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Criadores de caprinos pedem socorro à Sudene contra colapso no setor

Criação de caprinos em Pernambuco está ameaçada pela informalidade, seca e dificuldades logísticas
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Produção de caprinos Sertão de Pernambuco
Seca e informalidade ameaçam criações de caprinos/Foto: Arquivo/Samila dos Humildes

Diante do agravamento da seca, do alto custo da ração, da escassez de mão de obra e da falta de infraestrutura para o abate legal dos animais, criadores de caprinos de diversas regiões de Pernambuco se reuniram na manhã desta terça-feira (7) com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), no Recife. O encontro teve como objetivo apresentar os principais entraves que ameaçam a sobrevivência da atividade no Semiárido e buscar articulação para medidas emergenciais.

Entre os participantes estava José Armando, produtor de Serra Talhada, que relatou como a combinação desses fatores tem levado ao descarte precoce de animais e à descapitalização dos criadores. “O preço do milho está exorbitante“, reclamou.

A estiagem prolongada reduziu drasticamente a disponibilidade de pasto, comprometendo a subsistência dos rebanhos. “Se não houver uma ação emergencial, o rebanho vai morrer. Já estamos entregando os animais a preços muito abaixo do valor justo”, alertou. Hoje, o preço do quilo do caprino gira em torno de R$ 18 a R$ 20, abaixo dos R$ 25 a R$ 26 praticados em períodos mais favoráveis.

No caso dos bovinos, a queda também é expressiva: de R$ 300 por arroba, o valor despencou para R$ 240 — e isso quando há comprador. Além disso, muitos produtores estão sendo forçados a vender matrizes reprodutivas, comprometendo a capacidade futura de reposição do rebanho. “Se continuarmos assim, a cadeia será desestruturada e não teremos como retomar a produção”, disse José Armando, que mantém atualmente 450 caprinos e cerca de 200 bovinos.

Durante a reunião, os produtores pediram a reativação de um decreto federal de apoio emergencial, extinto em 31 de dezembro de 2024. A medida previa linha de crédito para aquisição de ração durante o período de seca. Os agricultores pedem que a Sudene e o Banco do Nordeste, em articulação com o governo federal, promovam o retorno desse mecanismo. “Esse decreto era um alívio. Ajudava o produtor a comprar ração sem precisar vender o rebanho a qualquer preço. Agora, estamos descapitalizados e sem fôlego”, afirmou José Armando, que também esteve reunido com o ex-governador Paulo Câmara, atual presidente do Banco do Nordeste, para tratar do tema.

Escassez de mão de obra na criação de caprinos

Outro ponto crítico é a escassez de mão de obra no campo. Segundo o produtor, programas sociais têm contribuído para o êxodo rural, dificultando a contratação de trabalhadores. “Estive internado com crise renal dias atrás e não tinha ninguém para me substituir. Hoje, quem está no campo está sozinho”, desabafou.

A logística de escoamento da produção também foi citada como gargalo estrutural. Com o fechamento de frigoríficos regionais, criadores são obrigados a transportar os animais por até 300 km para realizar o abate legal. A alternativa tem sido, em muitos casos, o abate clandestino — prática combatida pelos órgãos de fiscalização, mas que ressurge diante da falta de alternativas viáveis.

Informalidade impede acesso ao crédito

O superintendente da Sudene, Danilo Cabral, se comprometeu a levar ao governo federal as demandas apresentadas por criadores de caprinos de Pernambuco. “A Sudene é um órgão de articulação. Vamos tentar, sim, levar essa discussão adiante. Não é algo simples, porque envolve toda a região”, afirmou. O superintendente reconheceu que o acesso ao crédito rural ainda é um desafio estrutural da caprinocultura, marcada por forte informalidade e pouca organização dos produtores.

Programas existentes, como Pronaf, Agroamigo e FNE Rural, operados pelo Banco do Nordeste, nem sempre são acessíveis à base da produção. “Há um passivo histórico com cooperativas e associações que tiveram problemas burocráticos no passado, o que ainda gera resistência dos bancos em conceder crédito. Isso exige uma reorganização interna da cadeia”, pontuou.

Investimentos no Nordeste: Danilo Cabral (Sudene) destaca atuação da autarquia no desenvolvimento regional
Danilo Cabral (Sudene): papel da Sudene é de articulação/Foto: Elvis Aleluia

Outro ponto crítico, segundo Cabral, é a falta de infraestrutura adequada para o abate legal dos animais. A interdição de sete abatedouros em 2017, por não atenderem às exigências sanitárias, agravou o problema, levando muitos produtores a recorrerem ao abate clandestino. Na reunião, os agricultores disseram que, para abater um animal hoje, é preciso levá-lo por mais de 300 km, o que é inviável. E a validação de projetos para novos abatedouros está travada no IPA (Instituto Agronômico de Pernambuco). Danilo Cabral disse que, nesse sentido, a Sudene pode ajudar na formulação de projetos-padrão e até no financiamento da elaboração desses projetos.

“Instalamos hoje um ambiente de diálogo. Eles nos relataram a dificuldade de encontrar espaços para tratar essas questões. Vamos tentar organizar essa agenda em rede, territorializar as políticas públicas e criar pontes entre os entes federativos”, concluiu. A reunião contou com cerca de 20 representantes de municípios como Itacuruba, Floresta, Serra Talhada e Petrolândia. Um dos pleitos locais apresentados foi a construção de um abatedouro em Floresta, cuja tramitação depende da validação de projeto técnico ainda pendente no IPA.

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