
O primeiro dia do conclave de 2025, iniciado nesta quarta-feira (7) no Vaticano, terminou sem a escolha do novo líder da Igreja Católica. Às 21h01 no horário local (16h01 em Brasília), a chaminé da Capela Sistina emitiu fumaça preta, indicando que nenhum dos 133 cardeais eleitores obteve os dois terços dos votos necessários — 89 votos — para ser eleito papa.
Cerca de 45 mil pessoas estiveram reunidas na Praça São Pedro, com os olhos voltados para a chaminé, em expectativa silenciosa diante da primeira votação. A ausência de consenso reacende a possibilidade de um conclave mais demorado, cenário que não se repetia desde 2005, quando o cardeal Joseph Ratzinger foi eleito apenas na quarta votação. Em 2013, o papa Francisco foi escolhido já no segundo dia.
Como funciona o conclave
As votações seguem nesta quinta-feira (8), com até quatro rodadas previstas: duas pela manhã e duas à tarde. O procedimento é regulado pela Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis. Em cada sessão, os cardeais preenchem manualmente as cédulas impressas com a frase em latim Eligo in Summum Pontificem (“Elejo como Sumo Pontífice”, em português).
Após o preenchimento, os votos são depositados em uma urna e, ao final de cada turno (manhã e tarde), as cédulas são reunidas e queimadas. A fumaça preta indica que não houve eleição; a fumaça branca, que ainda não apareceu, anuncia a escolha do novo papa.
A abertura do conclave foi marcada pela missa Pro Eligendo Pontifice, presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício. Após a celebração, os cardeais seguiram em procissão até a Capela Sistina, onde prestaram juramento de sigilo e participaram da primeira rodada de votação.
Sucessão de Francisco e representatividade
O novo pontífice será o sucessor do papa Francisco, que faleceu no último dia 21 de abril, aos 88 anos, após 12 anos de pontificado. Francisco foi o primeiro papa jesuíta e o primeiro da América Latina, e sua liderança foi marcada pelo foco em justiça social, meio ambiente e reforma interna da Igreja.
Dos 133 cardeais eleitores, 23 são da América Latina — quatro deles brasileiros. O colégio é formado majoritariamente por cardeais nomeados por Francisco, o que sugere a continuidade de seu legado. A expectativa global se mantém elevada, em meio a discussões internas sobre o perfil mais adequado para enfrentar os desafios contemporâneos da Igreja Católica.
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