
Alagoas deve contar com uma alocação de R$ 2,82 bilhões em financiamentos pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) em 2026. A proposta foi validada em encontro realizado nesta terça-feira (23), na Superintendência Estadual do Banco do Nordeste (BNB), em Maceió, com representantes de instituições públicas e setores produtivos locais.
Os recursos são voltados a setores como infraestrutura, pecuária, comércio e serviços, agricultura, turismo, agroindústria, indústria e pessoa física, com ênfase nos empreendimentos de menor porte. O montante projetado representa um aumento de 11% em relação ao orçamento de 2025, e pode ser ampliado, conforme a demanda por projetos.
O segmento de infraestrutura lidera o orçamento previsto, com R$ 767 milhões, seguido por pecuária (R$ 682,5 milhões), comércio e serviços (R$ 559,9 milhões), agricultura (R$ 325,7 milhões), indústria e agroindústria (R$ 289,1 milhões), turismo (R$ 191,3 milhões) e pessoa física (R$ 12,6 milhões).
Segundo o gerente de Desenvolvimento Territorial do BNB, Manoel Roberto Muniz, a proposta foi construída de forma colaborativa para atender às prioridades do estado. “Não teria sentido o banco aplicar os recursos sem ouvir os setores produtivos e os parceiros institucionais. Levamos em conta as demandas por crédito, os investimentos previstos e o histórico de contratação do banco em Alagoas”, explicou.
Para 2026, o foco de aplicação dos recursos do FNE será voltado principalmente a projetos que promovam a agricultura familiar e a agroindústria; energias renováveis; indústria de transformação e inovação; infraestrutura; Novo PAC; serviços digitais e tecnológicos; saúde, educação e assistência social; turismo, cultura e economia criativa.
Essas políticas de aplicação do FNE são definidas pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
Alagoas lidera crescimento do crédito no Nordeste
Além de planejar mais investimentos para o próximo ano, Alagoas também lidera o avanço do crédito no Nordeste. De acordo com levantamento do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), o saldo de crédito no estado cresceu 15,6% entre julho de 2024 e julho de 2025, maior alta da região e acima da média nacional, de 10,7%.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo crédito para pessoas jurídicas, cujo saldo alcançou R$ 15,4 bilhões, um aumento de 23,8%. O crédito para pessoas físicas também avançou, com alta de 12,5% no período.
No Nordeste, o saldo das operações de crédito alcançou R$ 953,6 bilhões, com crescimento de 13,6% no período analisado. Em toda região, a distribuição do aumento do crédito segue métrica semelhante, com o saldo das operações com pessoas físicas obtendo 13,3% de crescimento e o de pessoas jurídicas, 14,3%, o que indica, de acordo com o Etene, que tanto o consumo das famílias quanto os investimentos produtivos seguem aquecidos.
O estudo também aponta o resultado do acumulado do ano, de janeiro a julho de 2025, com destaques para Piauí (9,5%) e Alagoas (7,1%), na expansão da carteira de crédito, entre os estados nordestinos.
Para o superintendente estadual do Banco do Nordeste em Alagoas, Sidinei Reis, o avanço do crédito em toda a região e, em especial, no estado de Alagoas, revela o fortalecimento da economia e de políticas públicas de fomento ao desenvolvimento regional.
“O Banco do Nordeste, como órgão do Governo Federal voltado ao desenvolvimento econômico sustentável tem contribuído sobremaneira para esse resultado expressivo. Além do apoio financeiro a todos os setores produtivos, somos responsáveis pelo maior programa de microcrédito produtivo e orientado do país, o Crediamigo e pelo programa de microfinança rural, o Agroamigo, que promovem a inclusão bancária, a geração de novos negócios e de empregos entre a parcela da população que mais precisa, tanto no meio urbano, como no campo”, ressalta.
Em 2024, o BNB já aportou R$ 2,7 bilhões na economia alagoana, com impacto estimado de 21 mil empregos. Até julho deste ano, R$ 1,5 bilhão já foram contratados.
Leia Mais: Cota preferencial para os EUA deixa de ser viável para o açúcar de Alagoas












