
Do total que o Brasil exporta aos Estados Unidos, 77,8% têm alguma taxação adicional imposta por Donald Trump ao Brasil, segundo um levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). As tarifas variam de 10% a 50%. A taxação de 50% aos produtos brasileiros nos EUA incidirá sobre mais da metade das exportações brasileiras e entrou em vigor nesta quarta-feira (06).
O levantamento da CNI se baseou nos dados da Comissão de Comércio dos Estados Unidos, USITC, na sigla em inglês, identificando no nível de 10 dígitos do código tarifário norte-americano, o que permite identificar com precisão os produtos sujeitos às medidas comerciais, cruzando os dados para mapear as diversas taxações que incidem sobre os produtos que resultaram de iniciativas diferentes.
O cruzamento dos dados mostrou que 45,8% das exportações brasileiras aos EUA estão submetidas a tarifas que variam de 40% ou 50%, sendo direcionadas especificamente ao Brasil. A tarifa combinada que chega a 50% vai incidir em 41,4% da pauta exportadora brasileira aos EUA, com 7.691 produtos de variados setores, de acordo com a pesquisa da CNI. Em 2024, a exportação desses bens alcançou US$ 17,5 bilhões.
Maior segmento setor exportador brasileiro aos EUA, a indústria de transformação corresponde a 69,9% de tudo que é vendido aos EUA. O setor comercializou, em 2024, 7.184 produtos afetados pelas tarifas combinadas, que somaram US$ 12,3 bilhões em vendas no ano passado. Ainda de acordo com o estudo, os setores com maior número de produtos exportados afetados pela sobretaxa combinada de 50% serão: vestuário e acessórios (14,6%); máquinas e equipamentos (11,2%); produtos têxteis (10,4%); alimentos (9,0%), Químicos (8,7%) e Couro e calçados (5,7%).
Setores como aço, alumínio e cobre, sobretaxados pelo mecanismo conhecido como Seção 232, representam 9,3% da pauta de exportações brasileiras e terão uma tarifa adicional de 50%. Todos estes setores citados acima, representam 50,7% das exportações brasileiras feitas aos Estados Unidos. “Esse retrato dá a dimensão do problema enorme que teremos de enfrentar e o quanto vamos precisar avançar nas negociações para reverter essas barreiras. É um trabalho que precisa envolver governos e os setores produtivos. Os EUA são os principais parceiros comerciais da indústria, precisamos encontrar saídas”, diz o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Exportações pernambucanas e as tarifas de Trump
Pelo que está em vigor até agora, dois dos principais produtos pernambucanos exportados aos EUA pagarão a taxa de 50%: as mangas do Vale do São Francisco e o açúcar. “O governo federal percebeu o problema da manga que é urgente e perecível”, disse o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Cavalcanti. Na atual janela de exportação, o Vale do São Francisco comercializa 25 mil toneladas de mangas para os Estados Unidos.
O governo federal deve anunciar medidas com um “socorro emergencial” a setores como a manga e o açúcar, mas ainda não está definido quando, como e quanto será. “A nossa principal preocupação é segurar os empregos, principalmente nas pequenas e médias empresas”, diz o presidente da Associação dos Produtores e Exportadores do Vale do São Francisco (Valexport), José Gualberto. A janela de exportação da manga para os EUA começa em agosto. Segundo ele, os produtores podem reprogramar a exportação, mas precisam de tempo para fazer isso porque mexe com toda uma cadeia produtiva que envolve frete marítimo, frete rodoviário, colheita e tratamento da fruta, entre outras.
O presidente da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio) e do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool do Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, afirmou que uma das preocupações do setor é serem adotadas medidas que incentivem o emprego no campo. O Nordeste é um grande exportador de açúcar e fornece o produto dentro da cota americana para os EUA. Geralmente, a cota americana paga duas vezes mais do que o preço do produto no mercado internacional.
O Nordeste brasileiro geralmente tem uma cota estabelecida, anualmente, em 150 mil toneladas, mas vendeu, em média, 209 mil toneladas nos últimos anos. A venda é a maior do que a cota inicialmente estabelecida, porque alguns países não conseguem entregar a quantidade e nem a qualidade exigida pelo importador e aí a região consegue aumentar a quantidade vendida aos EUA.
“A cota americana do açúcar inclui 39 países e ainda não foi publicada. Não houve sequer a distribuição das cotas por país”, comentou Renato. Ainda não se sabe se o açúcar da cota americana brasileiro vai pagar a taxa de 50%. O executivo acrescentou que o setor está pronto pra vender o açúcar aos EUA e disposto a negociar. Antes da taxação de 50%, o produto passou a pagar uma taxa de 10% em abril último para ingressar nos EUA.
*Com informações da CNI
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