- Publicidade -

Aneel conclui tarifas de transmissão e NE sai favorecido no ciclo 2026/2027

Aneel concluiu o cálculo da RAP e da TUST para o ciclo 2026/2027, com vigência a partir de 1º de julho. Receitas sobem 9,41%, para R$ 54,95 bi, com impacto de 1,1% ao consumidor
- Publicidade -
Ouvir o Artigo Gerando áudio…
~3:42
  1. Aneel conclui cálculo de tarifas de transmissão para ciclo 2026/2027 com vigência a partir de julho.
  2. Nordeste sai favorecido com menores tarifas ao conectar-se diretamente à rede de transmissão no novo ciclo.
  3. Nova metodologia redistribui 60% dos custos por região, estimulando atração de indústrias intensivas em energia para Nordeste.
  4. Impacto médio para consumidor final em distribuição é contido em 1,1% apesar de receitas crescerem 9,41%.
  5. Regiões produtoras de energia recebem sinais tarifários mais favoráveis, enquanto regiões expansoras pagam proporcionalmente pelos custos impostos.
Aneel linhas de transmissão energia elétrica tarifas Nordeste
Aneel conclui cálculo das tarifas de transmissão para o ciclo 2026/2027 com maior estabilidade e sinal econômico mais eficiente. Foto: Aneel/Reprodução

A partir de 1º de julho, consumidores que se conectam diretamente à rede de transmissão no Nordeste poderão pagar menos pelo uso do sistema. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) concluiu o cálculo das Receitas Anuais Permitidas (RAP) das transmissoras e das Tarifas de Uso do Sistema de Transmissão (TUST) para o ciclo 2026/2027, com vigência de 1º de julho de 2026 a 30 de junho de 2027. Pela nova metodologia adotada, regiões que produzem mais energia do que consomem, como o Nordeste, tendem a receber sinais tarifários mais favoráveis, o que a agência avalia como estímulo à atração de indústrias e projetos intensivos em energia para a região.

O impacto médio para o consumidor final em ambiente de distribuição é de 1,1%, mesmo com as receitas das transmissoras crescendo 9,41% no período, para R$ 54,95 bilhões. O cálculo envolveu 356 contratos de concessão de 258 empresas. A receita total do processo tarifário, que inclui obras previstas e custos operacionais do sistema, subiu de R$ 51,6 bilhões para R$ 56,5 bilhões.

O resultado mais contido na tarifa final decorre de ajustes na forma como a Aneel distribui os custos de transmissão entre as regiões do país. Desde o ciclo anterior, a agência vem migrando para um modelo que considera a realidade elétrica de cada região, e não apenas uma média nacional. Neste ciclo, o peso regional chegou a 60% do cálculo, contra 40% do cenário nacional.

A série histórica da TUST-RB média reforça a tendência. A tarifa média de consumo recuou de R$ 15,37/kW no ciclo 2025/2026 para R$ 15,23/kW no atual, mantendo distância do pico de R$ 17,99/kW registrado em 2020/2021. A tarifa média de geração subiu levemente, de R$ 10,57/kW para R$ 10,93/kW, mas permanece dentro da banda de estabilidade observada desde 2022.

Mapas da Aneel mostram a distribuição da TUST por região. À esquerda, tarifas para consumidores (TUSTc-p): Nordeste em tons claros, piso de R$ 3,67/kW. À direita, tarifas para geradores (TUSTg): Sul em verde, Nordeste em laranja e vermelho. Arte: Aneel
Mapas da Aneel mostram a distribuição da TUST por região. À esquerda, tarifas para consumidores (TUSTc-p): Nordeste em tons claros, piso de R$ 3,67/kW. À direita, tarifas para geradores (TUSTg): Sul em verde, Nordeste em laranja e vermelho. Arte: Aneel

Mapas da Aneel apontam Nordeste como destino de investimento

Quem produz energia em excesso, como o Nordeste com seus parques eólicos e solares, passa a ter tarifa menor para atrair consumidores de grande porte. Quem pressiona a expansão das linhas de transmissão paga mais, proporcional ao custo que impõe ao sistema. A metodologia redistributiva busca equilibrar a expansão da geração com a atração de cargas para onde a energia já existe.

Os mapas de distribuição da TUST divulgados pela Aneel ilustram o efeito. No mapa para consumidores, o Nordeste concentra os pontos em tons mais claros, com tarifas próximas ao piso de R$ 3,67/kW, enquanto Sul e Sudeste acumulam os valores mais altos, acima de R$ 10,66/kW. No mapa para geradores, o padrão se inverte: o Sul aparece em verde, com tarifas próximas ao piso de R$ 5,68/kW, enquanto o Nordeste concentra pontos em laranja e vermelho, aproximando-se do teto de R$ 19,49/kW. Para consumidores de grande porte, o Nordeste é a região mais barata do país.

A transmissão é a infraestrutura que viabiliza esse movimento: sem expansão da rede, a integração das fontes renováveis ao Sistema Interligado Nacional e a segurança do suprimento ficam comprometidas. A nova metodologia foi homologada pela Superintendência de Gestão Tarifária e Regulação Econômica (STR) pela primeira vez neste ciclo, nos termos da Portaria Aneel nº 7.065/2026. Antes, a competência era da diretoria colegiada da agência. Para a Aneel, a mudança reduz o tempo de processamento e aumenta a previsibilidade dos processos tarifários.

Leia mais: Em peleja de quase 30 anos, Piauí busca R$ 3,5 bi por privatização de energia

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -