
O Governo Federal oficializou o repasse de mais de R$ 22 milhões para o fortalecimento da produção rural e infraestrutura de assentamentos no Rio Grande do Norte. O aporte financeiro se concentra na estruturação de cadeias produtivas e na garantia de direitos fundiários, com o programa Da Terra à Mesa recebendo a maior fatia dos recursos, totalizando R$ 12,59 milhões destinados a atender 1.259 famílias de agricultores.
A distribuição do capital foca na inclusão de grupos específicos, reservando metade do atendimento para mulheres e 20% para jovens do campo. A estratégia busca garantir a sucessão rural e a autonomia financeira em propriedades familiares.
O montante será aplicado em assessoria técnica e infraestrutura, permitindo que os produtores realizem a transição para modelos agroecológicos e adaptem suas terras aos desafios climáticos atuais.
Estruturação produtiva e assistência técnica
No setor de equipamentos e logística, foram entregues três colheitadeiras de arroz para produtores locais, além do anúncio de uma parceria de R$ 1 milhão com a Emater.
Este recurso é voltado especificamente para a Assistência Técnica e Extensão Rural na cadeia produtiva do leite, setor que demanda rigor técnico para manter a competitividade regional e o escoamento para os mercados consumidores do estado.
Outro pilar da agenda econômica foi o reforço no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), com a reserva de R$ 10 milhões.
O programa funciona como um mecanismo de garantia de compra pelo Estado, assegurando que o produtor tenha destino certo para sua colheita. A estimativa é de que a iniciativa beneficie cerca de 272 mil pessoas, incluindo o fornecimento para cozinhas solidárias e movimentos sociais.
Regularização fundiária e segurança jurídica
A agenda de infraestrutura social contemplou a entrega de 168 títulos definitivos de terra pelo Incra no município de São Paulo do Potengi. A regularização fundiária é um indicador de segurança econômica para o produtor, pois permite o acesso a linhas de crédito bancário e garante a permanência da família na terra com respaldo jurídico total.
“Eu estou muito emocionada só de saber que agora tenho uma moradia fixa para mim e pra minha família, é uma maravilha. Estou muito feliz”, conta a senhora Maria Cezário, produtora que cria subsistência no assentamento Lagoa Nova.
A posse definitiva do imóvel rural é considerada o primeiro passo para que pequenas propriedades consigam investir em tecnologia e aumento de produtividade.
Educação e fomento à agroecologia
O setor educacional recebeu o lançamento de um Curso Superior de Tecnologia em Agroecologia, em cooperação com o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).
O investimento de R$ 2,7 milhões visa formar mão de obra qualificada para atuar na gestão de propriedades rurais sustentáveis. Além disso, foram destinados R$ 7,58 milhões para o Mutirão das Mulheres, focado na regularização documental e cidadania.
“Vão ser dez mil investimentos não reembolsáveis e o assessoramento técnico para estruturação produtiva dessas propriedades da agricultura familiar. Vem o investimento que pode ser utilizado em várias atividades: pode ser para transição agroecológica, para adaptação climática, para quintais produtivos, pode ser também para apoio de redes de cooperativas”, afirmou a ministra Fernanda Machiaveli.
Cooperativismo e beneficiamento de produtos
A infraestrutura de beneficiamento foi reforçada com a inauguração de um entreposto de ovos da Cooppotengi. A unidade possui capacidade para processar até três mil ovos por dia, permitindo que pequenos produtores do território atendam às normas sanitárias e alcancem prateleiras de supermercados e programas de merenda escolar. O projeto contou com suporte da Fundação Banco do Brasil e do governo estadual.
“Quando eu cheguei lá fiquei muito feliz de ver quantas políticas públicas já chegaram naquele território. Estava lá o selo Meu Combustível Social, mais de 16 milhões que foram investidos”, contou a ministra.
“Estavam lá os investimentos do governo do estado, por meio da Sedraf, com aportes para realização daquelas ações e recursos do Banco do Brasil, da Fundação Banco do Brasil para constituição de uma entreposto de ovos”, acrescentou.
Impacto macroeconômico regional
A integração entre os repasses federais e a gestão da governadora Fátima Bezerra sinaliza um esforço para transformar a agricultura familiar em um motor de desenvolvimento regional.
Ao investir na organização das cooperativas e na comercialização, o Estado busca reduzir a dependência de produtos vindos de outras regiões, fortalecendo o mercado interno potiguar e gerando renda diretamente nas comunidades rurais.
O fortalecimento da agricultura familiar no Rio Grande do Norte reflete uma política de segurança alimentar nacional. A diversificação da produção, que abrange desde frutas e grãos até a pecuária de leite e avicultura, garante que o estado tenha maior resiliência econômica diante de oscilações de preços de commodities internacionais, mantendo a oferta de alimentos frescos e saudáveis para a população urbana.
Com informações da Agência Gov.
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