
Operação experimental com gipsita deve sair de Trindade, no Sertão do Araripe, principal polo gesseiro do país – Foto: TLSA/Divulgação
A circulação experimental de trens de carga da Transnordestina começa a ganhar tração no Nordeste e amplia as expectativas do setor produtivo, especialmente no polo gesseiro de Pernambuco. Após o sucesso do segundo teste operacional, que levou 946,12 toneladas de sorgo ao Terminal Logístico de Iguatu (TLI), no Ceará, a concessionária já se prepara para diversificar as cargas e avançar para o granel sólido mineral, com destaque para a gipsita e o gesso.
A linha férrea operada pela Transnordestina Logística (TLSA) está em operação desde dezembro de 2025 e faz parte do trecho Eliseu Martins-Salgueiro-Pecém que teve suas obras retomadas em 2023. O trajeto mais recente, partindo do Terminal Intermodal do Piauí (TIPI), foi concluído em 16 horas e 34 minutos, consolidando parâmetros técnicos de velocidade, carga e descarga.
Em entrevista exclusiva, o diretor comercial e de Terminais da TLSA, Alex Trevizan, detalha os próximos passos e confirma que o setor mineral será protagonista das próximas viagens experimentais.
“Também pretendemos fazer um transporte com soja, mas fugindo um pouco do granel sólido agrícola, verificamos que há a possibilidade, ainda neste mês, de fazer um movimento de gipsita. Talvez no mês que vem de calcário e gesso agrícola, para diversificar um pouco mais para o granel sólido mineral”, afirma Trevizan.
Operação a partir do Sertão do Araripe
O destaque para o mercado pernambucano vem com a confirmação de que a primeira operação teste com gipsita deverá sair de Trindade, no Sertão do Araripe, principal polo gesseiro do país, com destino ao Ceará, provavelmente para o terminal de Iguatu, que já está construído e em operação.
“Nossa perspectiva é realizar o teste com gipsita nas próximas semanas, com o trem partindo de Pernambuco, a partir da cidade de Trindade, até o Ceará, em local que está sendo definido”, explica o diretor.
Durante a fase de testes, cada composição tem capacidade para até mil toneladas, distribuídas em 20 vagões, com possibilidade de ampliação tanto no número de viagens quanto na quantidade de vagões à medida que a operação evolui.
Em dezembro do ano passado, em conversa com o ME, o presidente da Transnordestina, Tufi Daher, já havia mencionado da importância do polo gesseiro, em especial do Araripe, em Araripina.
“ O gesso produzido ali é de altíssima qualidade. Isso torna o polo extremamente competitivo, tanto no mercado interno quanto no externo. Nosso plano de negócios prevê, no futuro, o transporte de pelo menos 1 milhão de toneladas de gesso por ano” adiantou.

Foco na integração logística da Transnordestina
Não há, por enquanto, um cronograma fechado para o encerramento da fase experimental. Segundo Trevizan, a prioridade é testar todos os elos da operação ferroviária, especialmente a logística de transbordo e a integração com o modal rodoviário.
“Um dos fatores que analisamos é o ponto de carregamento e o ponto da descarga dos produtos, a questão dos acessos das carretas para que elas possam manobrar e fazer o transbordo direto, sai do vagão e já cai rápido no caminhão, para esse giro ser rápido”, explica.
Até o momento, foram realizadas duas viagens experimentais: milho, em dezembro de 2025, e sorgo, em janeiro de 2026. A expectativa é de aumento gradual das viagens, com novas cargas agrícolas, como soja, milheto e milho e minerais, incluindo gipsita, gesso agrícola e calcário.
Perspectivas positivas para o primeiro ano
Para o diretor, os resultados iniciais reforçam o potencial estratégico da Transnordestina para reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade do Nordeste.
“Nossa linha férrea é muito moderna, de alta capacidade, padrão mundial. E os testes estão mostrando que ela está correspondendo às expectativas de velocidade, tempos de carga e descarga, dentre outros parâmetros técnico-operacionais”, conclui Trevizan.
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