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Disputas estaduais no Nordeste devem refletir polarização nacional em 2026

Governadores buscam manter espaço enquanto oposição articula candidaturas nos nove estados do Nordeste, região fundamental para a disputa nacional
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Os nove Estados do Nordeste serão protagonistas nas eleições de 2026, o que aumenta a importância das disputas pelos comandos dos Executivos estaduais Imagem criada por IA
Os nove Estados do Nordeste serão protagonistas nas eleições de 2026, o que aumenta a importância das disputas pelos comandos dos Executivos estaduais Imagem criada por IA

Em um ano, mais precisamente em 4 de outubro de 2026, milhares de nordestino vão às urnas. Pelo peso eleitoral da região, as movimentações políticas nos seus nove estados ganham forte protagonismo. Em 2022, o Nordeste foi o grande bastião da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva: no segundo turno, por exemplo, Lula obteve 69,34% dos votos válidos, contra 30,66% de Bolsonaro. O percentual explica por que o destino político do país passa pela região.

Além do peso eleitoral, o Nordeste concentra uma parcela importante da população brasileira (próxima de 27% do total) e uma participação significativa no PIB nacional – fatores que transformam disputas estaduais em temas de alcance nacional. Esses dois vetores – votos e peso socioeconômico – fazem do Nordeste o território onde alianças e governanças locais viram determinantes na corrida de 2026.

A radiografia do Nordeste mostra a esquerda em vantagem na maior parte dos estados da região, sustentada por governos estaduais do PT, PSB e aliados em parcelas expressivas da região. Mas há exceções – estados com governadores de centro que ampliaram sua base e alguns palcos ainda sem consolidação clara. A seguir, um panorama estado por estado, com quem tem mais força e quais atores aparecem fortalecidos.

Na Bahia, a disputa é PT x Carlismo

  • Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) deve buscar a reeleição com apoio do presidente Lula, mantendo a hegemonia petista que já dura quase 20 anos. Seu principal adversário é o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que em 2022 perdeu a disputa, mas continua como o nome mais competitivo da oposição. Pesquisas recentes indicam um cenário equilibrado entre os dois, com possibilidade de nova disputa acirrada. O PSD, representado pelo senador Otto Alencar, tem papel central nas negociações, já que reivindica espaço na chapa majoritária, por uma vaga ao Senado. A definição dessa aliança será fundamental para que Jerônimo garanta unidade em torno da sua candidatura e evite fragmentações na base.
governo de Pernambuco
Filhos dos ex-governadores Eduardo Campos e João Lyra, João Canpos e a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra, respectivamente, devem se enfrentar nas eleições de outubro do próximo ano Foto: Divulgação



Filho de ex-aliados se enfrentam em Pernambuco

  • Filhos de dois aliados no passado – os ex-governadores Eduardo Campos e João Lyra – devem protagonizar umas das disputas mais eletrizantes por um governo do Estado do cenário de 2026. Em Pernambuco, a governadora e pré-candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), terá como principal adversário o prefeito reeleito do Recife, João Campos (PSB), que aparece à frente em todos os cenários testados pelas pesquisas. João Campos trabalha para retomar o governo estadual para o PSB, partido que governou Pernambuco por 16 anos até 2022, com apoio do PT de Lula. A governadora Raquel Lyra também sempre flertou com o PT, mas nós últimos meses tem se distanciado. Prova disso é que na última visita do presidente ela não esteve presente para recebê-lo. Nos bastidores, há rumores de que ela irá compor com o PL, presidida no Estado por Anderson Ferreira, pré-candidato ao Senado. No entanto, uma aliança com o PL representa o carimbo do bolsonarismo, que não é bem recebido em Pernambuco. Para se ter uma ideia, em 2022 o então candidato Jair Bolsonaro venceu em apenas um dos 184 municípios pernambucanos.

Elmano pode enfrentar Ciro no Ceará

  • O Ceará deve ter uma das eleições mais fragmentadas do Nordeste. O governador Elmano de Freitas (PT), apoiado pelo ministro da Educação, Camilo Santana, é pré-candidato à reeleição. No entanto, enfrenta a oposição do PDT, liderado pelo ex-governador Ciro Gomes e pelo ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, além do deputado Capitão Wagner (PL), ligado ao bolsonarismo. As divergências entre PT e PDT, que já marcaram a eleição de 2022, seguem influenciando o cenário. Há especulação sobre a candidatura do próprio Ciro, o que poderia reorganizar forças opositoras em uma frente ampla anti-PT, com a possibilidade de participação do bolsonarismo. A política cearense, tradicionalmente polarizada, pode reproduzir novamente a divisão entre grupos petistas e pedetistas, somada à entrada da direita.
Sede do governo maranhense, o Palácio dos Leões será disputado pelo grupo ligado ex-governador e hoje ministro do STF Flávio Dino e pelos Serneys


Força de Dino testada no Maranhão

  • O governador Carlos Brandão (PSB), aliado do ministro do STF e ex-governador Flávio Dino, busca consolidar sua liderança política e articula a candidatura de Orleans Brandão (MDB), sobrinho e aliado. O vice-governador Felipe Camarão (PT), que era cotado para a sucessão, foi preterido, criando divisões na base. A oposição se organiza em torno de nomes como Roseana Sarney (MDB), que aparece bem em pesquisas, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), e o ex-prefeito Lahésio Bonfim (Novo). Lideranças como Weverton Rocha (PDT) e Edivaldo Júnior (PDT) também podem disputar, ampliando a fragmentação. A capacidade de Brandão e Dino de manter coesa a frente de centro-esquerda será decisiva para evitar avanço do grupo Sarney, que tenta retomar protagonismo após anos afastado do Executivo.

Piauí, a disputa mais tranquila do Nordeste

  • No Piauí, o governador Rafael Fonteles (PT) consolidou alta aprovação já no início do mandato e lidera com ampla vantagem em todas as pesquisas. O estado, historicamente dominado pelo grupo de Wellington Dias, atual ministro do Desenvolvimento Social, mantém forte alinhamento com Lula. Até o momento, não surgiu um adversário capaz de ameaçar a hegemonia petista. O senador Ciro Nogueira (PP), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, é o nome mais cotado para liderar a oposição, mas enfrenta dificuldades em reunir apoio suficiente para se contrapor ao atual governador. Fonteles é considerado um dos governadores mais fortalecidos do Nordeste e tende a ser reeleito com margem confortável se o quadro se mantiver.

Paraíba tem cenário aberto

  • Na Paraíba, o governador João Azevêdo (PSB) não poderá disputar nova reeleição, o que abre espaço para um cenário competitivo. Entre os nomes mais cotados estão o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), o ex-deputado Pedro Cunha Lima (PSD) e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB). O ex-governador Ricardo Coutinho (PT), aliado de Lula, também pode entrar na disputa, embora sua situação jurídica seja um fator de incerteza. O Republicanos, comandado pelo deputado Hugo Motta, articula a candidatura própria e pode se alinhar ao Centrão em nível nacional. O quadro permanece indefinido, com possibilidade de múltiplas candidaturas fortes, o que torna a Paraíba um dos estados mais abertos do Nordeste em 2026.

Direita x esquerda no Rio Grande do Norte

  • Encerrado o seu segundo mandato e de olho na vaga no Senado, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), estuda o cenário de 2026. Para a sucessão estadual, o PT ainda não definiu um nome, mas a deputada federal Natália Bonavides, que disputou o segundo turno pela Prefeitura de Natal, é cogitada. Na oposição, o senador Rogério Marinho (PL), ex-ministro de Bolsonaro, desponta como o principal candidato, ao lado do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil). O ex-governador Robinson Faria (PL) também é citado. Pesquisas recentes mostram disputa equilibrada, indicando que a ausência de Fátima no pleito pode abrir caminho para uma forte polarização entre o campo lulista e o bolsonarismo, em um dos cenários mais indefinidos do Nordeste.
Em Alagoas, o ministro Renan Filho deve tentar voltar para o comando do governo do Estado, mas há dúvidas em relação ao adversário Foto Divulgação (2)

Dinastia Calheiros em alta em Alagoas

  • Em Alagoas, o governador Paulo Dantas (MDB) não pode mais ser candidato em 2026, já que está no segundo mandato. Com isso, o grupo do senador Renan Calheiros (MDB) trabalha para manter o controle do governo, com a candidatura do ministro dos Transportes e ex-governador, Renan Filho (MDB). O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), também deve atuar fortemente, articulando alianças para fortalecer sua influência política local. Há a possibilidade, mas mais distante, de o prefeito reeleito de Maceió, João Henrique Caldas — JHC (PL), entrar na disputa.

Em Sergipe, governador mira reeleição

  • De olho na reeleição, o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), se prepara para a disputa apoiado na força da máquina estadual. Na oposição, despontam o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PT), e Valmir de Francisquinho (PL), liderança influente no interior. A disputa deve se concentrar nesses três nomes, com o PSD tentando se consolidar no comando do estado. O alinhamento de Mitidieri com o PSD nacional será um ponto de atenção, já que em 2022 recebeu apoio do PT, mas poderá rever sua posição em caso de candidatura presidencial própria do partido. O cenário é de incerteza sobre o futuro das alianças locais e a manutenção do domínio do grupo governista.

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