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Alagoas amplia restauração de corais em quatro municípios do litoral

Setur e Ufal monitoram corais em Maceió, Maragogi, Marechal Deodoro e Paripueira para proteger biodiversidade e economia costeira
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Projeto preservação de corais em Alagoas
Projeto tem impacto direto sobre o turismo e a pesca artesanal, atividades que dependem da saúde dos recifes de corais. Foto: Lucas Meneses

Alagoas avançou na estratégia de preservação dos recifes marinhos com a consolidação do Projeto Corais de Alagoas, iniciativa que monitora e restaura áreas em Maragogi, Maceió, Marechal Deodoro e Paripueira. A ação, que já iniciou a fase de cultivo e replantio de colônias saudáveis, busca ampliar a cobertura de corais vivos e garantir a sustentabilidade ambiental de um dos principais ativos econômicos do estado: o litoral.

O projeto é desenvolvido há cerca de um ano em parceria entre a Secretaria de Estado do Turismo (Setur) e a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com incentivo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e articulação com órgãos como a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e o Instituto do Meio Ambiente (IMA).

Os primeiros passos envolveram a estruturação de um laboratório de mergulho responsável pelo mapeamento e monitoramento da saúde dos recifes nas quatro cidades contempladas. A partir desse diagnóstico, o projeto avançou para a fase de restauração ativa, com a reprodução de colônias saudáveis de corais em viveiros submersos.

Na piscina natural da praia de Pajuçara, em Maceió, já foram instaladas duas mesas de berçários no fundo do mar. Segundo o professor-doutor Robson Santos, responsável técnico pela iniciativa, os primeiros fragmentos já apresentam crescimento monitorado pela equipe. “Os corais cultivados passam por acompanhamento contínuo para avaliação da saúde e do desenvolvimento. O objetivo é identificar o momento adequado para o replantio em áreas degradadas”, explicou.

mesas berçários de corais nas piscinas naturais da Pajuçara, em Maceió
Duas mesas berçários foram instaladas em área das piscinas naturais da praia de Pajuçara, em Maceió. Foto: Lucas Meneses

Além de recuperar áreas degradadas, o projeto atua na geração de dados técnicos que podem subsidiar políticas públicas ambientais e decisões relacionadas ao ordenamento turístico. Ecossistemas vitais para a biodiversidade marinha, os recifes de coral são responsáveis por abrigar cerca de 25% das espécies oceânicas e exercem papel estratégico na proteção da linha de costa, reduzindo o impacto de ondas e processos erosivos.

A secretária de Estado do Turismo, Bárbara Braga, destacou que a iniciativa alia preservação ambiental e desenvolvimento econômico. “O mar em Alagoas gera emprego e renda por meio da pesca e do turismo. Garantir a saúde dos recifes é assegurar a continuidade dessas atividades para as próximas gerações”, afirmou. Segundo ela, a restauração contribui para manter a atratividade do litoral, ao mesmo tempo em que fortalece práticas de turismo sustentável.

PF apreendeu corais no aeroporto Zumbi dos Palmares
Cerca de 10 quilos de corais foram apreendidos pela Polícia Federal no Aeroporto Zumbi dos Palmares, em Maceió, com turista. Foto: Polícia Federal

Retirada de corais é crime e reforça urgência da preservação

O avanço do projeto ocorre em um contexto de alerta sobre a degradação dos recifes. Recentemente, a Polícia Federal apreendeu cerca de 10 quilos de corais que estavam sendo transportados por turistas no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió. O material foi encaminhado ao Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) para abertura de processos administrativos e aplicação de multas.

De acordo com o IMA, a retirada ou exportação de corais sem autorização é crime ambiental e pode gerar multas que variam de R$ 50 a R$ 50 milhões, dependendo da quantidade e da área afetada. O coordenador de Gerenciamento Costeiro do órgão, Ricardo César, ressalta que há espécies que crescem menos de um centímetro por ano, o que torna a recuperação natural extremamente lenta.

“Existem espécies de corais que crescem menos de 1cm por ano, então quando se retira um volume considerável, demora décadas e décadas para que esse recife se recupere. Nesse sentido, a necessidade de preservação desse ecossistema é urgente”, advertiu.

Além do impacto direto sobre a biodiversidade, a retirada indevida desses organismos compromete a proteção da faixa costeira e pode intensificar processos erosivos, fenômeno agravado pelas mudanças climáticas.

Leia mais: Turismo cultural reposiciona cidades do Sertão de AL às margens do Velho Chico

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