
O maior banco privado do país surpreendeu o mercado ao anunciar, nesta segunda-feira (8), uma onda de demissões que atinge principalmente as áreas de tecnologia e atendimento. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, cerca de mil funcionários foram desligados, número não confirmado oficialmente pelo Itaú Unibanco. Os cortes se concentraram em colaboradores que atuavam em regime remoto ou híbrido, reacendendo o debate sobre produtividade, uso de ferramentas de monitoramento e a cultura de confiança no trabalho a distância.
A instituição informou que as demissões ocorreram após uma revisão interna sobre condutas relacionadas ao trabalho remoto e ao controle de jornada. Alega que foram identificadas práticas consideradas incompatíveis com os princípios de confiança, principalmente discrepâncias entre os registros nos sistemas do banco e o ponto eletrônico. Relatos de funcionários apontam que o tempo de inatividade superior a quatro horas foi utilizado como métrica decisiva para os desligamentos.
Em nota o Itaú declarou: “Em alguns casos, foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco. Essas decisões fazem parte de um processo de gestão responsável e têm como objetivo preservar nossa cultura e a relação de confiança que construímos com clientes, colaboradores e a sociedade.”
O sindicato, por sua vez, repudiou a medida, alegando que os desligamentos ocorreram de forma unilateral, sem diálogo prévio ou aplicação de medidas disciplinares intermediárias. Em nota pública, afirmou: “O sindicato seguirá cobrando do Itaú responsabilidade social, diálogo e compromisso com os trabalhadores e vai intensificar os protestos contra as demissões.”
Apesar do impacto humano, os cortes ocorrem em um contexto de solidez financeira da instituição. O Itaú encerrou 2024 com lucro líquido superior a R$ 22 bilhões, mantendo uma força de trabalho de cerca de 100 mil pessoas no Brasil e no exterior. Analistas observam que a decisão está alinhada à estratégia de controle de custos e eficiência operacional que bancos vêm adotando para se manterem competitivos frente ao avanço das fintechs e da digitalização dos serviços.
Trabalho remoto
A repercussão do caso amplia o debate sobre os dilemas do modelo híbrido e o uso crescente de ferramentas digitais para mensurar produtividade. Com a adoção de sistemas que monitoram tempo de atividade, acesso a plataformas e interação com ferramentas internas, decisões sobre desempenho passaram a ser baseadas em métricas automatizadas. No trabalho remoto, esses critérios têm sido utilizados por empresas como parâmetro de avaliação, mesmo diante da ausência de supervisão direta ou de advertências formais.
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