
Municípios de médio porte do interior do Nordeste consolidaram-se como importantes polos de geração de empregos formais. Segundo a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), o estoque de empregos formais na região alcançou 7,67 milhões de vínculos ativos em 2024, com destaque para cidades fora das capitais. As oito principais cidades médias mencionadas no Boletim Temático Emprego e Rendimento — Feira de Santana, Campina Grande, Petrolina, Caruaru, Vitória da Conquista, Mossoró, Imperatriz e Juazeiro do Norte — somam aproximadamente 722 mil empregos formais, o equivalente a cerca de 9,4% do total de empregos da região. O desempenho dessas cidades confirma a relevância dos polos de médio porte para a economia nordestina.
O relatório destaca que, apesar da tradicional concentração de empregos formais nas capitais e seus arredores, algumas cidades do interior vêm consolidando clusters relevantes de emprego, com estoques entre 50 mil e 300 mil vínculos, impulsionados por fatores como economias de aglomeração, maior demanda agregada, investimentos públicos estratégicos e a expansão de instituições de ensino superior. Essa transformação configura um processo de interiorização do desenvolvimento, com efeitos estruturantes na organização do mercado de trabalho regional.
De acordo com José Farias, coordenador-geral de Estudos e Pesquisas da Sudene, a formação desses clusters está relacionada à criação de um ambiente de negócios mais favorável, sustentado historicamente. Para o economista Miguel Vieira Araújo, também da Sudene, o fortalecimento dessas cidades resulta da ampliação da infraestrutura e da qualificação da mão de obra, impulsionadas pela presença de universidades e institutos federais e estaduais.
No recorte setorial, o setor de serviços lidera a geração de empregos no Nordeste, respondendo por 47,1% dos vínculos formais, seguido pelo comércio com 24,7%. A indústria participa com 16,3%, a construção civil com 7,7% e a agropecuária com 4,2%. Em comparação ao cenário nacional, o Nordeste apresenta uma maior participação relativa da construção civil e da agropecuária, refletindo as características econômicas regionais.
Evolução do mercado de trabalho no Nordeste
O boletim também chama atenção para a evolução recente do mercado de trabalho, destacando que a região criou 355,8 mil novos vínculos formais em 2024, um crescimento de 4,9%, superior ao registrado no Sul (3,9%) e Sudeste (3,6%). Esse desempenho reforça a importância do Nordeste na dinâmica nacional de geração de empregos.
A remuneração real média no Nordeste foi de R$ 2.676,18 em 2024, cerca de 72% da média nacional. Embora persista uma desigualdade salarial em relação ao Sudeste, a comparação com dados históricos revela avanços na qualidade dos empregos, com destaque para o crescimento da participação do setor industrial no emprego formal entre 2013 e 2023, passando de 13% para mais de 16% no período, enquanto no Brasil esse crescimento foi de apenas 1 ponto percentual.

Perfis das cidades médias mencionadas no estudo da Sudene
Feira de Santana (BA)
Lidera a geração de empregos formais entre os municípios do interior nordestino, com 142.479 vínculos ativos. O desempenho é impulsionado pelos setores de comércio varejista, serviços administrativos e indústria, que responde por mais de 15% dos empregos locais.
Campina Grande (PB)
Com 106.776 empregos formais, Campina Grande se consolida como o maior polo gerador de empregos na Paraíba. A cidade é referência nos setores de tecnologia da informação, comércio e educação.
Petrolina (PE)
O estoque de empregos formais alcançou 84.043 vínculos. O agronegócio, especialmente a fruticultura irrigada, responde por 30% dos empregos, consolidando a cidade como um dos maiores polos de exportação de frutas do país.
Caruaru (PE)
Conta com 81.619 empregos formais. A economia local é marcada pela força da indústria de confecções, responsável por 20% dos empregos, além de comércio e serviços.
Vitória da Conquista (BA)
Possui 81.666 empregos formais, com destaque para os setores de comércio varejista e indústria, que juntos respondem por cerca de 36% das ocupações.
Mossoró (RN)
Soma 76.156 empregos formais, com destaque para a exploração de petróleo e gás e a produção de sal marinho.
Imperatriz (MA)
Conta com 59.588 empregos formais. O setor de comércio e serviços concentra mais de 80% das ocupações, complementado pela indústria de transformação.
Juazeiro do Norte (CE)
Possui aproximadamente 70 mil empregos formais, com destaque para os setores de comércio e serviços, que concentram mais de 80% das ocupações. A cidade é um polo econômico relevante do interior cearense, com forte apelo no turismo religioso e atividades comerciais.
Leia mais: Rio Grande do Norte lidera crescimento do setor de serviços no Brasil










