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Conchas que Transformam: sururu alagoano vira revestimento de luxo

Desenvolvido pelo IABS, projeto já reaproveitou mais de 500 toneladas de cascas de sururu e movimentou R$ 800 mil em comunidade de Maceió
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Fabricação de revestimento da casca de sururu Maceió
Projeto Conchas que Transformam deu novo destino às cascas de sururu, gerando renda para a comunidade do Vergel do Lago, em Maceió. Foto: IABS

Patrimônio imaterial da cultura alagoana, o sururu, se transformou em instrumento de mudança da realidade econômica de 20 mulheres cadastradas que atuam no projeto Sururu: Conchas que Transformam. Em parceria com a empresa de revestimentos cerâmicos Portobello, mais de 500 toneladas de conchas do molusco foram retiradas das ruas e reaproveitadas, gerando mais de R$ 800 mil em renda geral na comunidade do Vergel do Lago, em Maceió.

O projeto é realizado desde 2017 pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) no bairro Vergel do Lago, uma comunidade de baixa renda e alta vulnerabilidade social. Na região, mais de 1,5 mil famílias vivem do sururu, onde os homens costumam mergulhar até três metros no fundo da Lagoa para coletar o sururu, enquanto as mulheres tradicionalmente separam a carne do molusco do cordão que os liga, fervem, peneiram e embalam para venda.

Mas segundo o IABS, as conchas do molusco viraram um problema de saúde pública, pois viviam espalhadas pelas ruas do bairro. O projeto buscou dar uma destinação sustentável às cascas e que gerasse renda às famílias.

Pescado na Laguna Mundaú, em Maceió, carne do sururu é vendida e cascas viram revestimentos de cerâmica
Pescado na Laguna Mundaú, em Maceió, carne do sururu é vendida e cascas viram revestimentos de cerâmica. Foto: IABS

Em 2020 a Portobello se uniu à iniciativa, para gerar alternativas de renda, trazer mais qualidade de vida para a comunidade e diminuir os impactos ambientais das conchas de sururu. Agora, essas conchas se transformam em produtos inovadores e de valor agregado, revertendo o lucro para a população local.

As marisqueiras hoje vendem as cascas para o projeto social e recebem Sururotes, uma moeda social do Vergel administrada pelo Banco Laguna, utilizada em diversos estabelecimentos do bairro como mercados, lojas, entre outros. Na prática, são 85% das famílias envolvidas na iniciativa que já conseguiram aumentar a renda mensal.

Moradora do Vergel e marisqueira, Fabiana Panta disse que a iniciativa de transformar as cascas do sururu em materiais que geram para a comunidade vem contribuindo para melhorar a renda de diversas famílias. “Teve uma semana em que o pagamento atrasou e eu consegui ir ao mercado usando a moeda social para comprar carne, arroz, feijão e material de limpeza, o que fez muita diferença pra gente”, revelou.

Pesca do sururu em Maceió
Sururu é patrimônio imaterial de Alagoas e fonte de renda de diversas famílias que vivem em comunidades às margens da Laguna Mundaú. Foto: IABS

Casca de sururu vira linha premium de revestimentos

Depois que sai da Laguna Mundaú, passa pelo tratamento das marisqueiras e o sururu segue sua trajetória até restaurantes do estado, as cascas são direcionadas para a unidade fabril da Empresa Social, gerenciada pelo IABS para a comunidade do Vergel. Lá as conchas são tratadas e utilizadas na criação de produtos inovadores, elaborados depois de muito estudo e trabalho colaborativo com outras instituições parceiras.

A Pointer, por exemplo, é um parceiro que viabilizou infraestrutura, testes e manutenções para otimizar o processo produtivo. Quando os produtos estão prontos, são vendidos para a Portobello, que distribui em suas lojas e apoia a viabilização econômica da iniciativa.

Em 2020, segundo explicou o Instituto que gere o projeto, foi lançada a primeira linha de produtos criados a partir da casca do sururu, o Cobogó Mundaú. Ele foi criado pelos designers Marcelo Rosenbaum e Rodrigo Ambrosio em parceria com o artesão local Itamácio dos Santos.

Linha de Cobogó Mundaú feito com cascas de sururu
Cobogós Mundaú foram primeiro produto lançado pela Portobello, feito a partir da casca do sururu. Foto: IABS

Em 2023, a Portobello lançou a linha Solar, que é um revestimento de parede inspirado na arquitetura brutalista e contemporânea, também criado em colaboração com os designers Marcelo Rosenbaum e Rodrigo Ambrosio. Em 2024 foi lançada a linha de revestimento Fita, que tem um design mais modernista, mas dá continuidade às ações do projeto.

Segundo dados do IABS, até setembro deste ano, mais de 500 toneladas de conchas foram retiradas das ruas e reaproveitadas, gerando R$ 800 mil em renda. “Além do impacto direto com o reaproveitamento das conchas e com os Sururotes, a venda de produtos de alto valor agregado também cria mais oportunidades de desenvolvimento na comunidade: o lucro de todas as vendas será revertido para novos projetos na comunidade. Assim, é possível ampliar ainda mais os benefícios dessa iniciativa no Vergel”, disse por meio de nota.

Linha Fita, feito com casca de sururu
Linha Fita, lançado em 2024, é revestimento em estilo modernista feito também com cascas de sururu. Foto: IABS

A Superintendência de Desenvolvimento e Sustentabilidade da Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Sedics) disse que acompanha e fortalece iniciativas como esta, que combinam inovação, geração de renda e proteção ambiental.

Para a secretária Alice Beltrão, o Projeto Sururu representa exatamente o tipo de impacto que o Governo de Alagoas deseja ampliar. “A Sedics tem trabalhado para fortalecer Negócios de Impacto que valorizem nossa cultura, promovam inclusão produtiva e apontem caminhos para um desenvolvimento mais sustentável e justo para todos”, afirmou a gestora.

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