
Pernambuco terá um aporte de R$ 6,2 bilhões do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) em 2026, consolidando-se como um dos principais destinos dos recursos aplicados pelo Banco do Nordeste (BNB). A programação das aplicações foi concluída nesta quarta-feira (24), em reunião realizada na superintendência do BNB no Recife, com a presença de representantes do comércio, da indústria, do agronegócio e da sociedade civil.
A maior parte dos recursos está destinada a setores estratégicos da economia pernambucana. Em 2026, o estado receberá R$ 1,48 bilhão para infraestrutura, R$ 1,33 bilhão para pecuária, R$ 1,31 bilhão para comércio e serviços e R$ 1,16 bilhão para indústria e agroindústria. Outros segmentos também terão acesso ao crédito, como agricultura (R$ 758,6 milhões), turismo (R$ 185 milhões) e pessoas físicas (R$ 34,2 milhões).
Pernambuco terá quase 12% de todos os recursos do FNE
De acordo com o superintendente do BNB em Pernambuco, Hugo Luiz de Queiroz, o estado será contemplado com quase 12% de todos os recursos programados pelo FNE em 2026. “São valores expressivos que precisam ser aplicados de forma eficiente, de modo a ampliar a velocidade da economia no estado. Isso só é possível ouvindo os setores produtivos e os governos”, destacou.
O FNE é considerado o principal fundo operado pelo BNB em Pernambuco, com impacto direto no desenvolvimento regional. Entre janeiro de 2021 e julho de 2025, o fundo já desembolsou mais de R$ 24 bilhões na economia local. Apenas nos sete primeiros meses deste ano, o BNB aplicou cerca de R$ 3,25 bilhões em Pernambuco, com destaque para comércio e serviços (R$ 944 milhões), infraestrutura (R$ 946 milhões), pecuária (R$ 655 milhões) e agricultura (R$ 308 milhões).
Investimentos do FNE no Nordeste chegam a R$ 52,6 bilhões
No âmbito regional, os investimentos do FNE somam R$ 52,6 bilhões para 2026, contemplando todos os estados do Nordeste, além de parte de Minas Gerais e Espírito Santo. O volume representa aumento de 11,1% em relação ao ano anterior.
Segundo o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, o fundo tem se consolidado como um dos principais indutores do desenvolvimento regional, trazendo inovações como linhas específicas para agricultura familiar em sistemas agroecológicos, produção orgânica, micro e pequenas empresas e economia criativa.
A definição das aplicações seguiu diretrizes do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional e da Sudene, priorizando a democratização do acesso ao crédito. O objetivo é ampliar as oportunidades para pequenos produtores rurais, micro e pequenos negócios e iniciativas de empreendedorismo feminino, fortalecendo o papel de Pernambuco como polo econômico do Nordeste.
Alagoas supera Pernambuco no dinamismo do crédito
Apesar dos recursos significativos previstos para Pernambuco, dados recentes do Banco Central apontam um cenário surpreendente no panorama econômico nordestino. Alagoas registrou crescimento de 15,2% no saldo de crédito nos últimos 12 meses, ocupando a vice-liderança regional, enquanto Pernambuco, com alta de 11,8%, figura apenas na 7ª posição entre os nove estados nordestinos.
A diferença de 3,4 pontos percentuais entre os dois estados revela uma mudança estrutural importante na região. Alagoas tem conseguido atrair recursos financeiros de forma mais dinâmica, especialmente no segmento de pessoas jurídicas, que registrou crescimento de 23,4%, indicando um ambiente empresarial aquecido para investimentos produtivos.
Pernambuco mantém volume expressivo, mas ritmo moderado
Mesmo com desempenho abaixo de Alagoas em dinamismo, Pernambuco preserva posição de destaque no volume absoluto de crédito, alcançando R$ 148,9 bilhões — o segundo maior da região. Ainda assim, o ritmo de expansão é mais conservador, ficando apenas um pouco acima da média nacional de 10,7%.
O estado, que historicamente figura entre os principais centros econômicos do Nordeste, tem o desafio de acelerar sua taxa de crescimento para não perder protagonismo diante do avanço de economias emergentes como a de Alagoas.
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