
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que a conta de luz vai subir, em média, de 3,5% este ano com a expectativa de ficar abaixo dos índices estimados para a inflação em 2025, que são uma variação de 5,6% no IPCA e de 5,1% no IGP-M, segundo o boletim trimestral, InfoTarifa, que a entidade lançou nesta segunda-feira (07). No ano passado, as tarifas tiveram uma variação média de 0,5%, de acordo com a agência.
Aproximadamente 21% dos clientes do mercado cativo – que compram de uma única distribuidora – vão ter reajuste negativo este ano, como o que é esperado pelos pernambucanos. Para este grupo, a variação negativa deve ficar entre -6,8% e -2,3%. O maior grupo de consumidores, 41% deles terão um reajuste que ficará em 1,9%. E 36% vão ter reajustes entre 7,4% e 12,1%.
Um dos fatores que contribui para o reajuste negativo é a redução de 2,7% dos encargos financeiros cobrados na conta de energia que prevista para ocorrer em 2025. A revisão tarifária, processo de reajuste mais amplo geralmente realizado a cada quatro anos para os clientes de uma mesma distribuidora, também vai resultar num percentual de reajuste negativo, como é o caso do previsto para os clientes que moram em Pernambuco. O reajuste dos pernambucanos deverá ser definido pela Aneel numa reunião da diretoria que vai ocorrer no próximo dia 22.
Segundo o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, a intenção do boletim é apresentar previsibilidade e transparência quanto aos impactos no cálculo das tarifas com a atualização desse panorama trimestralmente, à medida que os reajustes das distribuidoras forem deliberados. Os reajustes de cada distribuidora passa por um processo que resulta no aumento ou na diminuição da conta de luz, que geralmente é cobrado a partir da data do aniversário da concessão. Para os pernambucanos, esta data é 29 de abril.
Os encargos setoriais e o impacto na conta de luz
Criados por meio de leis, os encargos setoriais do setor elétrico cresceram mais de 250% nos últimos 15 anos, de acordo com o boletim. Alguns especialistas dizem que os encargos e os impostos formam o principal motivo da energia ficar mais cara para o consumidor final no Brasil.
Ainda para este ano, a previsão da Aneel é de um aumento de 1,6% nos valores dos encargos setoriais; um incremento de 1,3% no preço da compra da energia, uma redução de 0,3% nos custos de transmissão e uma queda de 2,7% nos encargos financeiros.
Sinalização de bandeira vermelha no segundo semestre
A média citada acima é a dos reajustes. No entanto, há outro fator que pode fazer o consumidor vir a pagar mais na conta de luz: a bandeira tarifária vermelha, que provavelmente, será acionada, caso continuem diminuindo o armazenamento de água dos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste, responsáveis por armazenar mais de 70% do líquido que pode ser usado para este fim.
Há consultores do setor elétrico que afirmam que a bandeira será vermelha entre junho e outubro deste ano. Ou seja, quando a conta de energia poderia passar a ter um reajuste negativo ou mais módico – ficando abaixo da inflação para uma parte dos consumidores -, mais uma vez uma crise hídrica vai deixar a conta de todos mais alta, como já ocorreu em 2021 em 2012, entre outros anos.
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