- Publicidade -

Braskem reavalia joint venture no México em meio à crise

Com dívida líquida de cerca de US$ 2 bilhões, a Braskem Idesa encerrou o segundo trimestre de 2025 com Ebitda negativo de US$ 11 milhões
- Publicidade -
Unidade da Braskem em Maceió no bairro do Pontal da Barra
Unidade da Braskem em Maceió, no bairro do Pontal da Barra/Foto: Braskem

A Braskem anunciou, em comunicado publicado nesta segunda-feira (8), que a Braskem Idesa — joint venture da companhia no México — contratou as consultorias Lazard Inc., Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP e Sainz Abogados para auxiliar na avaliação de alternativas econômico-financeiras voltadas à reestruturação de capital e à melhoria das condições de liquidez da operação.

Segundo a companhia, a decisão ocorre diante de um cenário macroeconômico adverso, com volatilidade nos preços das commodities, custos elevados de insumos e uma demanda global abaixo do inicialmente projetado para o setor petroquímico. A Braskem destaca que o objetivo da revisão é preservar a liquidez e melhorar os resultados da Braskem Idesa, que enfrenta desafios operacionais e financeiros relevantes.

A joint venture, formada com a mexicana Idesa e instalada em Coatzacoalcos, acumula dificuldades desde sua constituição. A empresa teve a produção comprometida pela incapacidade da estatal Pemex de fornecer etano em volume suficiente, o que limitou o uso da capacidade instalada de 1,05 milhão de toneladas por ano. Nos últimos anos, o quadro foi parcialmente contornado com a construção do terminal próprio de importação de gás natural (TQPM), cuja operação ainda não atingiu estabilidade total.

Com dívida líquida de cerca de US$ 2 bilhões, a Braskem Idesa encerrou o segundo trimestre de 2025 com Ebitda negativo de US$ 11 milhões. A crise operacional, somada ao momento mais frágil do ciclo petroquímico global, elevou os riscos financeiros da unidade. Fontes do setor apontam que as alternativas em análise incluem a conversão de dívidas em participação acionária ou a emissão de novos instrumentos vinculados à estrutura societária.

A situação abre espaço para um possível aumento da participação do Grupo Carso, conglomerado liderado por Carlos Slim e controlador atual da Idesa. Além de sócio, Slim também é credor da joint venture, e tem demonstrado interesse estratégico em expandir sua presença no setor de óleo, gás e petroquímica. A Braskem, por sua vez, busca preservar sua posição majoritária no empreendimento, embora reconheça o avanço das negociações.

Paralelamente, a empresa brasileira continua sendo alvo de negociações para venda de seu controle acionário. Conforme noticiado pelo Movimento Econômico, o fundo Apollo Global Management e a Novonor (antiga Odebrecht) mantêm conversas avançadas com diferentes investidores para concluir uma operação que pode envolver ativos no Brasil e no exterior. Carlos Slim também é citado nos bastidores como potencial interessado em parte desses ativos, especialmente em estruturas operacionais integradas.

Braskem
Bairros afundados em Maceió pelas minas da Braskem/Foto: Observatório da Mineração

Passivo da Braskem em Alagoas

Além dos desafios financeiros, a Braskem carrega um dos maiores passivos ambientais do setor no Brasil. A extração de sal-gema em Maceió (AL), realizada pela companhia, resultou no afundamento de bairros inteiros e no deslocamento de mais de 60 mil moradores. O caso segue sob investigação do Ministério Público Federal e representa um passivo estimado em R$ 14 bilhões. A gravidade da situação tem sido considerada um fator de atenção em qualquer movimentação de compra da companhia.

A Braskem informou que manterá o mercado atualizado sobre desdobramentos relevantes e reforçou que declarações de caráter prospectivo refletem a visão da administração diante do contexto econômico atual.

Leia também:

Braskem notifica Algás sobre fim da produção de cloro-soda em Maceió

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -