A previsão sustenta mobilização simultânea das estruturas diplomáticas do Mercosul e da União Europeia e mantém a expectativa de finalização do acordo ainda nesta semana, condicionada ao alinhamento interno do bloco europeu.
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