
O Governo Federal anunciou um pacote de R$ 500 milhões para obras de requalificação nas rodovias BR-324 e BR-116, na Bahia, e confirmou o retorno da gestão desses trechos à administração pública federal. A medida foi formalizada quatro dias após o fim da concessão operada pela concessionária ViaBahia, e marca a retomada do controle pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
As duas rodovias, que cortam a região de Feira de Santana, formam o maior entroncamento rodoviário do Nordeste e são fundamentais para o tráfego entre o Norte, Nordeste e Sudeste do país. Por elas, circulam diariamente cerca de 14 mil veículos, entre caminhões, ônibus e veículos de passeio.
Durante visita técnica a Feira de Santana nesta segunda-feira (19), o ministro dos Transportes, Renan Filho, assinou ordens de serviço que autorizam o início imediato das obras. O principal projeto é o Contorno de Feira de Santana, com 7,2 km de extensão. A obra contempla a duplicação de pistas, construção de vias marginais, quatro passarelas e três viadutos, totalizando R$ 179,42 milhões em investimentos no âmbito do Novo PAC.
Investimentos emergenciais e novas concessões
Com a devolução dos trechos ao DNIT, o governo firmou nove contratos emergenciais no valor total de R$ 273,7 milhões. As ações previstas incluem recuperação asfáltica, operação de tráfego, sinalização, além de serviços de socorro médico e mecânico. Os contratos garantem a continuidade da operação enquanto é estruturado um novo modelo de concessão.
De acordo com o ministro Renan Filho, os serviços serão mantidos sem cobrança de pedágio até que a nova licitação ocorra, prevista para o fim de 2025. O governo estima um aporte adicional de R$ 477 milhões com os contratos regulares de manutenção que substituirão os emergenciais.
Fim da concessão e retorno ao controle público
A decisão de encerrar a concessão à ViaBahia ocorreu após sucessivas notificações por descumprimento contratual e falta de execução de obras previstas no contrato original. O Ministério dos Transportes informou que a reversão ao modelo público tem caráter provisório, mas essencial para garantir segurança viária e trafegabilidade.
O diretor-geral do DNIT, Fabrício Galvão, destacou que a autarquia já mobilizou equipes para vistoria e levantamento das condições das rodovias. Segundo ele, o foco imediato é a eliminação de pontos críticos de conservação e a restauração dos trechos mais comprometidos.
Impactos regionais e logística do entroncamento
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, que acompanhou a comitiva federal, ressaltou que as intervenções são estratégicas para o escoamento da produção agroindustrial do estado e da região Nordeste. Feira de Santana, segunda maior cidade baiana, tem posição central na malha logística regional e responde por significativa fatia do PIB estadual.
As BRs 324 e 116 são corredores logísticos que conectam polos industriais de Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e Juazeiro às regiões Sul e Sudeste, além de integrarem a malha rodoviária internacional em direção ao Mercosul.

Produção e infraestrutura rodoviária na Bahia e no Nordeste
A Bahia é um dos principais estados produtores de grãos, frutas e derivados industriais do Nordeste. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado deverá colher cerca de 11 milhões de toneladas de grãos em 2025. Grande parte dessa produção depende do transporte rodoviário.
A BR-116 é a maior rodovia do país em extensão e corta o Nordeste de norte a sul, enquanto a BR-324 é a principal ligação entre a capital Salvador e o interior. Ambas são essenciais para o transporte interestadual de cargas e passageiros. A requalificação dessas vias representa um passo importante para ampliar a eficiência logística e reduzir custos operacionais.
Leia mais: Líder na licitação do trecho sul do Arco Metropolitano é desclassificada











