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PE e BA integrarão leilão ferroviário e Transnordestina bate recorde de trilhos

Política Nacional de Concessões Ferroviárias prevê oito leilões em 2026; Transnordestina bate recorde com 1.700 m de trilhos em um dia e projeta 200 km novos ao longo do ano
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  1. Pernambuco e Bahia integram leilão ferroviário.
  2. Leilões somam R$ 160 bilhões em investimentos.
  3. Transnordestina bate recorde de trilhos assentados.
  4. Meta é elevar participação ferroviária para 34,6%.
  5. Brasil tem 25 mil quilômetros de trilhos sem uso.
Transnordestina colocação de trilhos Sem os projetos básico e executivo, as obras da ferrovia no trecho pernambucano do Sertão ao litoral não podem ser iniciadas. - Foto: Ministério dos Transportes/Divulgação
Colocação de trilhos avança no trecho entre Piauí e Ceará da Transnordestina. Sem os projetos básico e executivo, as obras da ferrovia no trecho pernambucano do Sertão ao litoral não podem ser iniciadas. Foto: Ministério dos Transportes/Divulgação

Pernambuco e Bahia integram a lista dos oito estados que receberão leilões ferroviários em 2026, segundo a Política Nacional de Concessões Ferroviárias detalhada nesta terça-feira (9) pelo ministro dos Transportes, George Santoro. Os certames somam R$ 160 bilhões em investimentos previstos e potencial de movimentar R$ 600 bilhões nos próximos anos. Durante participação no programa Bom Dia, Ministro, Santoro anunciou que a Ferrovia Transnordestina registrou neste domingo (6) o maior volume de trilhos assentados em um único dia na história do Brasil: 1.700 metros, com projeção de superar 200 quilômetros de trilhos novos ao longo de 2026.

O Brasil saiu de 35 mil quilômetros de malha ferroviária para 10 mil quilômetros operacionais, e hoje acumula 25 mil quilômetros de trilhos sem uso mapeados pelo Ministério dos Transportes, segundo Santoro. O frete do Mato Grosso ao Porto de Santos (SP) custa mais caro do que de Santos até Xangai, segundo o ministro. “A gente precisa acabar com isso”, afirmou. A meta da política é elevar a participação do modal ferroviário na matriz logística brasileira dos atuais 17,7% para 34,6% até 2035, de acordo com o Plano Nacional de Logística (PNL 2035).

O modelo adotado é o de ferrovias inteligentes, que reduz o processo de concessão tradicional de três a quatro anos para cerca de um ano, por meio de autorizações simplificadas com aporte governamental para recuperação dos ativos. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciará em breve uma linha de financiamento específica para o setor, com prazo estendido e voltada à atração de investidores da Europa e da China. “Os técnicos sempre sonharam com isso. Para retomar a ferrovia o governo precisa colocar dinheiro. Não tem como desenvolver ferrovias sem diminuir o risco desse empreendedor. Esses são os primeiros oito”, afirmou Santoro.

Projetos nordestinos e atrasos no cronograma

O projeto nordestino de maior porte na carteira é o Corredor Leste-Oeste (FICO-FIOL), com 1.647 quilômetros entre Caetité (BA) e Água Boa (MT), dos quais 485 quilômetros percorrem o território baiano, ligando Barreiras a Caetité e conectando o interior da Bahia ao litoral para escoamento de grãos, minerais e produtos agroindustriais.

O leilão do trecho foi reprogramado para dezembro de 2026. Todos os oito leilões da carteira acumulam atrasos em relação ao cronograma original, com parte dos projetos remanejada para 2027. O Ministério dos Transportes atribui os remanejamentos a ajustes em estudos técnicos, elaboração de minutas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e tramitação no Tribunal de Contas da União (TCU).

Transnordestina e exportações

Considerada pelo governo federal o principal projeto estruturante para o Nordeste, a Ferrovia Transnordestina completa 20 anos de obras em junho de 2026 com avanço acelerado: a Fase 1, que liga Paes Landim (PI) ao Porto de Pecém (CE) em 1.206 quilômetros, está 81% concluída, com 727 quilômetros finalizados e 326 quilômetros em execução. O investimento total estimado é de R$ 15 bilhões, dos quais R$ 11,3 bilhões já foram aplicados. Testes operacionais iniciados em dezembro de 2025 transportaram 946 toneladas de sorgo do Terminal Intermodal do Piauí (TIPI) ao Terminal Logístico de Iguatu (CE). Santoro afirmou que o trecho até o Porto de Pecém será entregue até o final de 2026. A previsão de conclusão da Fase 1 é 2027 e da Fase 2, que liga Paes Landim a Eliseu Martins (PI), é 2028.

O projeto tem extensão total de 1.757 quilômetros1.209 km na linha principal passando por Salgueiro (PE) e 548 km no ramal pernambucano em direção ao Porto de Suape (PE). Após a retirada do trecho pernambucano da concessão durante o governo anterior, a atual gestão assumiu a responsabilidade pela execução, concluiu os estudos executivos e realizou a licitação da obra, com início dos trabalhos aguardando a conclusão de pendências junto a órgãos de controle. O

governo também incorpora ao Plano Nacional de Logística (PNL) um corredor ferroviário que conectará a Ferrovia Norte-Sul à Transnordestina por meio de Salgueiro (PE), classificado por Santoro como “o principal entroncamento logístico do Nordeste”. Em operação plena, a projeção é que o Porto de Pecém alcance 28 milhões de toneladas por ano pelo corredor ferroviário.

O Brasil exportava 5 milhões de toneladas de alimentos há 30 anos e hoje movimenta 240 milhões de toneladas, ocupando a quinta posição mundial em volume de carga, com projeção de chegar à segunda posição em 10 anos. “O Brasil tem uma curva de carga para exportação crescente nos últimos 30 anos. Para isso, é preciso ter logística, ferrovias e rodovias com segurança e tirar os gargalos de logística. Isso é fundamental para o Brasil”, afirmou Santoro.

*Com informações da Agência Gov

Leia mais: “Transnordestina até Suape é prioridade”, diz presidente da Infra S.A.

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