
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) autorizou, nesta segunda-feira (22), a liberação de R$ 700 milhões para a Ferrovia Transnordestina, com recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). A medida foi aprovada por unanimidade pela Diretoria Colegiada da autarquia e incluiu também o empenho adicional de R$ 115,4 milhões, valor que complementa a parcela contratual de R$ 1 bilhão destinada ao projeto, principalmente no trecho cearense.
Segundo o diretor de Gestão de Fundos e Incentivos Fiscais da Sudene, Heitor Freire, a liberação foi autorizada após a apresentação das comprovações física, financeira e contábil da obra pela concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA). A documentação foi validada pelo Banco do Nordeste, agente operador do fundo.
A Sudene é uma das principais financiadoras da ferrovia. A autarquia prevê o investimento de R$ 7,4 bilhões até 2027, dos quais R$ 6,1 bilhões já foram liberados, incluindo R$ 800 milhões oriundos do antigo Finor. Os recursos estão voltados à execução da Fase 1 do projeto, que interliga Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE).
100% da execução contratada e avanço físico no Ceará
Com os novos aportes, o empreendimento passou a contar com 100% da execução contratada, conforme informado pela Sudene. Em 11 de dezembro, foram assinadas as ordens de serviço para os lotes 9 e 10, considerados os trechos de maior complexidade técnica da obra. O lote 9, com 46 km, liga Baturité a Aracoiaba. O lote 10, com 51 km, vai de Aracoiaba a Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Esses dois segmentos atravessam o Maciço de Baturité, exigindo soluções de engenharia específicas. A execução desses trechos é considerada fundamental para a conexão da linha férrea ao litoral cearense e sua integração ao Porto do Pecém, principal terminal vinculado ao projeto.
Operação-teste com trem de carga marca novo estágio da Transnordestina
A liberação dos recursos ocorreu logo após o início da fase de testes operacionais da ferrovia. Na sexta-feira (19) um trem de carga com 20 vagões carregados de milho percorreu 585 quilômetros entre Bela Vista (PI) e Iguatu (CE). A viagem foi concluída em 12 horas e 8 minutos, abaixo da previsão inicial de 14 horas.
Essa operação marca o início do comissionamento da Transnordestina, etapa que antecede o transporte regular de cargas. A expectativa da TLSA é iniciar a operação comercial em 2026, com conclusão das obras da Fase 1 prevista para 2028.
O superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, destacou o avanço do projeto e o compromisso da autarquia com a viabilização da obra: “A Transnordestina deixou de ser uma promessa de longo prazo para se consolidar como uma realidade operacional. Este aporte de R$ 700 milhões reafirma o papel da Sudene na viabilização de uma obra com alto potencial de transformação da logística nordestina.”
*Com informações da Sudene
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