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Carnaúba, babaçu e umbu elevam produção florestal nordestina a R$ 4,3 bi

Nordeste respondeu por 9,7% do valor da produção florestal em 2024, segundo o IBGE, com liderança em carnaúba, babaçu e umbu
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A carnaúba é usada na indústria de cosméticos, medicamentos e até em revestimentos sustentáveis para embalagens. Foto: Arquivo
A carnaúba é usada na indústria de cosméticos, medicamentos e até em revestimentos sustentáveis para embalagens. Foto: Divulgação

O Nordeste respondeu por 9,7% do valor da produção florestal do Brasil em 2024, o equivalente a cerca de R$ 4,3 bilhões, segundo a Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (25). O dado mostra que, mesmo em um setor dominado pelas regiões Sul e Sudeste, a contribuição nordestina se mantém relevante, especialmente nos produtos extrativistas não madeireiros.

Em comparação a 2023, o resultado indica estabilidade da participação regional, mas com maior valorização de produtos típicos do semiárido e da zona de transição para a Amazônia. O avanço reforça a importância econômica e cultural de cadeias tradicionais, como a da carnaúba, do babaçu e do umbu, que não apenas movimentam recursos, mas também sustentam comunidades locais e práticas extrativistas de caráter sustentável.

No cenário geral, o valor da produção florestal brasileira somou R$ 44,3 bilhões em 2024, alta de 16,7% frente ao ano anterior. Esse crescimento foi puxado principalmente pela silvicultura no Sudeste e no Sul, mas o Nordeste se destacou em itens de biodiversidade que dificilmente encontram equivalentes em outras regiões do país.

Carnaúba reforça papel do Piauí e do Ceará

A carnaúba em pó é o produto mais emblemático da contribuição nordestina à produção florestal. Em 2024, seu valor de produção atingiu R$ 220,3 milhões, alta de 5,2% em relação a 2023. O Piauí concentrou 53,5% da produção nacional, consolidando-se como principal polo da atividade. Já o município de Granja (CE) se destacou individualmente, com 1,1 mil toneladas extraídas.

A carnaúba é um produto com forte inserção internacional, usada na indústria de cosméticos, medicamentos e até em revestimentos sustentáveis para embalagens. Além de sua importância econômica, a cadeia da carnaúba emprega milhares de trabalhadores sazonais no semiárido nordestino, fortalecendo o papel social da atividade extrativista.

Historicamente, a carnaúba foi chamada de “árvore da vida” no Nordeste, por fornecer matéria-prima para diferentes usos. Nos últimos anos, o produto tem se beneficiado de uma maior valorização no mercado externo, especialmente em nichos que demandam insumos renováveis e sustentáveis. Isso garante ao Nordeste uma posição de destaque em um segmento de alto valor agregado.

Maranhão lidera extração de babaçu

Outro produto de destaque é o babaçu, cuja produção nacional alcançou R$ 77,6 milhões em 2024, um crescimento de 12,8% em relação ao ano anterior. O Maranhão respondeu por 84,2% do total nacional, consolidando-se como a principal referência no cultivo e na extração do fruto. Entre os municípios, Penalva assumiu a liderança, com a maior produção registrada no país.

O babaçu é uma das cadeias mais versáteis da região, pois fornece desde amêndoas utilizadas na produção de farinha até óleo para uso alimentar, medicinal e cosmético. A casca do coco pode ser transformada em carvão vegetal, atendendo às demandas energéticas de comunidades rurais e de pequenas indústrias. Essa multiplicidade de usos reforça sua importância na economia nordestina.

Além da relevância econômica, o babaçu tem peso social e ambiental. No Maranhão, a atividade envolve milhares de famílias extrativistas, que têm no fruto uma fonte de renda fundamental. Nos últimos anos, políticas de incentivo à bioeconomia têm ressaltado o potencial do babaçu como insumo para biocombustíveis e novos produtos sustentáveis, agregando valor à produção regional.

Umbu consolida protagonismo da Bahia

O umbu, fruto típico do semiárido, registrou em 2024 um valor de produção de R$ 25,4 milhões, alta de 4,4% frente ao ano anterior. A Bahia foi responsável por 5,8 mil toneladas, consolidando-se como maior produtora nacional, seguida de perto por Minas Gerais. O município baiano de Uauá e outros do Sertão do São Francisco aparecem entre os principais polos.

Tradicionalmente consumido in natura, o umbu se transformou em base para uma ampla indústria de derivados regionais, incluindo sucos, geleias, doces e até cervejas artesanais. Essa diversificação de usos tem fortalecido a cadeia produtiva, criando oportunidades para cooperativas locais e para a agregação de valor na agricultura familiar.

O umbu também tem importância simbólica, por ser considerado um fruto de resistência às secas do semiárido. Sua exploração conecta tradição cultural e oportunidades econômicas, reforçando o papel da Bahia como polo de inovação e preservação no extrativismo vegetal brasileiro.

Silvicultura domina no Brasil, mas extrativismo segue vital

No Brasil, o valor da produção florestal alcançou R$ 44,3 bilhões em 2024, segundo o IBGE, com crescimento de 16,7% em relação a 2023. A silvicultura respondeu por 84,1% desse total (R$ 37,2 bilhões), enquanto a extração vegetal representou 15,9% (R$ 7,0 bilhões). Minas Gerais segue liderando a silvicultura, com R$ 8,5 bilhões, enquanto o Paraná aparece em segundo lugar, com R$ 6,3 bilhões.

A concentração regional é evidente: Sul e Sudeste somaram 65,7% do valor nacional, sustentados pelo cultivo de eucalipto e pinus. No entanto, o extrativismo mantém relevância, especialmente em regiões como o Norte e o Nordeste, onde produtos como açaí, carnaúba, babaçu e umbu garantem diversidade produtiva.

O açaí amazônico, por exemplo, gerou R$ 1,0 bilhão em 2024, concentrado em 68% no Pará. Esse cenário mostra que, enquanto a silvicultura responde pelo grosso da produção florestal brasileira, o extrativismo vegetal segue essencial para a sustentabilidade de comunidades tradicionais e para a valorização da biodiversidade.

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