
A geração de energia por assinatura, também chamada de streaming de energia solar, já é uma realidade consolidada em Sergipe. De acordo com Álvaro Dantas Oliveira Filho, presidente da Associação Sergipana de Energias Renováveis (ASER), o estado já conta com mais de 15 empresas que oferecem esse tipo de serviço. O modelo, que permite ao consumidor ter descontos na conta de luz sem precisar instalar placas solares ou fazer qualquer investimento, tem atraído cada vez mais clientes. A economia pode chegar a até 30% na conta mensal de energia.
Álvaro explica que essa possibilidade surgiu com a Lei 14.300, o marco legal da geração distribuída, em vigor desde janeiro de 2022. A legislação formalizou modelos de consumo compartilhado de energia renovável, garantindo segurança jurídica e novas formas de economia. Com isso, mesmo quem mora em locais onde não é possível instalar painéis solares pode se beneficiar da energia limpa, por meio de créditos gerados por usinas solares.
“A assinatura de energia entra exatamente para garantir economia e viabilizar o uso de energia renovável mesmo sem instalação própria. O cliente recebe créditos de uma fonte geradora, como uma fazenda solar, e tem desconto na fatura”, afirma Álvaro.
Apesar do crescimento do modelo de streaming, Álvaro descarta a ideia de que geração solar distribuída esteja com os dias contados. Ele observa que, com a queda de mais de 50% no preço dos insumos desde 2022, o sistema de geração própria também se tornou mais acessível e continua atraente.

“A geração própria ainda é muito viável, especialmente para quem tem imóveis como sítios ou casas de praia. O que mudou foi a ampliação das opções para o consumidor”, destaca. Segundo ele, quem possui geração própria pode direcionar os créditos excedentes para outras unidades com a mesma titularidade. Ou seja, é possível gerar energia no sítio e utilizá-la em uma loja ou residência, desde que estejam no mesmo CPF ou CNPJ.
Energia: desconto médio
A desconfiança inicial de muitos consumidores, por se tratar de um serviço que promete economia sem investimento, é compreensível, diz Álvaro. Mas ele reforça que o modelo é legal, seguro e respaldado por contratos claros.
“As pessoas se assustam porque parece ‘bom demais para ser verdade’. Mas a energia continua sendo entregue pela concessionária local, como a Energisa. A diferença está no desconto proporcionado pelos créditos recebidos da empresa de streaming”, explica.
O desconto médio, segundo ele, varia entre 20% e 30%. No caso de pessoas físicas, a adesão é simples e sem fidelidade rígida. A maioria dos contratos permite cancelamento com aviso prévio de 90 a 120 dias.
Para empresas com contas superiores a R$ 10 mil, a novidade é a abertura do mercado livre de energia, autorizada desde janeiro de 2024. Nesse modelo, é possível escolher o fornecedor de energia, ampliando ainda mais a margem de economia.
“Hoje, qualquer empresa com demanda contratada pode migrar para o mercado livre. É uma realidade que está transformando o setor, trazendo ainda mais possibilidades de economia e planejamento”, afirma.
Em caso de insatisfação, o cliente pode cancelar o serviço sem multa, desde que respeite o prazo de aviso prévio estipulado em contrato. A relação com a concessionária permanece a mesma. Ela continua sendo responsável pela distribuição da energia.
Sobre os pagamentos, Álvaro detalha que o consumidor continua recebendo uma fatura da concessionária (geralmente com valor mínimo) e outra da empresa contratada (com o valor dos créditos, com desconto). No caso de uma conta original de R$ 1.000, o consumidor pode pagar R$ 800 no total, economizando os 20% prometidos.
“Em cinco meses, essa economia equivale a uma conta inteira de energia. Em um ano, são mais de duas contas economizadas sem ter investido nada”, afirma.
A flexibilidade também é uma vantagem. Quem aumenta o consumo, por exemplo com a instalação de ar-condicionado, pode informar à empresa para ajustar o fornecimento de créditos e manter o desconto proporcional.
“É um mercado amplo, seguro e que oferece alternativas personalizadas, tanto para residências quanto para empresas. Hoje, realmente é possível economizar com energia renovável, sem burocracia e sem precisar fazer grandes investimentos”, ressalta Álvaro.
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