terça-feira, 16/04/2024

Carro elétrico popular: Lecar briga com BYD pela Ford Bahia

Por essa a BYD não esperava: na festa de lançamento do Dolphin Mini, Lecar apareceu para tentar roubar a cena, elevando a temperatura no mercado do carro elétrico popular
Flávio Assis (Lecar) anunciou briga com a BYD pelo complexo da Ford, escalando a guerra do carro elétrico popular no Brasil
Que astúcia: Flávio Assis fez a desconhecida Lecar virar notícia no dia no anúncio do Dolphin Mini, escalando a guerra do carro elétrico popular/Foto: Lecar (Divulgação)

Na guerra do carro elétrico popular no Brasil, a montadora brasileira Lecar pode até não conseguir o objetivo de ficar com o complexo que era operado pela norte-americana Ford, em Camaçari (BA). Mas é inegável que a empresa, no mesmo dia do lançamento do Dolphin Mini pela BYD, atingiu uma exposição de marca invejável, ao virar notícia nacional graças ao anúncio do interesse em herdar o parque automotivo. Nota 10 para a estratégia de marketing da até então desconhecida.

Na Bahia, o governo estadual confirmou o recebimento da proposta da Lecar.

- Publicidade -

“A empresa Lecar encaminhou e-mail nesta quarta-feira (28) à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia, em que afirma ter interesse na área da antiga Ford junto ao Estado da Bahia”, informa posicionamento divulgado pela pasta.

“Por intermédio do mesmo canal, a SDE orientou a empresa sobre como proceder, de acordo com as regras do processo legal de concorrência pública em curso”, finaliza a nota.

No outro lado do front, a greentech chinesa BYD foi procurada, mas não comentou a astúcia da concorrente.

- Publicidade -
Guerra do carro elétrico popular: o dia era de festa para o Dolphin Mini, mas Lecar não deixou a BYD brilhar sozinha
Na guerra do carro elétrico popular no Brasil, a BYD não tem um dia de paz, nem no lançamento do Dolphin Mini/Foto: BYD (Divulgação)

Entenda novo episódio na guerra do carro elétrico popular

A BYD – atualmente a maior fabricante de carros elétricos do mundo, após superar a Tesla em número de unidades produzidas no final do ano passado – assinou um protocolo de intenções com o governo da Bahia em outubro de 2022.

O acordo prevê um investimento de R$ 3 bilhões, num parque automotivo com estimativa de 5 mil empregos, entre diretos e indiretos em toda a cadeia. Será o maior polo industrial da empresa fora da China. O complexo terá três fábricas, que irão produzir chassis de ônibus, caminhões elétricos, veículos de passeio elétricos e híbridos, além de processar lítio e ferro fosfato.

Em outubro de 2023, a montadora oficializou que estava assumindo o complexo desativado da Ford, lançou a pedra fundamental do seu empreendimento e anunciou o início da produção entre o final de 2024 e o início de 2025.

Como a Lecar entrou na briga pela Ford Bahia?

O espólio imobiliário da Ford foi repassado ao governo da Bahia em 2023, no acerto de contas para que a companhia, diante do encerramento das operações, ressarcisse a administração estadual pelos incentivos fiscais recebidos.

O parque está parado desde janeiro de 2021, quando a montadora fechou no país. Com a assinatura do protocolo de intenções entre BYD e estado, além do lançamento da pedra fundamental da montadora, imaginou-se que o novo destino do complexo – que tem 4,7 milhões de m² de área total – estava selado.

Porém, o presidente e fundador da Lecar, Flávio Assis, atentou para um detalhe que tinha passado despercebido a muita gente. O aviso de chamamento público para o complexo, publicado pela SDE, estava aberto até esta quarta-feira (28).

O aviso, como é de praxe, informava que a BYD tinha interesse na área, mas – seguindo a legislação – deixava margem para outras empresas apresentarem proposta em relação ao imóvel indicado ou impedimentos legais à sua disponibilização, num prazo de 30 dias, a partir da publicação.

Como o dono da Lecar descobriu essa brecha? Ao tentar comprar, para sua futura montadora, equipamentos – entre eles, robôs e esteiras – que pertencem à Ford e ainda estão no parque. O capixaba chegou a visitar as instalações recentemente.

Guerra do carro elétrico popular: sedã médio 459 já vem sendo divulgado no site da Lecar, mas o projeto para bater de frente com a BYD é a versão hatch, que chegará às concessionárias por menos de R$ 100 mil
Sedã médio 459 já tem pré-reserva no site da Lecar, mas o veículo para bater de frente com a BYD na guerra do carro elétrico popular é a versão hatch, com preço inferior a R$ 100 mil/Foto: Lecar (Divulgação)

Quem é a Lecar?

Em seu site, a Lecar afirma “ter orgulho de ser uma montadora de automóveis brasileira”. Ainda segundo a página, o presidente Flávio Figueiredo Assis, tratado como “Elon Musk brasileiro”, selecionou pessoalmente toda equipe de engenheiros automotivos e especialistas, assim como parceiros de negócios, fornecedores e investidores qualificados”.

O texto define o objetivo da companhia como “o maior projeto de automóveis da história do Brasil”. “Nosso time de engenheiros criou um automóvel 100% elétrico com design, envolvimento e energia projetados por brasileiros para os brasileiros”, sustenta o conteúdo.

Na prática, a estrutura da empresa é, atualmente, um escritório no Brascan Century Plaza, em Barueri (SP). Já os futuros veículos ainda estão em fase de desenvolvimento e homologação. O modelo já divulgado no site é o Lecar 459, um sedã médio que a empresa quer lançar até o próximo ano.

Flávio Assis, no entanto, tem um outro projeto. Esse sim, é voltado para bater de frente com o Dolphin Mini, que acaba de chegar ao mercado, com preço sugerido de R$ 115.800 – o mais barato dos elétricos no Brasil, até o momento.

Trata-se de uma versão hatch do Lecar 459, que deverá chegar às concessionárias, segundo a montadora, por menos de R$ 100 mil, ou seja, ainda mais agressivo que o da rival chinesa. O empresário planeja fabricar esse veículo justamente onde a BYD quer se instalar: na Bahia.

Leia mais sobre carro elétrico popular:

Carro elétrico no Brasil: BYD inicia produção em 2024 e reforça protagonismo do NE

Carro elétrico dará protagonismo a Pernambuco e Bahia, por Patrícia Raposo

- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -