
Executivos do setor de investimentos da JBS Seara estiveram no Ceará para conhecer o Terminal Logístico de Iguatu (TLI) e o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), em uma visita técnica de dois dias, na quinta e sexta-feira (18 e 19) que avalia a infraestrutura logística construída em torno da Ferrovia Transnordestina. A comitiva, formada por profissionais vindos de São Paulo e Santa Catarina, foi recebida pelos sócios do TLI e, no Pecém, pelo presidente do complexo, Max Quintino.
Segundo Eugério Queiroz, sócio do Terminal Logístico de Iguatu, o convite para a visita já existia havia algum tempo, mas só agora pôde ser concretizado. “Eles queriam conhecer a gente. Já haviam nos convidado, mas não conseguimos. Vieram conhecer o Terminal Logístico de Iguatu, entender a demanda do terminal, entender a dinâmica para o Pecém. Foram profissionais do setor de investimentos da empresa. Gostaram do que viram. Entendemos que ninguém sairia de São Paulo e Santa Catarina se não tivessem interesse”, afirmou ao Movimento Econômico.

O sócio do TLI relaciona o grupo à divisão de aves da JBS. “Eles são da parte da JBS Seara. Não confirmaram, mas acredito que tenha ligação com frangos, especificamente na questão de processamentos”, disse Queiroz.
Para o empresário, o interesse da companhia está diretamente ligado ao avanço da ferrovia que corta o Centro-Sul cearense. “A Transnordestina é a principal indutora disso tudo, não existiria esse interesse se não fosse ela. Eles também foram conhecer a estrutura do porto do Pecém”, completou.
Na etapa da visita dedicada ao Complexo do Pecém, a comitiva foi recebida pelo presidente do CIPP, Max Quintino, que apresentou aos executivos os atributos institucionais do complexo portuário e industrial, um dos principais polos econômicos do Ceará, hoje em expansão nos setores de hidrogênio verde, logística e atração de investimentos.

Obras do TLI avançam para reta final
Sobre o andamento da obra do terminal, Eugério Queiroz informou que o terminal está em estágio avançado de execução. “O TLI está com cerca de 85% das obras executadas. A previsão de início é entre agosto e setembro. No início de julho devemos ter um novo carregamento de grãos”, disse.
Segundo o sócio do empreendimento, a etapa seguinte será a construção do terminal de containers, demanda apresentada pela própria Transnordestina e que já tem interessados mapeados, incluindo empresas voltadas ao mercado chinês e a própria Masterboi. “Após a conclusão do terminal, vamos focar nas obras do terminal de containers, um pedido da Transnordestina. Com cerca de 50 mil metros quadrados deve atender ao Pecém, empresas interessadas na China, entre elas, a Master Boi, que está com o frigorífico em obras”, afirmou Queiroz.

Masterboi também aposta em Iguatu
Iguatu é palco de outro movimento recente na cadeia frigorífica. A Masterboi, grupo pernambucano do setor de carne bovina, anunciou em março a construção de uma nova planta industrial em Iguatu, encerrando um jejum de mais de duas décadas sem frigoríficos de grande porte no Ceará. O investimento é de R$ 250 milhões, com capacidade para abater 1.000 animais por dia e geração de até 750 empregos diretos. A localização foi definida após análise de critérios técnicos como estrutura logística, segurança hídrica e a presença consolidada da pecuária de corte na região, fatores diretamente associados à proximidade do terminal intermodal da Transnordestina.
JBS e Seara
A JBS, dona da marca Seara, tem sede em São Paulo (SP). A companhia é uma multinacional de origem brasileira com mais de 70 anos de história, reconhecida como uma das líderes globais da indústria de alimentos, com sede na capital paulista e presença em mais de 20 países. A Seara, por sua vez, também não tem sede na região Nordeste. A marca tem sede em Itajaí, em Santa Catarina, onde mantém um terminal portuário privado de cargas gerais. A divisão passou a integrar o grupo JBS em 2013, quando a companhia comprou a marca e se tornou a maior processadora de frango do mundo. Hoje, a Seara responde pela maior parte da produção de aves e suínos da JBS no Brasil.
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