
Exonerado da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) no último dia 5 de agosto, Danilo Cabral aproveitou o Seminário Conexões Transnordestina, promovido pelo Portal Movimento Econômico, em Petrolina, nesta quarta-feira (13), para condenar os responsáveis pela sua saída da autarquia e fazer um chamamento à unidade das diferentes correntes políticas do estado em torno do trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina. Ele disse que foi nomeado para trabalhar por todo o Nordeste, e não apenas pelo Ceará, numa crítica à ação dos cearenses, que culminou na sua saída do órgão.
“Pernambuco foi penalizado pelo governo anterior (de Jair Bolsonaro). Era necessário que a gente fizesse essa obra por inteiro. Foi isso que nós fomos defender na Sudene. O interesse do Ceará, o interesse do Piauí e o interesse de Pernambuco e todos que dialogam com essa obra. Quando estiver pronta, a obra falará para 40% do PIB do Nordeste, para mais de 1.000 municípios que dialogam por onde ela vai passar no seu raio de atuação. E não é justo com o Pernambuco, nem com o resto do Nordeste, que ela tenha um crescimento desequilibrado”, colocou Danilo, que foi afastado do cargo após uma articulação do Ceará.
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O ex-superintendente da Sudene destacou que a classe política já se uniu em outros dois momentos – durante a criação do Porto de Suape e o movimento pró-refinaria – e que é preciso fazer isso novamente.
“Aqui foram citados dois símbolos que foi a política que fez Pernambuco avançar. Primeiro, o Porto de Suape, o maior símbolo da unidade de todas as correntes do Estado de Pernambuco. São mais de 60 anos de história de um porto que viveu momentos que avançou mais, momentos que avançou um pouco menos, mas, em todos eles, houve a unidade política. A segunda foi a refinaria (Abreu e Lima), que foi uma luta dos pernambucanos. Quem não se lembra da campanha ‘a refinaria é nossa’. É esta bandeira que nós precisamos trazer de volta. A Transnordestina é nossa também. Nós precisamos colocar isso na pauta do povo do Nordeste, mas na pauta do povo de Pernambuco”, afirmou Danilo.
Ele acrescentou que pretende percorrer todas as regiões de Pernambuco para mobilizar lideranças políticas, empresariais e acadêmicas em torno da conclusão do trecho pernambucano da ferrovia. “Se a gente não consolidar essa obra, Pernambuco vai perder competitividade. Isso impacta diretamente o Porto de Suape e cadeias produtivas estratégicas do interior”, advertiu.
Nesse ponto, ele criticou a ausência de parte das lideranças políticas locais no evento de Petrolina e afirmou que pretende “manter a pauta ativa junto ao setor produtivo e ao Legislativo estadual e federal”.
Danilo diz que Transnordestina reduzirá custos
Danilo Cabral ressaltou, ainda, que a “ligação ferroviária reduzirá em até 40% o custo de transporte de cargas e permitirá a retirada de aproximadamente 360 caminhões das estradas por composição’, uma estimativa baseada em trens de 120 vagões com capacidade para transportar 100 toneladas cada. “Não é só sobre escoar frutas do Sertão do São Francisco. É sobre fortalecer a indústria regional e integrar Pernambuco ao mercado nacional e internacional”, disse, sobre o braço ligando Petrolina a Salgueiro e, consequentemente, ao Porto de Suape.
O ex-superintendente também revelou que a Sudene vinha articulando com o governo federal a retomada de linhas ferroviárias de passageiros, incluindo o trecho Recife–Caruaru, que poderia beneficiar cidades do Agreste e Sertão. Ele lembrou que “o transporte ferroviário de passageiros chegou a Salgueiro em 1962 e a Caruaru em 1895”, mas a malha foi gradualmente sucateada e desativada, restando pouco mais de quatro mil quilômetros de trilhos devolvidos à União em 2020.
Classificando como equivocada a alegação de que não há carga suficiente para viabilizar a Transnordestina, Danilo faz a conta não do que se tem hoje, mas o que pode trazer. “Esse argumento é falacioso. A ferrovia não é feita apenas para o que existe hoje, mas para o que ainda virá. Quando você coloca o trem, o desenvolvimento vem junto”, sustentou.
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