
Fortaleza, capital do Ceará, é conhecida como a Terra da Luz, devido ao sol constante em quase todo o ano. E é esse um dos motivos que os investimentos na Energia Solar vem aumentando e ganhando cada vez mais adesão. É o que aponta uma pesquisa da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) que coloca a capital na 7ª posição entre os municípios brasileiros com uma potência instalada de 270,3 Megawatts.
O recente mapeamento diz ainda que o Ceará ultrapassou 109 mil pontos de instalação de geração própria solar em telhados e pequenos terrenos, que abastecem para 140 mil unidades consumidoras. A região possui mais de 1,2 gigawatt (GW) em operação nas residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos.
E os números impressionam. Desde 2012, com mais de 140 mil unidades consumidoras atendidas no estado, a geração própria de energia solar já proporcionou ao Ceará a atração de R$ 5,8 bilhões em investimentos, geração de mais de 37 mil empregos e a arrecadação de mais de R$ 1,7 bilhão aos cofres públicos.
O empresário, sócio e diretor-executivo da Iracema Solar, uma empresa que oferece serviço de energia solar com sede em Fortaleza, atua no mercado há cerca de cinco anos. Formado em engenharia civil, ele conta que fez parte da graduação na Alemanha, e, foi lá, que ele identificou o crescimento de um mercado que aqui ainda era inexistente. “Sete anos depois vi o mercado por aqui crescendo e identifiquei, junto do meu sócio que é engenheiro eletricista, uma oportunidade. Temos instalações em quase todas regiões do estado, mas predominantemente na região metropolitana de Fortaleza”, afirma.
O empresário diz que uma instalação para quem consome cerca de R$ 1.000 de energia fica, atualmente, na faixa de R$ 25.000. Ele explica que o cliente tem o retorno do investimento em cerca de 2 anos e tem um ativo que vai gerar economia por mais de 20 anos. “A maioria dos clientes são pessoas físicas, mas existe muito cliente que instala no negócio e também abastece a casa com a energia gerada, ou vice-versa. Normalmente quem mora em residências com área de telhado considerável e quem busca prover um maior conforto pra família dentro de casa”, pontua Mateus.
Outro exemplo, desta vez de perfil comercial, é a Cerbras, que aderiu ao sistema de energia solar em 2022. Especializada em porcelanato e cerâmica, localizada em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a empresa decidiu utilizar o sistema de energia solar por motivos estratégicos, alinhados com seu compromisso com a inovação, sustentabilidade e eficiência operacional. Hoje, o uso de energia solar supre um percentual de 10 a 12% no consumo final.
“Em nosso parque fabril nós utilizamos 100% da energia gerada aqui na fábrica. Nós não exportamos nada para a rede. Estamos planejando a ampliação da produção de energia solar para uso em nosso parque fabril. Com a ampliação do galpão de estoque que está sendo finalizado nós iremos ampliar a nossa geração de 5,302 kwp para 6,020 kwp”, afirma Ticiana Mota, vice-presidente Industrial Ambiental e Administrativo.
Perfil do consumidor no Ceará
De acordo com Jonas Becker, coordenador estadual da ABSOLAR no Ceará, Fortaleza se mantém há um ano na sétima posição com 270 MW, representando investimentos na faixa de quase R$ 300 milhões. “Algo que impacta Fortaleza e a Região Metropolitana, além de regiões como Eusébio e Aquiraz, que vêm crescendo por serem regiões mais horizontais, com casas e empresas”, analisa.
O principal perfil do consumidor de energia solar hoje é o residencial. No Ceará 80% dos sistemas instalados são em residências, 10% em comércios e empresas, 8% no rural e 2% em números de sistemas instalados, de acordo com o coordenador. “A tendência do crescimento é em pessoa física, já que o ticket é menor, os juros são mais simplificados e a busca pelos financiamentos”, explica.
O primeiro estado do Nordeste no ranking é a Bahia e o segundo é o Ceará, que já esteve em primeiro lugar. Para Jonas, o Ceará tem vocação para energia renovável. “Já tem um histórico de geração de mão de obra, já conhece como implementar energia solar, investimentos maduros na região, além da maturidade de toda a cadeia produtiva, desde o Porto do Pecém, as empresas prestadoras de serviços, a importação de equipamentos, os órgãos ambientes e todo esse ecossistema”, afirma.
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