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Quadrilhas mudam rotas e alvos e NE chega a 20% dos roubos de carga no país

Bahia liderou o avanço nordestino, saltando de 0,7% para 9,2% dos prejuízos. Medicamentos passaram de 1,7% para 22,3% das cargas roubadas no período, segundo a nstech
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  1. Nordeste amplia participação nos prejuízos por roubo de cargas, saltando de 13,7% para 20,2% entre trimestres.
  2. Bahia lidera região nordestina com aumento expressivo: de 0,7% para 9,2% dos prejuízos em um ano.
  3. Quadrilhas adotam estratégia dinâmica, testando territórios, alternando alvos e se reorganizando rapidamente conforme resistência encontrada.
  4. Medicamentos e cargas de alto valor atraem criminosos, concentrando 40,4% dos prejuízos em operações acima de R$ 1 milhão.
  5. Sudeste mantém liderança histórica com 78,2% dos prejuízos, enquanto Norte recua significativamente no período analisado.
Roubo de cargas
Nordeste amplia prejuízos por roubo de cargas acima de R$ 1 milhão no primeiro trimestre de 2026. Foto: Divulgação

O Nordeste ampliou sua participação nos prejuízos por roubo de cargas no primeiro trimestre de 2026. A região passou de 13,7% dos prejuízos registrados no primeiro trimestre de 2025 para 20,2% no mesmo período deste ano, mantendo-se como a segunda mais afetada do país, atrás apenas do Sudeste. As cargas de maior valor, sobretudo de medicamentos, têm atraído a atenção dos criminosos e concentrado boa parte das investidas.

O levantamento foi realizado pela nstech e considera operações acompanhadas pelas gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech, do ecossistema nstech, e compara os dados do primeiro trimestre de 2026 com o mesmo período de 2025.

O Nordeste já figurava como a segunda região do país com a maior concentração de roubo de cargas ao longo do ano de 2025. Os três primeiros meses de 2026 revelam que houve aumento no peso financeiro da região nos prejuízos monitorados.

Segundo o relatório da nstech, o roubo de cargas no Brasil passou por uma mudança de comportamento. O risco deixou de ser concentrado e previsível e passou a se tornar mais dinâmico, seletivo e adaptável, com quadrilhas testando territórios, alternando alvos e reorganizando rapidamente sua atuação.

A Bahia foi o principal destaque nordestino no primeiro trimestre de 2026. Segundo os dados divulgados, a participação do estado nos prejuízos por roubo de cargas saltou de 0,7% no primeiro trimestre de 2025 para 9,2% no mesmo período deste ano.

Pernambuco também aparece com peso relevante, com 6,4% dos prejuízos. Rio Grande do Norte e Alagoas registraram, respectivamente, 2,3% e 2,2% no primeiro trimestre de 2026.

Já no panorama nacional, o Sudeste segue como líder histórico de roubo de cargas, concentrando 78,2% dos prejuízos no primeiro trimestre de 2026. O Nordeste aparece em seguida, com 20,2%. Já o Sul respondeu por 1,2%, enquanto o Centro-Oeste ficou com 0,4%. O Norte, que havia concentrado 20,2% dos prejuízos no primeiro trimestre de 2025, não aparece entre as regiões com registros de prejuízo no recorte de 2026 analisado pela nstech.

Para a empresa, essa mudança reforça a mobilidade das quadrilhas, que exploram fragilidades em diferentes territórios e recuam rapidamente quando encontram resistência.

Roubo de carga na Bahia,
No último dia 13 de maio a PC da Bahia deflagrou a Operação Cefaleia e prendeu suspeitos de roubar carga de medicamentos avaliada em R$ 1,5 milhão em Feira de Santana. Foto: Polícia Civil Bahia

Crime mira mercadorias de maior valor

O relatório não atribui o aumento no Nordeste a um único fator regional, mas aponta uma mudança no padrão de atuação do crime logístico no país. Segundo a nstech, o foco das quadrilhas deixou de estar apenas no volume transportado e passou a se concentrar no valor e na liquidez das cargas.

No primeiro trimestre de 2026, 40,4% dos prejuízos estavam concentrados em operações com cargas acima de R$ 1 milhão. Entre essas operações, 44,4% dos prejuízos envolveram transporte de medicamentos.

O avanço desse tipo de carga é um dos sinais da mudança. Medicamentos passaram de 1,7% dos prejuízos no primeiro trimestre de 2025 para 22,3% no mesmo período de 2026. Para a nstech, o dado indica uma migração para alvos mais específicos, de maior valor agregado, liquidez e retorno por operação.

As cargas fracionadas também voltaram a crescer no período. A participação nos prejuízos passou de 28,4% no primeiro trimestre de 2025 para 36,6% em 2026, embora ainda abaixo do patamar observado em 2024, quando esse tipo de carga representava 57%.

Trechos urbanos e BR-101 voltam ao radar para roubos de carga

A mudança também aparece na geografia dos prejuízos. Conforme os dados do relatório, os trechos urbanos concentraram 38,5% dos prejuízos no primeiro trimestre de 2026, ante 18,9% no mesmo período de 2025. Entre as rodovias, a BR-101 passou de 5,3% para 21,6%, enquanto a BR-116 subiu de 5,4% para 13%.

Segundo o estudo, esses dados indicam que o crime deixou de explorar apenas corredores logísticos tradicionais e passou a exigir mais atenção na última milha, com maior foco em distribuição urbana, operações mais rápidas e ações direcionadas.

A BR-101 já havia aparecido como ponto de atenção para o Nordeste no levantamento anterior. Em 2025, a rodovia concentrou 30,8% dos prejuízos por roubo de cargas na região, segundo levantamento da nstech e da NTC&Logística.

Apesar do avanço do risco, a nstech afirma que houve aumento da eficiência na gestão das operações monitoradas. Entre janeiro e março de 2026, foram evitados mais de R$ 72 milhões em prejuízos. No mesmo período, as gerenciadoras de risco do ecossistema nstech acompanharam mais de R$ 550 bilhões em mercadorias, alta de 13% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

O volume de cargas recuperadas também cresceu 9% no trimestre, segundo a empresa. Para a nstech, o desempenho reflete o uso de tecnologia embarcada, monitoramento contínuo, rastreamento avançado, inteligência de rotas e atuação coordenada das equipes de gerenciamento de risco.

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