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Ufal lança três variedades de cana-de-açúcar para ampliar produtividade no campo

Cultivares de cana desenvolvidas com a Ridesa reúnem resistência a pragas, maior rendimento agrícola e potencial para açúcar
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  1. Ufal participa do desenvolvimento de três novas variedades RB de cana-de-açúcar para setor sucroenergético
  2. Variedades RB991532, RB0764 e RB07814 serão liberadas regionalmente em julho com melhor produtividade
  3. Ridesa, rede de dez universidades federais, desenvolveu 115 cultivares desde 1990 para o setor
  4. Variedades RB ocupam 56% da área total de cultivo de cana-de-açúcar no Brasil
  5. Novas cultivares apresentam alta produtividade, resistência a pragas e excelente rendimento para produção açúcar
Variedades RB de cana-de-açúcar desenvolvidas com participação da Ufal
Ufal participou do desenvolvimento de três variedades RB de cana-de-açúcar e que serão liberadas de forma regional para o setor sucroenergético. Foto: Assessoria

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por meio do Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar (PMGCA), participou do desenvolvimento de três novas variedades RB de cana-de-açúcar. Os cultivares, que serão liberados de forma regional em julho, tem como características melhor produtividade agrícola, resistência a pragas e bom rendimento para produção de açúcar.

As variedades RB são desenvolvidas pela Rede Universitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), composta por pela Ufal, UFRPE, UFV, UFRRJ, UFSCar, UFPR, UFG, UFMT, UFS e UFPI. A rede atua de forma cooperada no desenvolvimento de pesquisas, no intercâmbio de informações e na transferência de tecnologias para o setor produtivo.

Segundo o pesquisador Geraldo Veríssimo, do Campus de Engenharias e Ciências Agrárias da Ufal (Ceca), as variedades RB são resultado de décadas de pesquisa em melhoramento genético da cana-de-açúcar e respondem por 56% da área total de cultivo de cana no Brasil. Desde 1990, a Ridesa produziu 115 cultivares, que, somadas às variedades desenvolvidas pelo antigo Planalsucar, totalizam 134 variedades RB em 55 anos de pesquisa.

“É um orgulho para a nossa instituição de ensino, pesquisa e extensão fazer parte desse processo. Isso demonstra a nossa grande competência e responsabilidade, contribuindo significativamente na elevação dos rendimentos agroindustriais das empresas, bem como na formação contínua de recursos humanos para o setor sucroenergético brasileiro”, destacou.

Variedade RB Cana de Alagoas
Variedades RB991532, RB0764 e RB07814 tem como características melhor produtividade agrícola, resistência a pragas e bom rendimento para produção de açúcar. Foto: Assessoria

Alta produtividade e adaptabilidade de novas variedades de cana

Em julho, a Ufal fará a liberação das variedades RB991532, RB0764 e RB07814. De acordo com o professor Veríssimo, essas cultivares foram obtidas e selecionadas com apoio de empresas e entidades do setor sucroenergético.

A RB991532 apresenta alta produtividade agrícola, boa colheitabilidade, alta longevidade e excelente sanidade. A variedade tem hábito de crescimento ereto, alto perfilhamento, boa brotação de socaria e resistência às ferrugens marrom e alaranjada e ao carvão. A recomendação é de plantio em ambientes intermediários e colheita no meio de safra.

Já a RB0764 se destaca pela alta produtividade agrícola, boa colheitabilidade e resistência às ferrugens marrom e alaranjada. A variedade apresenta boa brotação da socaria, alto perfilhamento em cana-planta e cana-soca, boa uniformidade de colmos e pode ser indicada tanto para áreas de sequeiro quanto irrigadas, especialmente em melhores ambientes de produção.

A RB07814 tem como principais características a precocidade, o alto teor de açúcar, o longo período útil de industrialização, a baixa cor do caldo e a alta produtividade agrícola. A cultivar também apresenta boa estabilidade de produção, resistência à ferrugem marrom e ao carvão, podendo ser utilizada em áreas de sequeiro e irrigadas, com aproveitamento da precocidade para colheita no início ou meio de safra.

 “O censo varietal de plantio da cana-de-açúcar de 2026 em Alagoas indica predomínio de variedades RB, representando mais de 90% da área de cultivo. Com a liberação das novas variedades, certamente esse marco será superado, dadas as excelentes características desses novos materiais genéticos liberados pela Ufal, principalmente a RB0764 e a RB07814, que têm participado com significativas áreas de plantio nos últimos dois anos”, acrescentou Veríssimo.

PMGCA Cana Ufal
Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar é desenvolvido desde 1990 pela Universidade Federal de Alagoas. Foto: Assessoria

Variedades de cana desenvolvidas pela Ufal ganham espaço no Nordeste

O Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar, no Ceca, desenvolve pesquisas em parceria com empresas do setor sucroenergético nacional e com apoio da Fundepes. Um dos diferenciais da atuação é o gerenciamento do banco de germoplasma da cana-de-açúcar, localizado na Serra do Ouro, em Murici. No local são realizadas anualmente as hibridações e a produção de cariopses que atendem às pesquisas de obtenção de variedades RB das universidades federais que compõem a Ridesa.

As bases de pesquisa do PMGCA/Ufal incluem o Campus de Engenharias e Ciências Agrárias, em Rio Largo; a Estação de Floração e Cruzamento Serra do Ouro, em Murici; subestações nas usinas Santo Antônio, Caeté e Coruripe, em Alagoas; além da subestação da Usina Agrovale, em Juazeiro, na Bahia.

Essa estrutura permite que as novas variedades sejam avaliadas em diferentes condições de solo, clima e manejo, aproximando a pesquisa acadêmica das demandas reais do setor produtivo.

As variedades de cana-de-açúcar desenvolvidas pela Ufal possuem grande alcance em áreas de plantio no Nordeste. Um dos exemplos é a RB92579, que desde 2003 contribui para elevar os rendimentos dos canaviais e chegou a ocupar mais de 40% da área canavieira do Nordeste, além de áreas expressivas no Brasil.

A expectativa dos pesquisadores é que a nova geração de variedades terá “grande contribuição para que o país se mantenha na vanguarda do desenvolvimento tecnológico dessa cadeia produtiva”.

“Em mais de 35 anos, essa integração de ações de instituições públicas e empresas privadas, tem como resultado exitoso o desenvolvimento de variedades RB pela rede de universidades, conectado com a empresa privada, que faz a validação e adoção da inovação”, avaliou o professor Geraldo Veríssimo.

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