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Ciclo curto da safra de cana fortalece produção de anidro e SAF no NE

Apesar da queda de moagem da cana, etanol anidro cresce 5,1% no Nordeste. Setor aposta em descarbonização e novas rotas para fortalecer safra 2026
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O volume disponível de cana no Nordeste nesta safra 25/26 comprimiu a capacidade industrial de conversão para açúcar. Foto: Wenderson Araújo/CNA

A queda de 9,4% na moagem de cana-de-açúcar na safra 25/26 na região Nordeste até novembro do ano passado projeta um ambiente de maior expectativa para o quadro de final de colheita até março de 2026. Mas o presidente da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), Renato Cunha, destaca a capacidade de reação do setor, que enfrentou desafios que incluíram o tarifaço imposto pelo governo norte-americano.

Apesar do recuo parcial de 9,3% nos índices do Açúcar Total Recuperável (ATR) no Norte-Nordeste, principal indicador de qualidade da cana —, a produção de álcool anidro cresceu 5,1% no Nordeste até 30 de novembro do ano passado, preservando o equilíbrio energético em um ciclo mais curto. “Progredimos bastante nas interlocuções com os governos, focando na transição energética e na construção de um modelo de desenvolvimento mais sustentável”, afirmou Cunha.

O processamento de 26,1 milhões de toneladas só no Nordeste até 30 de novembro, abaixo das 28,7 milhões do ciclo anterior, reduziu o volume disponível de cana no Nordeste e comprimiu a capacidade industrial de conversão. A produção de açúcar nas duas regiões ficou em 1,66 milhão de toneladas, contra 2,18 milhões na safra passada, reflexo direto da menor oferta e do recuo do ATR por tonelada.

Sustentabilidade no setor de combustíveis

Em meio à menor oferta de cana, o anidro preservou patamar compatível com a demanda e manteve relevância dentro da estratégia energética. O dirigente acrescentou que “o patamar do etanol anidro permite uma melhoria da qualidade da gasolina brasileira, passando para 30%“, integrando o desempenho industrial às metas de qualidade dos combustíveis, que incrementam nas misturas melhor qualidade aos combustíveis fósseis.

A reorganização do mix ocorreu dentro dessas limitações, com avanço do anidro sustentado pelas obrigações regulatórias e pela ampliação das destinações industriais. Segundo Cunha, o avanço regulatório que sustenta o anidro integra a agenda de “mais sustentabilidade e descarbonização“, com novas rotas como combustíveis limpos para navegação, SAF para aviação e biometano, elementos que ampliam o alcance produtivo do setor.

Presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE). Foto: Matheus Ribeiro/Folha de Pernambuco
Presidente da NovaBio e do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha, destacou cenário de desafio para produtores de cana no Nordeste. Foto: Matheus Ribeiro/Folha de Pernambuco

Estoques e tributação

A produção total de etanol alcançou 1,38 milhão de metros cúbicos até 30 de novembro, com retração de 7,8%, marcada pelo recuo do hidratado. O ciclo foi afetado ainda, sobretudo pelo impacto do tarifaço norte-americano. Cunha classificou o episódio como “bastante lamentável e imprevisível na questão tarifária”, observando que medidas desse tipo “nos prejudicam e nos obstaculizam bastante”.

Os estoques da região somaram 326,2 mil metros cúbicos, queda de 28,9% frente ao mesmo período de 2024, reduzindo a capacidade de amortecer o início de 2026. No campo tributário, a reforma em implementação até 2032 foi avaliada por Cunha como um movimento que “simplifica o sistema, mas ainda mantém níveis de tributação muito altos”, ponto que interfere na recomposição de margens em contexto de menor moagem e menor ATR.

Pressão sobre a moagem e agenda regulatória

A execução da safra atingiu 50,4% da moagem prevista no Nordeste, ritmo que pressiona o início de 2026. Cunha afirmou que o setor continuará “lutando pela desoneração da economia, colaborando para o controle da inflação”, ressaltando que “novas leis não devem ser criadas à custa de utopias que levarão à recessão e ao desemprego”.

A articulação entre desempenho industrial e agenda regulatória orienta a trajetória do setor na virada de ciclo. Cunha defendeu “um modelo de desenvolvimento que seja justo, inclusivo e que permita a continuidade dos empreendimentos”.

Leia mais: Minerais críticos e fertilizantes impulsionam 32 projetos no NE até 2035

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