
A missão comercial brasileira na Coreia do Sul, encerrada na segunda-feira (23), consolidou um avanço estratégico para a fruticultura do Nordeste. Liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, a negociação conseguiu uma redução da tarifa de exportação da manga de 30% para 5%. O acordo atinge diretamente o Vale do São Francisco, região responsável por mais de 90% das exportações brasileiras da fruta e principal fornecedora do mercado asiático.
O presidente da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas), Guilherme Coelho, que integra a comitiva oficial, destacou que a competitividade dos produtores nordestinos foi fundamental para a rápida aceitação da fruta na 13ª maior economia do mundo. Desde a abertura do mercado sul-coreano em 2023, o Brasil — liderado pela produção irrigada de Pernambuco e Bahia — já conquistou quase um quinto das vendas de manga no país.
“Em 2023, abrimos o mercado para a manga brasileira e, em pouco mais de três anos, já conquistamos aproximadamente 18% do mercado de manga na Coreia do Sul. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, negociou a redução da tarifa para 5% no primeiro semestre, dentro de uma cota de 18 mil toneladas da fruta”, explicou Coelho.
A redução tarifária deve acelerar o escoamento da safra do Vale, que já registrou uma receita de US$ 10,2 milhões com exportações para o país asiático em 2025.
Volume de exportações de manga
Segundo o Observatório de Mercado de Manga da Embrapa Semiárido, em janeiro deste ano foram exportadas cerca de 12,9 mil toneladas da fruta pelo Brasil, número maior do que a média histórica (7 mil) e mais alta do que os volumes do mesmo mês de 2024 (11 mil) e de 2025 (11,1 mil). Em valores, a exportações das variantes Palmer e Tommy representaram US$ 15,6 milhões.
A maior parte das mangas exportadas teve origem em Pernambuco (64,39%) e na Bahia (26,6%). Os estados de São Paulo (6,4%) e Rio Grande do Norte (1,44%), também contribuíram para os resultados obtidos. A principal via de envio foi a marítima (86,45%), com 78,5% do total despachado pela alfândega de Fortaleza (CE) e 7,2% pelo Aeroporto de Guarulhos (SP).
Abertura de mercado para a uva brasileira
Outra notícia aguardada pelos produtores do Semiárido é o avanço na abertura do mercado para a uva. Com auditorias confirmadas para o mês de setembro, técnicos sul-coreanos devem visitar as fazendas do Vale do São Francisco para validar os protocolos fitossanitários. A expectativa é que o mercado seja plenamente aberto ainda em 2026.
Segundo Guilherne Coelho, a capacidade técnica nacional é o diferencial para enfrentar as exigências sul-coreanas. “Trata-se de um mercado rigoroso, com exigências fitossanitárias elevadas. No entanto, nossos produtores possuem experiência e capacidade técnica para atender plenamente a esses critérios”, ressaltou o presidente da Abrafrutas.
Para além da manga: novas fronteiras para o agronegócio
Além das frutas, a missão oficial garantiu avanços para as proteínas animais. O governo sul-coreano confirmou a fase final para a exportação de ovos brasileiros, com a emissão do certificado sanitário prevista para os próximos dias.
No setor de carnes, a Coreia do Sul realizará auditorias em plantas frigoríficas para carne bovina — uma demanda brasileira que tramitava desde 2008 — e ampliará a análise para estados exportadores de carne suína.
O ministro Carlos Fávaro celebrou o progresso nas negociações de proteínas. “O presidente sul-coreano confirmou que recebeu toda a documentação para a abertura do mercado do ovo brasileiro para a Coreia do Sul. Aguardamos nos próximos dias a emissão do certificado. […] Cumprimos todos os protocolos e o presidente Lee garantiu de forma expedita que vai fazer auditoria nas plantas frigoríficas brasileiras”, afirmou o ministro.
Sobre a suinocultura, Fávaro destacou a inclusão de estados livres de febre aftosa e peste suína clássica nas análises coreanas. “Um avanço importante para a nossa suinocultura”, declarou.
Segurança alimentar e potencial de mercado
A Coreia do Sul, com mais de 51 milhões de habitantes, é vista como um parceiro estratégico para a segurança alimentar global. Em 2025, o Brasil já havia exportado 3,3 mil toneladas de frutas para o país, gerando US$ 10,2 milhões em receita, principalmente com manga e açaí.
Guilherme Coelho, ao palestrar no painel “Agrobusiness e Segurança Alimentar”, reforçou o compromisso do setor com a sustentabilidade. “Durante minha apresentação, destaquei o patamar de excelência que nossos fruticultores alcançaram em qualidade de produção, com respeito às exigências ambientais, sociais e fitossanitárias. Precisamos ampliar cada vez mais a presença das frutas brasileiras nesse mercado”, disse.
Além dos produtos já anunciados, o Ministério da Agricultura e a Abrafrutas trabalham para viabilizar, em um futuro próximo, a exportação de melão e limão Tahiti para os consumidores coreanos.
Com informações da Agência Gov
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