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Braskem notifica Algás sobre fim da produção de cloro-soda em Maceió

Encerramento da unidade da Braskem em Maceió pode reduzir consumo de gás natural e afetar arrecadação estadual
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Braskem notifica Algas sobre fim da produção de cloro-soda em Maceió - Unidade da Braskem em Maceió no bairro do Pontal da Barra
Unidade da Braskem em Maceió no bairro do Pontal da Barra, em Maceió. Foto: Braskem/Divulgação

A Braskem notificou a Algás (Gás de Alagoas S.A.) sobre a decisão de encerrar a produção de cloro-soda em Maceió. A informação foi confirmada ao Movimento Econômico por fonte próxima ao processo. Embora ainda não exista uma data definida, a medida deve provocar impacto direto na economia estadual, já que a companhia é o maior consumidor industrial de gás natural em Alagoas e uma das indústrias de maior peso na economia local.

A desativação da unidade deve reduzir significativamente a demanda de gás distribuído pela Algás, o que afeta a receita da concessionária e pode repercutir na arrecadação de ICMS. Segundo apuração, o governo de Alagoas está ciente do caso e deve avaliar internamente os efeitos sobre as contas públicas e o desempenho econômico do estado.

Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, a Braskem consumiu cerca de 440 mil m³/dia de gás natural em Alagoas em 2022. Já o relatório da agência de classificação de risco Moody’s Local, divulgado em 2024, aponta que em 2023 um único cliente industrial respondeu por 51,7% da margem de distribuição da Algás, participação que analistas de mercado atribuem à Braskem. Esse histórico ajuda a explicar por que a empresa comunicou previamente a concessionária a decisão de encerrar a produção de cloro-soda.

A perda de um consumidor desse porte tende a alterar de maneira significativa a estrutura de receitas da distribuidora. Como se trata de uma concessionária regulada, os efeitos podem repercutir também no equilíbrio tarifário e em eventuais revisões de planos de investimento da companhia.

Braskem atua há décadas em Alagoas

A presença da Braskem em Maceió remonta à antiga Salgema Indústrias Químicas, incorporada posteriormente ao grupo. A produção de cloro-soda foi um dos pilares da indústria química local e contribuiu por anos para a arrecadação estadual e para a geração de empregos diretos e indiretos.

Em 2019, a exploração de sal-gema em Maceió foi suspensa após o afundamento de bairros da capital. O episódio resultou em danos urbanos de grande escala e levou à desmobilização de dezenas de poços. Desde então, a Braskem passou a importar sal do Chile para manter em operação a planta de cloro-soda, localizada no Pontal da Barra.

Essa mudança elevou custos e reduziu a competitividade da operação, mas ainda assim a fábrica continuou sendo estratégica para a cadeia química instalada em Alagoas.

O encerramento da unidade pode ter efeitos diretos sobre postos de trabalho ligados à operação, tanto em Maceió quanto em Marechal Deodoro. A planta instalada no município vizinho é responsável pela produção de PVC e utilizava insumos provenientes da unidade do Pontal da Barra. Uma eventual paralisação da cloro-soda exigiria importação de matérias-primas ou a reconfiguração do processo produtivo, o que eleva incertezas sobre a continuidade da atividade.

Do ponto de vista macroeconômico, a saída da produção pode refletir em números importantes, como o PIB e na arrecadação de ICMS, tanto pela queda no consumo de gás natural quanto pela eventual diminuição da produção industrial.

Contexto corporativo nacional

O comunicado ocorre em um momento de indefinição sobre o futuro da Braskem em âmbito nacional. A companhia tem como principal acionista a Novonor (antiga Odebrecht), envolvida em negociações para a venda de sua fatia na petroquímica. Esse processo gera incertezas sobre estratégias de longo prazo e sobre o direcionamento de investimentos em unidades localizadas fora do eixo Sul-Sudeste.

Analistas do setor destacam que movimentos de desmobilização em plantas do Nordeste podem estar ligados à busca por eficiência operacional e à priorização de ativos considerados mais competitivos no mercado global.

Caso se confirme oficialmente, o encerramento da produção de cloro-soda em Maceió representará o fim de um ciclo industrial que marcou a economia alagoana por décadas. A unidade foi responsável por consolidar o setor químico no estado e funcionou como referência para a formação de mão de obra técnica especializada.

Os desdobramentos da decisão vão além da esfera empresarial. Eles atingem cadeias produtivas, empregos, arrecadação fiscal e planejamento de infraestrutura, consolidando o episódio como um dos mais relevantes para a economia alagoana nos últimos anos.

Embora ainda não exista manifestação pública, já que Algás e Braskem não se posicionaram oficialmente, a expectativa é de que o governo de Alagoas acompanhe de perto os desdobramentos. Fontes ouvidas pelo Movimento Econômico avaliam que secretarias estaduais devem avaliar os potenciais impactos fiscais, econômicos e setoriais.

Leia mais: Braskem importa sal do Chile para manter produção em AL

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