Um projeto ousado, que vai mudar o perfil do Aeroporto Internacional do Recife do Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes – Gilberto Freyre e do seu entorno. A Aena, que controla o terminal, anunciou nesta segunda-feira (27) o Plano de Desenvolvimento Imobiliário (PDI), que vai transformar 543 mil m² de área subutilizada em um novo complexo urbano voltado à logística, hotelaria, comércio e serviços. O investimento previsto é de R$ 580 milhões, com prazo inicial de dois anos para a conclusão das obras. A empresa também detalhou a proposta do terminal intermodal, um investimento de R$ 60 milhões.
O plano, que se insere na estratégia de consolidar o Recife como um hub logístico e de negócios do Nordeste, segue o conceito internacional de aerotrópole – modelo em que o aeroporto é o núcleo de uma cidade moderna, multifuncional e economicamente ativa. A expectativa é gerar 15 mil empregos diretos e indiretos durante as fases de implantação e operação.
Segundo o diretor do Aeroporto Internacional do Recife, Diego Moretti, a meta é que as operações estejam em funcionamento em até dois anos. O cronograma prevê a entrega do terminal intermodal dentro do prazo. No entanto, o centro logístico e o hotel dependem da de parcerias privadas, o que pode estender o tempo de execução.
Um novo eixo urbano
O Plano de Desenvolvimento Imobiliário prevê integrar o aeroporto à cidade por meio de novos eixos de transporte, negócios e lazer. A proposta é transformar áreas atualmente sem uso em espaços de convivência e operação econômica, contribuindo para o ordenamento urbano e o aumento da atratividade local.
O centro logístico, que será o maior equipamento do projeto, ocupará cerca de 250 mil m² e abrigará galpões modulares de alta eficiência energética, áreas de armazenagem refrigerada, docas para carga e descarga de grande porte e um sistema de automação inteligente voltado à movimentação de cargas expressas e de e-commerce. A estrutura permitirá a operação simultânea de grandes companhias de distribuição e pequenas transportadoras regionais.
“Com essa nova fase de investimentos que devemos iniciar entre dezembro e janeiro, o terminal se tornará um grande hub logístico para movimentação de cargas. A chegada de grandes empresas como o Mercado Livre e a Shein vai impulsionar a atividade econômica, gerando emprego e renda para a população pernambucana”, afirmou o Ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.
O hotel, previsto para ser construído em uma área de aproximadamente 30 mil m², contará com entre 180 e 200 apartamentos, centro de convenções, auditórios e áreas de alimentação. A Aena negocia com redes internacionais de bandeira executiva e de médio padrão, com foco em viajantes corporativos e tripulações aéreas.
“Esse lançamento representa um passo importante na consolidação do Aeroporto do Recife como um polo econômico e social. A Aena entende que os aeroportos devem ser espaços vivos, que impulsionam o desenvolvimento, conectam as pessoas e valorizam a cidade ao seu redor. Promover uma infraestrutura moderna, com um ambiente mais integrado e sustentável, é fundamental para atingir esse propósito”, afirmou Santiago Yus, diretor-presidente da Aena Brasil.

Intermodal: o coração do projeto
O terminal intermodal será o primeiro equipamento entregue e o principal símbolo da integração urbana do projeto. Com investimento de R$ 60 milhões, o espaço ocupará o antigo terminal de passageiros e servirá como ponto central de conexão entre ônibus urbanos, vans de turismo e carros por aplicativo.
Com capacidade para atender até 1,2 mil veículos por dia, o terminal vai dispor de áreas de embarque cobertas, lojas, cafés, sanitários acessíveis, galeria com os dois painéis de Lula Cardoso Ayres, que existiam no antigo terminal, e espaços de convivência e alimentação. O projeto também prevê ciclovia integrada à malha municipal e a requalificação da Praça Salgado Filho, restaurada conforme o paisagismo original de Burle Marx.
O terminal será totalmente acessível e contará com plataformas de embarque em nível, iluminação natural e captação de energia solar, seguindo padrões de sustentabilidade já aplicados nos aeroportos de Madri e Barcelona, também administrados pela Aena. O início das obras está previsto para o segundo trimestre de 2026, com conclusão até o fim de 2027.
Integração urbana do aeroporto
Para garantir que a parte de cabe à prefeitura acompanhe o projeto do aeroporto dentro do cronograma, o prefeito do Recife, João Campos, anunciou a criação de um grupo permanente de trabalho, a ser formalizado por decreto, com a coordenação do vice-prefeito Victor Marques. O colegiado reunirá representantes das secretarias de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Política Urbana.
“Vamos formalizar um grupo técnico no Diário Oficial para acompanhar o licenciamento, as obras e os impactos urbanos do projeto. Esse acompanhamento será permanente, para garantir que a cidade cumpra seu papel e o investimento avance dentro do cronograma”, disse João Campos.
O prefeito destacou que o Recife já executa obras estratégicas para integrar o novo complexo à malha urbana, como a ponte Areias–Imbiribeira, com previsão de entrega no primeiro trimestre de 2026, e a requalificação da Avenida Dom Hélder Câmara, que deve facilitar o acesso ao aeroporto.
Vocação logística
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou que a ampliação do Aeroporto do Recife reforça o papel de Pernambuco no cenário logístico nacional. Ele ressaltou que o projeto se insere no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), voltado a obras estruturantes no Norte e Nordeste, e defendeu a duplicação da PE-60 como medida essencial para garantir competitividade e integração entre os modais.
“Mas nós temos um grande desafio num futuro próximo, João (Campos), que você, no futuro, possa liderar essa agenda. É a necessidade de a gente avançar na duplicação da PE-60. A PE-60, ela é muito estratégica para o desenvolvimento do nosso estado, porque caso contrário, nós podemos perder competitividade também para o aeroporto de Maragogi”, colocou o ministro.
O diretor do Aeroporto Internacional do Recife, Diego Moretti, afirmou, no entanto, que a proposta do aeroporto de Maragogi não compete com o do Recife.
Expansão do modelo
A Aena pretende aplicar o modelo de aerotrópole implantado no Recife em outros aeroportos que administra no país, como Aracaju, Maceió e João Pessoa. A companhia gere 17 aeroportos em nove estados, responsáveis por 20% da malha aérea nacional, e movimentou 43 milhões de passageiros no Brasil em 2024.
A proposta é que os aeroportos deixem de ser apenas portas de embarque e desembarque, tornando-se centros de negócios, convivência e inovação urbana. Para Santiago Yus, essa é a direção do futuro:
“A cidade e o aeroporto precisam estar conectados. Quando o aeroporto se abre à cidade, toda a economia regional se beneficia. Essa é a transformação que queremos promover em Recife.”
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