Nesta quinta-feira (08) o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Pernambuco (Crea-PE) abre espaço para um debate sobre o Arco Metropolitano, com a participação do poder público e da sociedade civil. O projeto que vem sendo discutido há quase 20 anos é apontado como solução para desafogar o trânsito da BR 101 no contorno urbano da Região Metropolitana do Recife
No entanto, os impactos ambientais que o projeto pode causar geram diversos questionamentos. O Crea-PE quer achar um ponto de equilíbrio para a implantação do Arco dentro da lógica do desenvolvimento sustentável, com alternativas viáveis sob os aspectos ambientais, econômicos, sociais e tecnológicos.
O evento virtual é organizado pelo Comitê Tecnológico Permanente (CTP) do Crea-PE e é o primeiro do eixo “Um projeto para Pernambuco e o Brasil”, que vai debater temas de relevância para o Estado e o País.
O Arco pretende ligar Igarassu ao Cabo de Santo Agostinho, criando uma nova alternativa de rota na RMR. “O trecho da BR 101, que liga a Mata Norte, nas imediações de Igarassu, à Mata Sul, na saída de Jaboatão, não suporta mais a quantidade de veículos. É importante uma solução como o Arco Metropolitano, mas precisamos de um projeto num conceito da sociedade atual, com sustentabilidade. Não pode ser qualquer solução. Precisa respeitar o meio ambiente, as boas práticas da engenharia”, destaca o presidente do Crea-PE, Adriano Lucena.
O CTP, que organiza o evento, é um comitê formado por profissionais com experiência e liderança nas áreas de atuação da engenharia, agronomia e geociências. Um de seus coordenadores, o engenheiro civil João Recena, que vai mediar o debate, diz que o primeiro desafio é ajudar a construir alternativas viáveis, do ponto de vista ambiental e econômico, para a implantação do Arco Metropolitano.
Segundo Recena, o Arco é hoje o projeto que vai conectar Pernambuco ao desenvolvimento econômico, com ampliação de captação de novos projetos industriais. “O desafio é enorme para conjugar de forma satisfatória um caminho que possa ser percorrido harmonicamente pela viabilidade econômica e ambiental”, observa Recena, que mediará o debate.
O encontro da quinta-feira terá a participação da engenheira civil Fernandha Batista, que está à frente da Secretaria de Infraestrutura e Recursos Hídricos de Pernambuco, pasta responsável pela execução do projeto. O outro palestrante será o engenheiro eletricista Herbert Tejo, que preside o Fórum Socioambiental de Aldeia. Um dos estudos de traçado previsto para a via passa justamente pela Área de Proteção Ambiental Aldeia Beberibe.
“O Arco Metropolitano é uma obra estratégica para a melhoria da infraestrutura logística, e que contribuirá para o desenvolvimento econômico e social do Estado, a partir da melhoria da qualidade no transporte coletivo e do incremento no escoamento da produção. O objetivo do Governo do Estado é assegurar a elaboração de bons projetos de engenharia, que contemplem os aspectos técnicos e socioambientais da iniciativa”, afirma a secretária de Infraestrutura e Recursos Hídricos, Fernandha Batista.
Herbert Tejo, presidente do Fórum Socioambiental de Aldeia, faz questão de frisar a importância do Arco Metropolitano, da necessidade de se criar uma alternativa viária para a BR 101. “Hoje a BR 101 virou uma grande avenida por conta do fluxo de carros”, aponta Tejo. Ele destaca que o ponto principal da sua discussão é referente ao trecho que vai da BR 101 norte à BR 408, no limite de Paudalho/São Lourenço. O traçado, segundo Herbert, causa um impacto ambiental prejudicial não só pela mata, mas por nascentes ribeirinhas. Ele reconhece ser um debate difícil, mas acredita que o evento promovido pelo Crea poderá abrir espaço para ideias viáveis e que contemplem o projeto, respeitando o meio ambiente.
O engenheiro civil Maurício Andrade e a engenheira florestal Isabelle Meunier participarão do evento como debatedores. Por conta da pandemia, o encontro acontece de forma virtual. Será transmitido ao vivo a partir das 19h pela TV Crea-PE, no YouTube. Haverá espaço para interação com o público, com perguntas para os participantes.










